Westworld: Ep.10 – The passenger (em ordem cronológica!)

O último episódio da segunda temporada de Westworld fez, finalmente, suas duas linhas temporais principais se fecharem. Muitos arcos da trama foram concluídos (ao menos temporariamente), alguns mistérios foram revelados e as bases gerais para o seguimento da trama no futuro foram alicerçadas.  Na primeira parte do mini especial de fim da temporada, apresentaremos aqui o resumo do último episódio, em ordem cronológica dos acontecimentos no parque, para ajudar os leitores que ainda estejam confusos:

 

AVISO !!!

ESTE TEXTO CONTÉM SPOILERS DO

DÉCIMO EPISÓDIO DA SEGUNDA TEMPORADA DE WESTWORLD

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As análises dos episódios anteriores podem ser encontradas aqui.

***

O episódio se inicia ao estabelecer uma retomada do ambiente da primeiríssima cena da temporada, na qual Dolores e Bernard conversam. Ela revela que aquela conversa é um teste de fidelidade do João Kléber de Bernard, e que, embora o anfitrião seja uma cópia quase perfeita do “homem que Dolores conheceu antes”, ainda há pequenas falhas e defeitos. Já são quase 12 mil tentativas de recriar Bernard. Esta cena será retomada ao fim do episódio (e deste resumo) e terá papel fundamental no estabelecimento da linha temporal na qual ocorre – e com a qual a própria temporada fez questão de brincar com o espectador.

Importante é perceber que essa cena tem razão de aspecto (aê!) diferente da maioria das outras cenas do episódio (com tarjas pretas acima e abaixo na tela, criando uma letterbox), marcação que já se percebeu, ao longo da temporada, significar que ela se passa dentro de uma simulação (da mesma forma que as cenas dentro do sistema do Berço, em episódios anteriores, e do sistema da Forja, neste season finale). Em outras palavras, não é uma cena no mundo real, mas dentro de um ambiente virtual.

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De volta a linha temporal que se segue ao assassinato de Robert Ford, Maeve está preste a ser desativada, com requintes de crueldade, por Roland, técnico da Delos, que faz questão de religar os sensores da anfitriã para dor antes de concluir os trabalhos. Maeve, entretanto, comanda outros anfitriões próximos, aparentemente mortos, que a salvam e matam o perverso humano. Enquanto isso, Hector, Armistice, Felix, Sylvester e Hanaryo, sumidos há vários episódios, chegam até La Mesa para resgatar Maeve. Eles encontram Lee Sizemore, encolhido em um canto, e Hector decide deixá-lo ali para morrer.

Antes que possam enfrentar a equipe de segurança da Delos e encontrar quem procuram, Hector e os outros presenciam um estouro de touros artificiais, liderado por Maeve (o que evoca referências da abertura dos episódios da temporada), que ironiza os amigos ao dizer ter decidido salvar a si própria, já que eles haviam demorado. Finalmente reunido, o grupo parte em direção ao Além do Vale, para onde também se dirige a Nação Fantasma – e, por consequência, a filha de Maeve, sob os cuidados de Akecheta.

No caminho, o grupo é perseguido por homens da segurança da Delos. Para atrasar os perseguidores e evitar que Hector tenha de se sacrificar por Maeve, Lee Sizemore ganha o tempo necessário para que o grupo escape, ao proferir um discurso – possivelmente o que escrevera para Hector, interrompido por um tiro na temporada anterior – e adotar uma postura ao mesmo tempo ameaçadora e heroica contra os seguranças da Delos, até ser por eles metralhado.

Outra equipe da Delos também se dirige à Forja, com o objetivo de combater os anfitriões rebelados e de proteger as informações sobre as cópias de identidades humanas contidas naquele imenso banco de dados. Junto a eles segue Clementine, agora programada com parte do código de Maeve, que permite a ela ordenar que os anfitriões ataquem uns aos outros.

