Especial Missão Impossível – parte III

A primeira parte do especial do Razão de Aspecto sobre os filmes da série Missão Impossível você encontra aqui.

A segunda parte você encontra aqui

Há pequenos spoilers a respeito das tramas dos filmes, mas não sobre seus finais.

=> Missão Impossível: Nação Secreta (2015)

No quinto filme da série, o quinto diretor diferente: Christopher McQuarrie, que já havia dirigido Cruise anteriormente em Jack Reacher: O Último Tiro (2012) e roteirizado filmes do ator, como Operação Valquíria (2008) e No limite do amanhã (2014). McQuarrie tem trabalhos excelentes na carreira, como, por exemplo, ter escrito o já clássico Os Suspeitos (1995). Por outro lado, ele também é o responsável por roteirizar o excremento A Múmia (2017), também com Cruise.

Em Missão: Impossível – Nação Secreta, a dupla Cruise-McQuarrie se faz um bom trabalho, e mantém a mistura de cenas de ação grandiosas com um pouco de suspense. Ethan Hunt continua investigando o Sindicato, missão que lhe fora dada ao final do filme anterior. Estranhamento, poucos parecem acreditar na existência dessa organização, embora o próprio governo tenha incumbido Hunt do assunto (coisas da continuidade gambiarra entre roteiros…). A “nação secreta” do título é justamente essa organização clandestina, com grande influência em todos os setores, agentes supertreinados e motivada, além de pelo poder, por destruir a Impossible Mission Force.

Aqui, essa organização ganha um rosto, o de Solomon Lane (Sean Harris), cruel e implacável líder do Sindicato. Hunt cruza caminho, hora do mesmo lado, hora em lados opostos, com Ilsa Hunt (Rebecca Ferguson). E estão de volta Benji (Simon Pegg), Luther (Ving Rhames) e Brandt (Jeremy Renner), sendo a primeira vez em que tantos personagens voltam para o filme seguinte.

Brandt, aliás, está ocupado tentando limpar o nome da IMF, após a sequência de eventos do filme anterior e o histórico de operações da agência ter gerado uma investigação por parte de um comitê do Senado dos Estados Unidos. O Diretor da CIA, Alan Hunley (Alec Baldwin) consegue fazer com que a IMF seja desativada, fazendo com que Hunt e sua equipe tenham de provar seu valor e sua inocência enquanto salvam novamente o mundo… (olha aí que inédito…).

O retorno de vários personagens em Nação Secreta oferece não apenas um senso de continuidade entre os filmes, mas possibilita também o crescimento e o investimento do público nos personagens, que passam a não ser apenas “a equipe da vez”. O Benji de Simon Pegg vai ficando cada vez mais à vontade como parceiro cômico de Hunt, e a química entre os personagem de Tom Cruise e Rebecca Ferguson é muito boa. Com cenas em Minsk, Havana, Casablanca e Londres, a dose de passeios pelo mundo continuou garantida.

Quanto mais sua idade avança, mais Tom Cruise faz questão de fazer o maior número de cenas de ação sem dublês. Desta vez, para enlouquecer os produtores e as seguradoras, ele já abre o filme pendurando-se em um cargueiro em pleno voo. No meio do filme, o desafio não é mais o de se pendurar (dentro ou fora) em um prédio, mas o de segurar o fôlego durante um tempo improvável enquanto manipula um servidor de banco de dados embaixo d’água. A cereja do filme é a necessidade do IMF de sequestrar o Primeiro Ministro do Reino Unido para conseguir algo que Solomon Lane exige.

A ideia de uma organização misteriosa por trás de boa parte dos crimes e catástrofes do mundo, em um filme de agente secreto, pode lembrar um outro filme do mesmo ano: 007 Spectre. É bom lembrar que o Sindicato já era o principal antagonista da IMF nas séries de TV. Por sua vez, a Spectre foi inspirada na SMERSH, criada nos livros de Ian Fleming ainda na década de 1950. Ou seja, pode-se até pensar em uma… inspiração… meio direta demais, mas isso aconteceu já nos idos dos anos 1960.

