Especial Missão Impossível – parte II

A primeira parte do especial do Razão de Aspecto sobre os filmes da série Missão Impossível você encontra aqui.

Há pequenos spoilers a respeito das tramas dos filmes, mas não sobre seus finais.

=> Missão Impossível 3 (2006)

O terceiro filme da série teve a assinatura de ninguém menos que J.J. Abrams. Na época já famoso por seu trabalho na TV, em Lost e Alias, Abrams estrearia no cinema justamente a convite de Tom Cruise, após o diretor David Fincher (de Seven e Clube da Luta, entre outros) ter optado por outros trabalhos, alegando diferenças criativas.

Em MI:3 encontramos Ethan Hunt noivo de Julia (Michelle Monaghan) e aposentado de seus trabalhos de campo. Sem o conhecimento da noiva, ele ainda trabalha na IMF, mas apenas como instrutor. Tudo vai bem até que John Musgrave (Billy Crudup), informa Hunt de que sua principal pupila, Lindsey Farris (Keri Russell) foi capturada durante uma missão de investigação sobre Owen Davian (Philip Seymour Hoffman). Aliado ao velho parceiro Luther Stickell (Ving Rhames), ao piloto Declan Gormley (Jonathan Rhys Meyers) e à agente Zhen Lei (Maggie Q), ele parte para o resgate de Lindsey, que tem um segredo a revelar. Pela primeira vez Benjamin “Bendji” Dunn (Simon Pegg), gênio da computação, participa do filme, fato que se repetiria nos episódios seguintes. Ainda no elenco, Laurence Fishburne interpreta Theodore Brassel, chefe da IMF.

Abrams consegue equilibrar melhor do que o filme anterior a ação em grupo e o protagonismo de Cruise. Ao iniciar o filme já no curso de uma cena climática, in media res, e depois retornar ao início da história para mostrar como se chegou até lá, MI:3 mantém a curiosidade do espectador, mesmo repetindo clichês dos filmes anteriores. Com mais ação do que o primeiro filme e um roteiro melhor (embora em muitas vezes com soluções forçadas) do que o segundo, o filme conseguiu ser um sucesso e recolocou a franquia nos trilhos.

Os roteiristas parecem brincar com a própria fórmula desse tipo de filme, ao fazer com que Hunt e seus parceiros precisem recuperar o “Pé de Coelho”, objeto que nunca fica totalmente explicado. No fundo, de fato, explicar a ameaça não faz diferença: o que importa é entreter a audiência com ação e peripécias. No “guia de turismo” deste episódio, Berlim, Vaticano e Xangai, cidade na qual ocorre a cena mais épica do filme, com um salto entre prédios.

Ao contrário dos episódios anteriores, que podem ser assistidos em qualquer ordem, sem perda significativa de continuidade, a partir deste terceiro a série ganha uma cronologia um pouquinho mais significativa. Diversos personagens deste filme aparecem no filme seguinte, e os acontecimentos (especialmente na vida pessoal de Hunt) e suas consequências passam a fazer mais sentido se os filmes forem vistos em ordem.

=> Missão Impossível: Protocolo Fantasma (2011)

Para o quarto filme da série, os produtores (entre eles sempre o próprio Tom Cruise, acompanhado aqui de J.J.Abrams e Brian Burk) fizeram uma aposta inusitada ao convidarem Brad Bird para a direção. Bird já havia comprovado sua competência, mas apenas em filmes de animação, como  O Gigante de Ferro (1999), Os Incríveis (2004) e Ratatouille (2007). Sua transição para os filmes com gente de verdade não deixou nada a desejar, resultando no quarto episódio da série, que muitos consideram o melhor até agora.

A trama começa com o roubo de códigos de lançamentos de mísseis nucleares, que resulta na morte do agente Hanaway (Josh Holloway matando saudade dos fãs de Lost) pela assassina Sabine Moreau (Léa Seydoux, que curiosamente estrelaria um filme da franquia 007  Spectre – anos depois). Ela trabalha para um misterioso homem chamdo “Cobalto”, que deseja provocar um conflito nuclear entre Rússia e Estados Unidos.

O roteiro não tem vergonha de ser megalomaníaco: o próprio Kremlin é destruído por uma armação de Cobalto, como forma de agravar as tensões entre os países, e – claro – a culpa recai sobre Ethan Hunt e sua equipe. Forçado pela situação, o Secretário inicia o tal “Protocolo Fantasma” do título, que significa a desabilitação/desestruturação da IMF. Agora ele terá de provar sua inocência enquanto salva o planeta… (opa, acho que já escrevi isso antes…!)

Contando com novamente com a ajuda de Benji – agora agente de campo -, Hunt tem novos parceiros: a agente Carter (Paula Patton) e William Brandt (Jeremy Renner), analista-chefe da IMF, com um passado tragicamente ligado ao de Hunt, e que acaba retornando aos trabalhos de campo. Tom Wilkinson faz uma ponta não creditada como o Secretário, chefe do IMF, e Ving Rhames   aparece de forma ainda mais breve, só para garantir a aparição do personagem Luther Stickell em todos os filmes.

Passando por Budapeste, Moscou, Dubai e Mombai, o filme tem como uma das cenas mais icônicas Tom Cruise escalando o Burj Khalifa, prédio mais alto do mundo, enquanto uma tempestade de areia se aproxima. O filme brinca também ao colocar Jeremy Renner em uma cena totalmente referencial à invasão de Langley, ainda no primeiro filme. Aliás, cogitou-se na época que o personagem de Renner teria sido introduzido na série para substituir Ethan Hunt à médio prazo, mas, além do envolvimento de Renner com o Universo Marvel Cinematográfico (no qual interpreta do Gavião Arqueiro), Cruise não parece muito interessado em sossegar. Outra cena icônica é o duelo em um prédio de estacionamentos, que beira o videogame.

Embora Cruise continue o centro das atenções, o espaço dedicado à equipe é mais equilibrado, e os elementos de humor, sobretudo nas interações com o carismático Benji, foram bastante bem-vindas. Nas cenas de uma invasão à uma mansão, Hunt praticamente atua como coordenador, deixando a ação para seus parceiros. Tendo sido lançado três anos após o péssimo 007 Quantum of Solace, esse filme provou ser ainda possível apresentar um entretenimento divertido no ramo da espionagem nada secreta.

O filme termina com uma nova missão, envolvendo um tal Sindicato, sendo oferecida a Hunt…

 

(continua…)

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