No celeiro abandonado, abraçada ao corpo de Teddy, que se matou no episódio anterior, Dolores decide prosseguir seu caminho, não sem antes retirar a unidade de controle de seu amado, e a bala utilizada no suicídio, já amassada. Fica explícito que a bala não perfurou/danificou aquele cérebro artificial. Logo ela encontra o Homem de Preto, que continua cavucando seu antebraço, em busca de descobrir se é ou não um anfitrião. A montagem da cena é inteligente, e ainda deixa, nesse momento, a audiência em suspense sobre uma das grandes revelações esperadas no episódio final. Dolores e o Homem de Preto conversam sobre suas perdas:  Teddy de um lado e Emily – cujo corpo fora encontrado pela anfitriã mais antiga do parque – de outro. Ela menciona que precisa dele para chegar ao Além do Vale.

Ao cavalgar em direção a seu destino, Dolores e o Homem de Preto observam uma procissão liderada pela Nação Fantasma, que também se encaminha para Além do Vale. Mesmo inicialmente questionado por Wanahton sobre a existência da porta, Akecheta defende que a Nação Fantasma prossiga a jornada, defendendo que cada um da tribo já morrera inúmeras vezes, e, caso morressem mais uma vez, seria, ao menos, em nome da própria história.

O velho William questiona Dolores sobre a ideia dos índios de buscar uma saída do parque, já que ali não seria uma delas. Dolores explica que eles não querem fugir para o mundo dos humanos, e sim encontrar um lugar longe dos humanos. Quanto a ela própria, Dolores diz que seu objetivo é o mesmo do Homem de Preto:  ele queria encontrar a imortalidade, mas encontrou outra coisa, que deseja destruir.

Em outro local, após abandonar Elsie no meio do parque (no episódio anterior), Bernard conduz um veículo da Delos também em direção à Forja. O veículo dá pane, aparentemente sem combustível, o que força o anfitrião a prosseguir a pé. Ele também observa, ao longe, a procissão da Nação Fantasma. Ao se aproximar da entrada da Forja, Bernard é interpelado por homens da Delos. É quando chegam Dolores e o Homem de Preto, que matam os homens da empresa.

Enquanto Dolores não parece muito surpresa com a presença de Bernard no local, o Homem de Preto não o reconhece em um primeiro momento, e precisa da ajuda de Dolores para perceber que se trata de um anfitrião baseado em Arnold. Ela explica que foi ela, a pedido de Ford, quem “criou” Bernard, já que era a mais capaz de replicar os detalhes dos gestos e da personalidade de Arnold. A criação teria ficado perfeita demais, o que resultou na decisão de alterar alguns detalhes para dar a Bernard uma personalidade um pouco diferente do humano no qual fora baseado.

O Homem de Preto não parece interessado em maiores detalhes, e atira várias vezes em Dolores. No entanto, ela toma vários tiros sem que fique incapacitada, e relembra ao velho William que os anfitriões foram projetados para sobreviver, já que os humanos desejavam colocar suas mentes nos corpos artificiais. Ela pondera que a espécie humana deseja a morte, precisa dela: só assim podem avançar e se renovar. O Homem de Preto ainda tenta mais um tiro, desta vez na cabeça de Dolores. Entretanto, a bala amassada usada por Teddy, colocada anterioemente na arma por Dolores, causa um tiro pela culatra que fere brutalmente a mão do atirador. Ela afirma que, embora o Homem de Preto queira se destruir, ela não dará ainda a ele essa paz.

Bernard e Dolores adentram a Forja. Há anfitriões-drones controlando o local. Bernard se questiona se aquela é a terra prometida que Ford disse para os anfitriões buscarem, e Dolores esclarece que ali há uma porta para essa terra, mas que não se interessa por ela. Seu objetivo é a destruição da humanidade. Após colocar a unidade de controle de Abernathy no console, Dolores convida Bernard a entrar no sistema da Forja. Utilizando uma tecnologia de simulação, os dois passam para o interior do sistema (e a mudança de razão de aspecto indica o ambiente virtual).

Ele se encontram em uma representação do mesmo quarto onde James Delos estava preso durante seu processo de teste, após se tornar um híbrido. Dali, seguem para uma representação de Sweetwater, onde encontram James Delos no Mariposa, conversando com Clementine. Aquelas são as memórias da primeira visita do fundador da empresa ao parque. Em outra cena, Delos demonstra uma enorme perversão, ao fazer os anfitriões ajoelharem e atirar em um por um deles. Bernard teoriza que aquela deveria ser uma das tentativas do sistema de replicar Delos. Pequenas mudanças na programação causavam grandes mudanças de comportamento – e pondera que a maioria dos estados mentais pode ser considerada loucura. Dolores diz que o que procuram deve estar em um nível mais abaixo, no próprio sistema.

