A Caminho de Casa (A Dog’s Way Home, 2019) – Crítica
A Caminho de Casa

Para falar sobre A Caminho de Casa vale um comentário inicial: caso você tenha uma afinidade com cachorros (e talvez até com gatos) é bem possível que ache fofo, chore e se identifique… de modo algum quero deslegitimar esses sentimentos, não tenho esse poder e pretensão. O que proponho é pensar como o filme chegou àqueles sentimentos e se eles se sustentam por toda a obra.

A história é bem Sessão da Tarde: uma cachorrinha de rua é adotada por um rapaz. Contudo eles acabam se separando. O filme é basicamente um road movie do mundo animal, já que Bella (nome do bichinho) além do elenco humano, interage com outros animais para tentar vencer os obstáculos e encontrar o Caminho de Casa do título. Não é difícil adivinhar como a coisa termina, aqui o velho clichê de o que importa é a jornada é o mote. Vale a nota de que nós entendemos os pensamentos dela, pois o longa usa um recurso de uma espécie de narração… e para a coisa não virar galhofa os outros animais e os humanos do filme só ouvem latidos comuns. O que abre margem pra algumas boas piadas e temos a narrativa sob um ponto de vista especial.

A Caminho de Casa

Para apresentar o universo e os diversos mini arcos, o começo de A Caminho de Casa é muito atropelado. Temos a relação com os gatos, o homem que quer destruir a casinha deles para construir alguma coisa, o funcionário do controle de animais, o potencial casal que quer salvar os bichos, a mãe do protagonista humano junto com os demais veteranos das guerras, além das coisas descobertas de Bella.

Tudo é jogado na tela sem que o filme respire. Dá uma sensação de que está acontecendo várias coisas (e está). Não dá tempo do espectador absorver as informações e pensar. Além disso, o começo do longa dirigido por Charles Martin Smith (Winter, o Golfinho e Bud: O Cão Amigo) tem uma carga emocional um tanto apelativa, com o intuito de ganhar o público, os afastamentos familiares aliado ao simples fato de ser um cachorro (e isso pra muita gente por si só já é motivo de choro), imploram que você se emocione.

Mas há de fato algum carisma na nossa amiguinha. Então cada nova brincadeira ou novo companheiro que ela arranja temos abertura para nos engajarmos – o que torna a apelação, por exemplo musical, um tanto desnecessária. A história é simples, é verdade, mas poderia se sustentar com as próprias patas. A inocência e o amadurecimento são muito mais sinceros do que outros movimentos do roteiro. Vale a ressalva que a coisa poderia ser bem mais piegas, imagino que em outros cortes a pena poderia estar mais carregada…

Outra muleta narrativa é a exposição nos diálogos. Em um dado momento Bella aprende algo novo, exatamente como voltar pra casa, já dava pra ver o que tinha acabado de acontecer. Mas o roteiro insiste em colocar diálogos a mais para explicar. Noutro, vemos a passagem do tempo devido a neve cair, mas assim que tem a oportunidade essa marca, que mais uma vez já estava pra lá de apreendida pelo público, é reiterada com a fala “se passou x anos”.

A Caminho de Casa

Na parte técnica, o CGI deixa um pouco a desejar. Na maior parte do tempo é possível acreditar no que estamos vendo, mas em outros, principalmente quando tem dois animais interagindo, fica nítido que estamos diante de uma computação gráfica e isso pode dificultar a imersão. Mas o que está mais falso que tudo isso é como o filme retrata um casal homossexual. Que ótimo que o  filme quis colocar dois homens juntos, representatividade é importante. Contudo, faltou coragem para mostrá-los simplesmente se beijando ou se assumindo mais, eles mal se tocam (e não, não estou falando que era para o filme colocar sexo explícito, vocês entenderam… Eu tenho TOTAL certeza que se fosse um homem e uma mulher haveria esse detalhe bobo como um beijo).

E outro problema da ala humana do filme são as atuações. Ou caricatas ou irrelevantes.  Jonah Hauer-King que faz Lucas parece que saiu de um seriado adolescente, basicamente ele tem uma expressão. A justificativa que o foco não era os humanos cai por terra quando o arco com os bichos é muito esquemático e gera até uma certa barriga.

Ao ver A Caminho de Casa, muitos irão associar com Quatro Vidas de um Cachorro – este que aliás terá uma sequência em breve, o Juntos para Sempre. A comparação só se deve pelo tema animal e pelo modo como “ouvimos” o bicho. Já que o 4 Vidas é bem superior tanto nas ideias, quanto na execução.

Então A Caminho de Casa pode até atingir um objetivo de pegar os mais sensíveis ao tema. Mas entrega pouco além disso.

 

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De Volta a Casa

20191 h 36 min
Overview

Bella é uma cadelinha especial que vive com Lucas, um estudante de medicina veterinária que trabalha como voluntário em um hospital local. Um dia ela é encontrada pelo Controle de Animais na rua e acaba sendo levada para um abrigo a 400 milhas de distância de seu dono. No entanto, Bella, uma cachorra extremamente leal e corajosa, decide iniciar sozinha uma longa jornada de volta para a casa, emocionando a todos que cruzam o seu caminho.

Metadata
Writer
Author
Runtime 1 h 36 min
Release Date 10 janeiro 2019

Nota do Razão de Aspecto

 

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