Especial Missão Impossível – parte I

Muito antes de Tom Cruise invadir prédios e se pendurar em aviões em plena decolagem, no papel do agente Ethan Hunt, a Impossible Mission Force já excitava e divertia as audiências. A série Missão Impossível foi criada por Bruce Geller e foi ao ar pela primeira vez em 17 de setembro de 1966. Acompanhada pelo inesquecível tema musical composto por Lalo Schifrin (que também faria as trilhas de Bullit e de Operação Dragão), a série acompanhava as missões de um pequeno grupo de agentes especiais, liderados (exceto na primeira temporada) por Jim Phelps (interpretado por Peter Graves) ao redor do mundo. Foram inicialmente sete temporadas 1966-1973, seguidas de mais duas entre 1988 e 1990.

O surgimento da série na década de 1960 insere-se em um contexto no qual dois fatores contribuíram imensamente: o clima de Guerra Fria, em que as tensões entre o bloco soviético e o bloco do ocidente gerariam histórias espetaculares de espionagem (tanto na vida real quanto na ficção); e a série cinematográfica do espião James Bond, o agente 007, então com quatro filmes de estrondoso sucesso.

Não foram poucas as séries derivadas desse contexto: Danger Man/Secret Agent (1960-1968), The Avengers (1961-1969), O Santo (1962-1969), O agente da U.N.C.L.E (1964–68)  e até a paródia Agente 86 (1965–70), para citar apenas algumas. A fórmula era parecida: agentes são enviados para diversos locais do planeta, para realizar missões arriscadíssimas e salvar o mundo de políticos corruptos, ditadores, ladrões de segredos de estado e magnatas com planos de dominação mundial.

Sim, este à esquerda é Leonard Nimoy, o eterno Dr.Spock!

Em 1996, seis anos após o fim da retomada da série na TV, Missão Impossível estreou nas telas de cinema, estrelando o mega astro Tom Cruise. Desde então, já são seis filmes – incluindo o lançamento deste ano, Missão Impossível: Efeito Fallout -, vários agentes envolvidos nas histórias e muitas cenas de tirar o fôlego.

O Razão de Aspecto revisita os cinco primeiros filmes – com pequenos spoilers, mas nada que revele demais das histórias – neste mini especial, Sua missão, caso deseje aceitá-la, é acompanhar e compartilhar nosso posts, e dar sua opinião sobre os filmes. Esta mensagem se autodestruirá em cinco segundos…

=> Missão Impossível (1996)

Para transpor a série de TV para os cinemas, os produtores (entre eles, o próprio Tom Cruise) escolheram Brian De Palma, respeitadíssimo diretor de grandes filmes como Scarface (1983), Dublê de corpo (1984) e Os intocáveis (1987). Acostumado com o suspense, De Palma opta por um clima tenso, de paranoia e perseguição. Aqui ainda não se vê tantas explosões ou um filme dedicado apenas à ação. Com cenas em Kiev, em Praga, na Virginia e no Eurotúnel entre a Inglaterra e a França, o filme marcaria uma assinatura de trama internacional herdada de 007, e que permaneceria nos filmes seguintes. O elenco foi igualmente generoso: além de Cruise, a lista incluía Jon Voight, Emmanuelle Béart, Kristin Scott Thomas, Jean Reno e Vanessa Redgrave. O tema da série ganhou um arranjo com pegada mais eletrônica, produzido pelos membros da banda U2 Larry Mullen e Adam Clayton.

Logo no início do filme, o agente Ethan Hunt (personagem que não existia na série) vê seu grupo de agentes cair em uma emboscada, da qual passa a ser considerado culpado. Agora ele precisa descobrir o que aconteceu e quem foi o real traidor do grupo. Para isso, ele precisará recuperar, com ajuda de um novo time de agentes, uma lista contendo os nomes e os codinomes de agentes secretos, armazenada nada menos que no prédio da CIA. A invasão a este prédio criou uma das cenas icônicas da série e do cinema de ação em geral: Tom Cruise pendurado enquanto evita fazer qualquer ruído ou tocar no chão.

O filme teve uma recepção relativamente positiva, mas ao menos duas decisões incomodaram os antigos fãs da série de TV: as decisões e o destino do personagem de Jim Phelps (aqui vivido por Jon Voight) e o excesso de atenção dedicada à figura de Ethan Hunt. Se a série tinha como grande mérito mostrar o trabalho em equipe, sem um protagonista absoluto, o filme tinha se transformado em “Ethan Hunt e seus amigos”, servindo, sobretudo, como veículo para Tom Cruise.

 

=> Missão Impossível 2 (2000)

Para o segundo filme da série, o diretor escolhido foi o chinês John Woo, cujo estilo de violência e ação hiperestilizada, típica dos filmes de artes marciais de Hong Kong, estava em alta na época. O resultado foi um filme diametralmente oposto ao primeiro. As reviravoltas do primeiro filme foram substituídas por uma trama quase simplória envolvendo a busca por um vírus mortal, a “Quimera”, que passa por Sevilha e por Sidney.

Na primeira cena de Ethan Hunt, vemos Tom Cruise escalando, sem equipamentos, uma montanha em Utah. Uma exibição meio vazia da musculatura e das capacidades físicas de Cruise, que, na verdade, passariam a estar cada vez mais presentes na série de filmes.

O antagonista da vez é Sean Ambrose, ex-agente da IMF interpretado por Dougray Scott, ajudado pelo capanga Stamp (vivido por Richard Roxburgh). A indústria farmacêutica, no papel de McCloy (Brendan Gleeson), é o espectro do mal. O par romântico de Cruise é a ladra internacional (mas obviamente de bom coração) Nyah Hall, vivida por uma jovem Thandie Newton, muito antes de Westworld. Anthony Hopkins aparece como o chefe de Cruise, em personagem não batizado.

O lado de trabalho em equipe fica ainda mais relegado a um segundo plano neste filme. Há o retorno do hacker imbatível Luther Strickwell (papel de Ving Rhames em todos os filmes da série), e a participação do piloto de helicóptero Billy Baird (John Polson). Mas o filme concentra-se em Cruise, em seu romance com Nyah, com quem forma um triângulo amoroso com Ambrose, e em cenas cheias de caras, bocas e câmeras lentas, típicas de John Woo, que parecem forçadas hoje em dia. Há muita ação, mas em cenas que têm mais estilo do que conteúdo. O resultado é o filme mais fraco da franquia.

A banda Metallica escreveu a faixa “I disappear” especialmente para o filme, algo inédito na carreira do grupo. Como curiosidade, foi devido aos atrasos nas filmagens de Missão Impossível 2  que Scott não pode viver o Wolverine no primeiro X-Men (2000), tendo de ser substituído por Hugh Jackman.  Aparentemente, ao menos para alguma coisa positiva MI:2 serviu…

 

(continua…)

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