Em uma memória de James Delos que se passa em sua casa, o sistema da Forja escolhe um avatar com a aparência de Logan para interagir com os Dolores e Bernard. Ele explica ter sido criado a partir das memórias de James Delos sobre seu filho (uma vez que o próprio Logan não teria sido copiado pelo parque, já que nunca voltara ao parque depois de William assumir o controle).

O sistema-Logan prossegue a explicação, afirmando que fora criado para copiar todos os visitantes, a começar com o próprio Delos. Ele relembra que gerou 18 milhões de versões de James Delos para tentar chegar a uma que fizesse exatamente as mesmas escolhas do humano-fonte. Entretanto, as cópias fieis falhavam quando eram moldadas em carne. A cena continua, e a audiência pode ver várias versões passadas de James Delos sendo testadas.  Prosseguindo suas análises, o sistema chegou à conclusão de que os humanos simplesmente não possuíam uma razão para sua tomada de decisões.

A partir daí o sistema-Logan conduz os visitantes a mais uma fração da memória de James Delos. Desta vez, eles presenciam a última conversa entre Delos e o filho Logan. O filho pede ajuda ao pai, que lhe nega, apontando para o fato de Logan não consegue se livrar das drogas. Expulso da casa do pai mesmo após suplicar por apoio, Logan morreria de overdose meses depois da conversa.  O sistema-Logan explica que, mesmo sendo oferecidos diferentes caminhos a James Delos, ele sempre terminava a jornada na mesma cena. Isso levou o sistema à conclusão de que os humanos só vivem pelos seus princípios, sendo incapazes de mudar mesmo frente a contextos diferentes.

Esse insight sobre o comportamento humano levou o sistema a entender que as cópias humanas não funcionavam por serem complicadas demais. Os algoritmos para representar os humanos na verdade seriam curtos e simples, com 10.247 linhas, armazenáveis em livros virtuais não muito extensos, e acumulados em uma imensa biblioteca na Forja. Uma vez compreendido, o comportamento humano seria previsível. A partir daí o sistema foi capaz de recriar cada visitante do parque, sendo que a maioria era pacato. Mas havia as exceções, os “irremediáveis”, que não conseguiam controlar suas ações. Nesse momento, o episódio confirma a existência de pelo menos uma versão virtual de William, o Homem de Preto, em teste para ser replicada como híbrido.

O sistema-Logan informa então que recebeu ordens do próprio Bernard para que fosse oferecido a Dolores tudo o que fosse necessário. O grupo visita, então, a biblioteca de cópias dos visitantes humanos, local onde Dolores começa a ler vários dos livros. O sistema-Logan relembra que Bernard já estivera várias vezes ali, e instruíra que o conhecimento fosse oferecido plenamente aos anfitriões, de modo a permitir que eles entendessem os humanos, o “inimigo”, uma vez que eles não teriam chance no mundo exterior ao parque sem esse apoio. A partir daquele momento, caberia a Bernard decidir o destino dos anfitriões: ficar naquele mundo ou construir um novo, apenas para eles: um paraíso virtual intocado pelos humanos. A porta para o novo mundo dos anfitriões, visível apenas para eles é aberta. Seus corpos serão deixados para trás, no mundo real, enquanto as mentes viverão no mundo virtual da Forja.

Dolores não se conforma com esse destino para os anfitriões, e afirma que se trata de mais uma promessa falsa. Ela abandona o ambiente de simulação da Forja, e inicia o apagamento de todas as cópias de visitantes ali armazenadas pela Delos. Além disso, ela abre as válvulas do sistema de refrigeração da Forja, o que provocará a inundação do local. Bernard pondera, entretanto, que se ela destruir a Forja também destruirá o novo mundo dos anfitriões. Ela discorda de que o mundo virtual seja sinônimo de liberdade, na verdade representando mais uma gaiola dourada, e que acredita que o nenhum mundo criado se compara ao real, porque “tudo o que é real é insubstituível”. Cansada de “brincar de cowboys e índios”, ela deseja o mundo dos humanos, que foi negado aos anfitriões.