Há mais um parentesco deste roteiro com um James Bond recente. Há uma longa sequência durante uma  ópera em Viena, exemplo muito bem realizado da mistura de cenas de ação com o suspense da música crescente. Algo semelhante já fora testemunhado há pouco tempo em 007 Quantum of Solace – sendo, aliás, uma das poucas boas ideias daquele filme. De toda forma, Ethan Hunt tem recebido roteiros menos preguiçosos que James Bond, nos últimos anos ao menos.

=> Missão Impossível : Efeito Fallout (crítica em breve aqui no Razão!)

 O sucesso do filme anterior deu a Christopher McQuarrie o posto de primeiro diretor “repetido” da franquia. Novamente, os produtores optaram por manter a equipe anterior, além dos personagens de Alec Baldwin e Rebecca Ferguson. Até Sean Harris retorna como Solomon Lane, líder da Spectre do Sindicato, e Michelle Monaghan será vista novamente como Julia, esposa de Hunt. Como novidade, Henry Cavill, o Superman da atualidade, como um agente da CIA que entrará em conflito direto com Hunt e a IMF. Angela Basset e Vanessa Kirby completam as caras novas do elenco. Quem não volta é Jeremy Renner, ocupado que está com seu Gavião Arqueiro na Marvel.

De cara, a produção já teve uma curiosidade: as filmagens tiveram atraso de dois meses porque Cruise fraturou o tornozelo durante uma cena de salto entre dois prédios (cuja filmagem original pode ser vista nos trailers. Cruise treinou e realizou ele mesmo um HALO, salto realizado a partir de grande altura, mas em no qual se espera para abrir o paraquedas em baixa altitude – bastante típico em missões de infiltração. Será o maior longa da série até agora, com quase 2h30 de duração.

——– xxx ——–

 Os filmes da franquia Missão Impossível são variações de um fórmula mais ou menos básica: em algum momento, para obter uma informação ou salvar alguém, Hunt sempre terá que roubar algo para conseguir o que ele próprio ou o vilão precisam. Para isso, precisará invadir algum prédio ou base supostamente inexpugnável, com o apoio de sua equipe. Ele terá de montar uma operação escondido de seus chefes na IMF, será perseguido e/ou culpado por isso, mas no final se provará certo e todas as ações heterodoxas serão perdoadas.

Para imergir nesse universo, ao espectador é demandado que flexibilize bastante sua suspenção da descrença. Hunt realiza atos fisicamente implausíveis (e a preferência de Cruise por fazer as cenas sem dublê, além da vaidade pessoal, tem a ver com aumentar a verossimilhança das ousadias de seu personagem). A IMF consegue preparar missões com recursos vastos e em pouquíssimo tempo, mesmo que quase sempre seja perseguida tanto pelos vilões quanto pela polícia ou por outras agências de inteligência. A discrição das ações da IMF, parâmetro principal da série de TV, é substituída por tiros, explosões, perseguições de carros e destruições de kremlins…

Seis filmes depois, ainda é complicado saber quem é Ethan Hunt: sabe-se que ele não tem medo do perigo, tem uma memória prodigiosa, escala como poucos, fala muitas línguas e luta como ninguém. Mas isso são coisas que ele faz… ao longo dos filmes, ele já foi mais engraçadinho, mais apaixonado, mais homem de família, mais implacável, mais sábio. Na verdade, Hunt é um grande veículo para as cenas de ação grandiosas, mas como personagem, ele é só um rostinho (e um corpinho) bonitos, a caça (aê, hunt!) de uma personalidade definida. Mesmo assim, a série continua se reinventando -, ora com a entrada de novos atores, ora com a troca de diretores e roteiristas, e sempre com a presença carismática de Cruise.

Em breve, a crítica de Missão Impossível: Efeito Fallout, o sexto (e possivelmente não último) filme da equipe de Ethan Hunt.

 

por D.G.Ducci

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