3 anúncios para um crime – Crítica de um dos indicados ao Oscar de Melhor Filme
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Mesmo com menos indicações para o Oscar que A forma da água e Dunkirk, muita gente considera 3 anúncios para um crime o principal favorito à estatueta de melhor filme. Ele já acumula diversas premiações em festivais, incluindo o Globo de Ouro de Melhor Drama. Além disto, também é considerado favorito nas categorias de melhor atriz (Frances McDormand) e melhor roteiro original. Diante disto, do comentário de amigos que já tinham visto, e do excelente trailer, eu tinha enormes expectativas com o filme. Mas saí do cinema completamente surpreso, positivamente.

Confira a lista das nossas críticas aos indicados deste ano.

A primeira grande surpresa era que eu não esperava uma comédia de humor sombrio. Ao contrário da opinião do Globo de Ouro, na minha visão o gênero principal é a comédia, e não o drama. A principal emoção gerada em mim e na platéia foi a do riso. Um riso incômodo, mas delicioso. Há um estilo narrativo bem similar ao dos irmãos Coen, com uma mistura de surrealismo, violência e personagens caricatos mas ao mesmo tempo complexos e imprevisíveis.

Imprevisível é o termo mais aplicável a história. Nada é o que parece, e a todo instante o filme trapaceia e engana o espectador. E nos deliciamos em nos sentir ingênuos e surpreendidos. A premissa inicial é bem simples e curiosa: a mãe de uma vítima de assassinato não resolvido coloca três mensagens em outdoors para o chefe da polícia local, cobrando resultados.

A medida que o filme se desenvolve, nenhuma expectativa se confirma. A princípio pensamos que o filme será sobre a investigação do crime, ou uma crítica a polícia e seu papel. E… não, a história principal não é esta. Outras expectativas são criadas, tanto de temas, quanto de desenrolar da história, e todas são desconstruídas até o desfecho. Mas isto não gera nenhuma frustração, nem tampouco são peripécias forçadas  ou inverossímeis. A cada nova camada revelada, a cada novo plot twist, o filme vai se tornando mais complexo e interessante.

A construção de personagens é primorosa. Em 3 anúncios para um crime ninguém é completamente herói ou completamente vilão. Todos tem motivações múltiplas, tanto egoístas quanto altruístas. Não há certo ou errado aqui, e sim uma tensa e estranha confusão de valores e conflitos. Esta ambiguidade e incerteza moral e emocional permanece até a última cena, com um delicioso final aberto.   Devido a estas qualidades da narrativa, será uma enorme injustiça se 3 anúncios para um crime não levar o prêmio de melhor roteiro original.

Um dos pontos que mais se destaca na narrativa é como Martin Mcdonagh aborda temas polêmicos do momento mas sem assumir os discursos óbvios. Temas como racismo, violência policial, violência doméstica, justiça, direitos civis, etc, são abordados sem dominar a narrativa. São elementos de acréscimo a comédia do absurdo, e não o tema a ser debatido. E isto sem tornar a abordagem destes temas superficial.

Todo o elenco está muito bem, mas o destaque é sem dúvida a atuação de Frances McDormand. Mildred não é uma mãe de vítima de assassinato comum. É quase uma força da natureza. Não uma fúria descontrolada ou um luto paralisante, e sim uma combinação de raiva, descontrole, estratégia, paixão e em alguns momentos compreensão. Tudo nela é intenso, mas não é uma intensidade de choros e gritos, e sim de atos, olhares, posturas. E por debaixo de toda esta intensidade se percebe o tempo todo uma mãe dilacerada pelo luto.

Sam Rockwell também está brilhante. O policial Dixon é o personagem que passa pela maior transformação do filme. Um ator menor se refugiaria na caricatura do redneck. Mas Rockwell consegue apresentar um policial racista, bêbado e truculento de maneira tão humana que nos identificamos com ele.

Apesar de não ser um filme tão exuberante em detalhes fotográficos, rimas visuais e grandiosidade como A forma da Água ou Dunkirk, 3 anúncios para um crime é excelente no essencial: história, cenas, diálogos e personagens. Um filme enganosamente simples, mas cinema de gente grande.  Felizmente não sou membro da academia. Detestaria ter que escolher entre ele e o filme de Guillermo del Toro.

Not rated yet!

Three Billboards Outside Ebbing, Missouri

Overview

Depois de meses sem a polícia encontrar o culpado para o caso do assassinato de sua filha, Mildred Hayes (Frances McDormand) toma uma ação ousada instalando três anúncios na beira de uma das estradas de sua cidade com mensagens direcionadas a William Willoughby (Woody Harrelson), o chefe de polícia da cidade. O caso complica mais quando Dixon (Sam Rockwell), segundo em comando na polícia e que tem uma inclinação para violência, se envolve, o que deixa a batalha entre Mildred e a justiça de Ebbing mais intensa.

Metadata
Director Martin McDonagh
Writer Martin McDonagh
Author
Runtime
Release Date 10 novembro 2017

Nota do Razão de Aspecto

 

O que você achou?

 
[Total: 8    Média: 3.6/5]
  • Maurício Costa

    Tem de colocar a sinopse. E é muito melhor que A Forma D’água. Aliás, é realmente melhor que todos os demais indicados.

    • Aniello Greco

      Sinopse inserida.