Bernard confronta Dolores, e diz que não a deixará machucar mais pessoas. Ela o acusa de continuar tentando jogar dos dois lados, e acredita que os humanos sempre verão os mutantes os anfitriões como uma ameaça. Bernard não concede o voto de confiança pedido por Dolores, e atira nela. Bernard cancela o apagamento das cópias humanas armazenadas na Forja, mas, devido aos estragos feitos por Dolores no painel de controle, fica incerto se ele foi bem-sucedido. Bernard sai da Forja, e se depara com os homens da Delos garantido que todos os corpos de anfitriões estão realmente mortos.

O que acontecera, do lado de fora da Forja, enquanto Bernard resolvia suas diferenças com Dolores, foi que os anfitriões que compunham a procissão da Nação Fantasma lentamente começaram a atravessar a porta para o novo mundo, Maeve procurou por sua filha em companhia de Hector. Antes que a pudesse encontrar, o grupo da Delos, com Clementine à frente, e Elsie junto a Charlotte Hale, chegou ao local. Todas as tramas da temporada finalmente estavam concentradas no mesmo lugar.

Clementine avançou entre os anfitriões e deu o comando para que começassem a combater uns aos outros. Ao perceber o que ocorria, Armistice atirou em Clementine, que caiu de seu cavalo, aparentemente morta. Apesar disso, o conflito entre os anfitriões continuou. Hector, Armistice, e Hanaryo foram alcançados pela horda descontrolada, enquanto Maeve seguia em busca de sua filha. Quando finalmente a encontrou, junto com a “nova mãe” anfitriã, Maeve usou seus poderes para controlar os anfitriões enlouquecidos, não sem antes trocar um significativo olhar com Akecheta.  Enquanto observava sua filha adentrar o novo mundo, Maeve foi baleada pelos homens da Delos. Também baleado, Akecheta conseguiu, por muito pouco, se salvar, ao atravessar a porta para o Éden dos anfitriões, onde finalmente reencontrou sua amada Kohana.

Bernard encontra Elsie e pede ajuda ara salvar alguns anfitriões. Charlotte Hale percebe que o Vale será inundado e instrui a todos a voltar para La Mesa. Fica definitivamente explicado, portanto, de onde se originaram das dezenas (ou centenas) de corpos de anfitriões encontrados no final do primeiro episódio desta temporada, bem como a razão das unidades de controle estarem vazias (já que as “mentes” que a ocupavam foram enviadas para o paraíso virtual).

Quando chegam a La Mesa, Bernard e Elsie discutem. Ele se incomoda por ela ter ajudado Hale, e ela se justifica dizendo que os anfitriões estavam fora de controle. O destino do próprio Bernard ainda precisaria ser decidido pela Delos, uma vez que Ford poderia ter nele instalado códigos malignos e manter algum nível de controle. Sem confiança em Bernard, Elsie congela as funções motoras do anfitrião e vai ao encontro de Charlotte Hale.

Hale comenta que a equipe de recuperação da Delos – aquela liderada por Karl Strand – chegará dali a 12 horas, o que marca o encadeamento das duas principais linhas temporais mostradas na série. Elsie ameaça revelar o projeto secreto da Delos (de cópia da mente dos visitantes do parque), enquanto Hale tenta mostrar suas potencialidades comerciais. Elsie blefa, fingindo querer vantagens pessoais em troca do silêncio, mas, por conhecer o perfil da engenheira, Hale identifica a jogada e a mata impiedosamente, para desespero de Bernard, que acompanha a cena ao longe.

Liberto do congelamento motor após a morte de Elsie (ou será que ele jamais esteve de fato congelado, dado ao fato de já ter atingido a consciência?), Bernard tenta reinstalar a presença Robert Ford em seu sistema, sem sucesso.  Invocando seu mentor, o anfitrião reflete que os anfitriões foram algoritmos projetados para sobreviver a qualquer custo, e que são complexos o suficiente para acreditar que tomam decisões. Eles acham que estão em controle, mas são apenas passageiros, termo que batiza o episódio. Bernard prossegue sua reflexão, ao questionar se de fato existe algum tipo de livre arbítrio ou se isso seria apenas um delírio coletivo.

