Homecoming (2018)- Crítica

Homecoming. Dirigida por Sam Esmail, criador de Mr. Robot, Homecoming, a nova série original da Amazon, é uma pérola para os fãs das narrativas de suspense e de terror, no melhor estilo de Hitchcock.

Quatro personagens: a asssitente social e protagonista Heidi Bergman (Julia Roberts), o executivo Colin Belfast (Bobby Cannavale), o soldado Walter Cruz (Stephan Eames) e o burocrata do Departamento de Defesa Thomas Carrasco (Shea Whighan). Um projeto de recepeção e readaptação de veteranos de guerra. Clima de paranóia. Duas narrativas paralelas, em diferentes pontos da linhaa do tempo. Três mistérios: a natureza do projeto, o que levou ao seu fechamento e o destino dos personagens. A mistura desses igredientes poderia resultar em uma história confusa, desequilibrada e pretensiosa, mas Homecoming prova que é possível tornar a complexidade acessível ao grande público, da mesma forma que Alfred Hitchcock conseguia fazer com seus filmes.

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Ao se utilizar dos melhores recursos das narrativas de suspense e terror, Sam Esmail cria uma atmostera aterrorizante e perturbadora, deixando em suspenso a possibilidade de que algo de muito errado vai acontecer a qualquer momento. Para além das atuações de altíssimo nível do elenco – com exceção do personagem histriônico de Bobby Cannavale, o ponto mais fraco da série -, a trilha sonora de Homecoming faz o espectador imergir naquele universo. Por vezes, a tensão cresce em cenas nas quais, supostamente, nada acontece, como subir uma escada ou caminhar em direção à recepção de um prédio comercial, porém, a trilha sonora, associada ao conhecimento do espectador do que poderá acontecer, muda completamente a percepção e, consequentemente, o efeito de uma cena muito simples.

Do ponto de vista visual, Homecoming  separa as narrativas paralelas mediante diferentes razões de aspecto. Em um primeiro momento, a diferença na proporção de tela parece marar pontos distintos no tempo: no presente, temos uma proporção próxima à da tela de um celular, no passado, temos a proporção de 16:9 (padrão da televisão e do streaming), porém, essa mudança revela-se como um recurso narrativo mais profundo. Cada uma delas indica o estado emocional e psicológico da protagonista, que se vai alterar quando da resolução do mistério.  Ademais, a fotografia oscila entre enquadramentos fechados – de forma a enfatizar as emoções e a confusão dos personagens – e enquadramentos abertos – que exploram a dimensão dos ambientes, o labirinto de mentiras e a pequenez das pessoas diante da máquina do governo. Todos esses recursos são usados com sutileza e eficiência, com resultado envolvente.

No roteiro, Homecoming é precisa no desenvolvimento dos personagens e na resposta de todos os mistérios, sem apelar para a exposição excessiva. Ao mesmo tempo em que não se utiliza de recursos óbvios para responder às perguntas que levantou, a série também não dá respostas tão implícitas que precisem de vários videos no Youtube com explicações. Todos os mistérios são solucionados, o destino dos principais personagens é revelado – e aqueles que não foram revelados me pareceram mote para a sequência da história -, e a cena final poderá despertar relações com certo filme de Cristopher Nolan.

Homecoming tem como pontos fortes a busca de Heidi pela recuperação da própria meória, de um lado, e a obsessão de Thomas Carrasco pela verdade, de outro lado. Ela, uma assistente social fracassada, ele, um pequeno burocrata sem poder real, perdido na máquina estatal e tentando fazer o seu trabalho, enquanto é ridicularizado por todos. Ao mesmo tempo em que Thomas é ridículo e, em grande media, de inteligência limitada, conseguimos empatizar com sua luta e suas atitudes. Por outro lado, se a luta de Thomas é algo com o que podemos nos identificar, por outro lado, sua falta de poder real resulta em um anticlímax na cena chave de toda a série – e este foi o único problema que encontrei nos dez episódios.

Poucas séries conseguem unir objetividade – e Homecoming tem episódios curtos, de cerca de 30min cada -, valor de produção, complexidade temática e curiosidade capazes de me levarem a uma maratona de de mnos de 14h para acabar todos os episódios. Em alguns momentos, me senti assistindo Corra! , em outros momentos, Intriga Internacional, mas, em todos os episódios, tive certeza de que a Amazon acertou em cheio e produziu uma das melhores séries do ano e uma das melhores séries de suspense da nova era da TV.

Nota do Razão de Aspecto

 

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[Total: 1    Média: 5/5]
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