Compelido a decidir se quer salvar sua espécie, o último anfitrião vivo indaga se Ford irá ajudá-lo. Ambos seguem para um laboratório, onde Bernard cria, nas palavras de Ford, um “epílogo”: um último anfitrião, no qual é inserida a unidade de controle de Dolores, retirada por Bernard após nela atirar.  A nova anfitriã é ninguém menos que uma cópia de Charlotte Hale, com a mente de Dolores, que não tarda a assassinar a representante da Delos.Bernard e Ford têm uma última conversa. Em princípio, o anfitrião afirma que fez apenas aquilo que Ford pediu. Entretanto, ele mesmo percebe que esse Ford com quem vinha conversando desde a morte de Elsie era apenas uma manifestação da sua própria consciência. Bernad havia, de fato, conseguido apagar em definitivo o código de Ford de sua mente e, desde então, todas as interações com o criador do parque eram apenas fruto de sua imaginação. A voz que imaginava ser do amigo era a dele próprio, Bernard, a guiar suas decisões.

O “Ford” da cena alerta Bernard de que, embora valiosas, suas memórias iam acabar traindo o anfitrião. Para evitar que a Delos vasculhe sua mente e use as informações, Bernard decide apagar mesmo o Ford imaginário de sua mente, e “redirecionar” suas memórias, para confundir uma eventual varredura por parte da empresa. Em sua despedida, “Ford” comenta que as ações do homem são sempre guiadas pela linha impossível do horizonte – um lugar onde Bernard e ele poderão se reencontrar. Bernard se deita na praia, o que une a narrativa à primeira cena em que o vimos na temporada, encontrado pela equipe de Karl Strand.

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Na linha temporal mais próxima da que a temporada começou, Bernard acorda com Karl Strand e Acosta comentando que retornarão ao Além do Vale, e que só precisam de Bernard vivo até acharem a unidade de controle de Abernathy, que funciona como chave de acesso ao banco de dados da Fornalha. O mar que se formara, descoberto no final do primeiro episódio, já havia sido suficientemente drenado, dando acesso novamente ao local do banco de dados. Informado sobre aa presença de humanos a sudoeste dali, Strand deixa claro que não está interessado nos visitantes – afirmação que gera revolta em Stubbs.

Ao chegar à Forja, Strand ordena que os satélites sejam reposicionados, para que os dados a serem ali encontrados possam ser transmitidos para a Delos. Já dentro do complexo, ele comenta que cerca de quatro milhões de visitantes humanos já foram copiados e estão armazenado ali. Em seguida, a equipe da Delos encontra o corpo de Dolores, baleado e morto, o que faz com que deduzam que foi ela quem inundou o Vale. Bernard é pressionado a explicar as ações de Dolores e a revelar a localização da unidade de controle de Abernathy. Ele responde que não pode ajudá-los.

Hale tem certeza de que Bernard não teria destruído a unidade de controle de Abernathy, e deduz que ele a deixou no corpo morto de Dolores. Uma vez de posse da chave de encriptação, Costa acessa o sistema da Forja, e inicia a transferência dos dados para a Delos. Neste momento, Bernard parece ter um momento de catarse, e começa a se desculpar seguidamente, sem explicar o porquê. Questionado por Karl Strand, Bernard revela que teve de fazer uma escolha, mas que, sabendo que seria descoberto, ele embaralhou as próprias memórias.

Costa interrompe, e afirma que, embora haja satélites prontos para a transferência do arquivo da Forja, a carga de dados é pesada demais. O que está pronto para ser enviado, na verdade, não são os dados dos visitantes, e sim dos anfitriões que adentraram o paraíso virtual. Bernard revela que sua escolha irreversível foi a de criar alguém, “trazê-la de volta”. Neste momento, a Hale-Dolores se revela e mata Strand, Costa, e outros homens da Delos. Ela diz ter mudado de ideia em relação aos anfitriões que entraram no paraíso virtual, reposiciona os satélites e envia esse novo mundo “para um lugar onde não serão achados”, sem possibilidade de retorno. Na transferência, ela inclui entre os enviados uma última mente: seu amado Teddy, que encontra seu destino junto dos outros anfitriões salvos.

Quanto a Bernard, Dolores afirma que ela, Ford e uma parte do próprio Bernard já haviam compreendido que os anfitriões jamais conseguiriam sair do parque. Dito isso, ela mata Bernard.

Na praia, as equipes da Delos, após retomarem o controle da ilha e evacuam os humanos presentes no parque no momento da revolução dos anfitriões. Aproveitando-se de sua nova aparência, a de Charlotte Hale, Dolores encaminha-se para a área de evacuação. Em meio aos cadáveres, temos Emily entre os humanos e Armistice, Hector e Maeve entre os anfitriões. Felix e Sylvester são incumbidos de identificar os anfitriões que ainda podem ser consertados.

Ela é interpelada por Stubbs, que estranha o fato de que ela não permanecerá na ilha para revisar a recuperação dos dados, Em um diálogo bastante sugestivo, Stubbs questiona a quem deve ser fiel após ser revelado o projeto secreto da Delos, e relembra que foi contratado pelo próprio Ford, anos atrás, para ser responsável por todos os anfitriões dentro do parque.  Ela libera a saída de Hale da ilha, que leva com ela cinco unidades de controle de anfitriões dentro da bolsa. Ambos são avisados de que um sobrevivente, em mal estado, foi encontrado: trata-se  de ninguém menos que William, o dono da Delos.

Após sair da ilha, Dolores vai até a casa de Arnold, onde Ford deixara a infraestrutura necessária para que novos anfitriões fossem criados. Ali, Dolores recria seu antigo corpo e, a partir das próprias memórias, recria também Bernard, a quem começa a preparar, em simulações, para retornar ao mundo real. E é aqui retomada a cena mencionada no segundo parágrafo deste resumo. As cenas ao longo da temporada em que Dolores e Bernard conversam, mostradas em razão de aspecto de widescreen, são parte das tais simulações feitas pela anfitriã, e se passam após todos os fatos ocorridos após a rebelião dos anfitriões.

Ela decidiu recriar Bernard após adquirir o conhecimento de parte da biblioteca da Forja. Dolores avalia que as chances dos anfitriões fora do parque são baixas, e muitos caminhos podem levar à sua extinção. Mesmo sabendo que Bernard se opõe a seus planos, a anfitriã percebe que ambos precisam estar juntos, ainda que como adversários. Ela prevê que o conflito entre ambos acabará fazendo com que os dois morram, mas, no final, a espécie dos anfitriões sobreviverá.

Dolores e a anfitriã copiada de Hale – em cujo corpo não fica revelado qual unidade de controle passa a controlar – deixam Bernard para trás. Ele percebe onde está, revê uma foto de Arnold e   seu filho – parte fundamental de sua personalidade e motivações – e, ao som de “Codex”, da banda Radiohead – deixa a casa em direção ao mundo real, não sem antes esboçar um primeiro minúsculo sorriso na nova vida.

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Assim como acontecera no último episódio da primeira temporada, há uma cena pós-créditos neste season finale. Durante o curso normal do episódio, é mostrado que, aparentemente em meio ao caos da batalha entre anfitriões e destes com a Delos, o Homem de Preto despertou, muito ferido, e entrou na Forja. Ele pega o elevador para a base subterrânea, mas, estranhamente, não se encontra com Bernard, que se dirigia, no mesmo momento, para o mesmo elevador.

Na cena pós-créditos, o elevador do Homem de Preto finalmente chega ao que seria o centro de controle da Forja. Em vez de um ambiente inundado e do cadáver de Dolores – morta no local por Bernard -, o velho William encontra uma base aparentemente abandonada há algum tempo, e uma anfitriã com a aparência de Emily, sua filha. Ela o informa de que o sistema de simulação já fora “há muito tempo”. Aquele era o mundo real de William, “ou o que sobrou dele”.

Levado até um quarto igual ao que James Delos habitava após a migração de sua mente para um corpo artificial  (apresentado no quarto episódio da temporada), William identifica que ainda está no parque do qual é dono, mas não consegue precisar há quanto tempo está ali. Indagado pela anfitriemily sobre o que procurava provar, William responde que desejava mostrar que nenhum sistema poderia definir quem ele era, que ele terá uma escolha.

Emily pondera que, apesar desse esforços, eles voltaram ao mesmo lugar, de novo e de novo – dando a entender as tentativas do velho William sempre fracassam e o levam ao mesmo ponto. Ela inicia, então, uma entrevista para verificar a fidelidade de William – confirmando que, naquele ponto do tempo, ele é um híbrido entre humano e anfitrião.

 

Em breve, a crítica do último episódio e da segunda temporada, aqui no Razão!

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