Westworld: Ep.2.7 – Les Écorchés (resumo e crítica)

AVISO !!!

ESTE TEXTO CONTÉM SPOILERS DO 

SÉTIMO EPISÓDIO DA SEGUNDA TEMPORADA DE WESTWORLD

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As análises dos episódios anteriores podem ser encontradas aqui.

Assim como ocorrera na primeira temporada, o sétimo episódio trouxe muitas revelações e confirmações de teorias. Vários núcleos que vinham desenvolvendo suas tramas em paralelo se cruzaram no episódio com mais ação neste ano. Mesmo ao responder diversas perguntas do público, Les Écorchés ainda deixou pelo menos cinco grandes questões a serem respondidas até o final da temporada, que já se aproxima. O episódio teve uma estrutura narrativa clássica e elegante.  Inicia-se com uma frame story – no caso, a linha temporal do presente –, tem um longo flashback e retorna ao tempo original em seu encerramento.

No presente (ou seja, aproximadamente duas semanas após Ford ser assassinado por Dolores), Bernard desperta segurando uma foto de Arnold com o filho Charlie. Ele é procurado por Stubbs, que suspeita que a Delos não está ali para resgatá-los, mas para mata-los, como queima de arquivo por saberem demais sobre a situação no parque. Ele sugere que usem o satélite de comunicação anteriormente utilizado por Theresa Cullen para chamar por ajuda.

Antes que possam fazer qualquer coisa, Karl Strand os leva para o laboratório secreto no qual Theresa foi morta por Bernard, a comando de Ford.  Strand afirma que eles possuem uma chave, e os acusa de terem matado Theresa. Ele desconfia mais de Stubbs do que de Bernard, mas os espectadores sabem a verdade Bernard tem flashes de memória sobre o assassinato de Theresa. No laboratório, Charlotte Hale reforça que o projeto da Delos é fundamental para a humanidade, e a equipe da Delos descobre um cofre repleto de modelos de anfitriões com a aparência de Arnold-Bernard. Finalmente fica claro para todos que Bernard é um anfitrião, que passa a ser torturado para revelar o paradeiro de Abernathy. Hale afirma que será preciso separar e organizar os fatos na memória de Bernard, e daí voltamos à linha temporal de duas (agora já mais para uma) semanas antes, que perdurará até perto do fim do episódio.

No Berço, onde testemunhamos, ao final do episódio anterior, o reencontro de Bernard e Ford, as narrativas tradicionais de Maeve e Clementine continuam normalmente.  Ford recebe o amigo enquanto recita trecho de “Os augúrios da inocência”, de William Blake, um poema que apresenta uma série de imagens aparentemente paradoxais sobre a a vida e a morte, sobre inocência, o mal e a fé. Bernard é um inocente nas mãos de Ford.  O criador de Westworld pondera que Deus não deve ter descansado no sétimo dia, e sim contemplado sua criação, sabendo que, um dia, ela seria destruída. É a primeira de muitas comparações feitas por Ford entre ele próprio e a figura divina. Estimulado por perguntas de Ford, Bernard se lembra que a unidade de cópia que ele imprimira no laboratório número 12 era do próprio Ford. Além disso, Bernard conclui que os parques da Delos são grandes laboratórios de experimentos – não com os anfitriões, mas com os visitantes. As narrativas do parque mudam muito pouco ao longo dos anos porque servem como condições constantes de um laboratório em que os visitantes são as variáveis, e os anfitriões os controles do experimento. Tudo isso para que a Delos possa estudar, entender e copiar os visitantes. O Westworld e os outros parques não serviriam primordialmente para melhor codificar anfitriões nem para entreter visitantes, mas para decodificar estes últimos em informações reaproveitáveis para a Delos.

A tecnologia de transmissão de uma consciência humana para um corpo artificial, entretanto, ainda não foi atingida – razão pela qual o próprio Ford só sobrevive de forma funcional dentro do Berço (ou de outro anfitrião, como veremos).  A Delos já teria avançado a ponto de copiar mentes, mas não de reinstalá-las.  O projeto de imortalidade, portanto, ainda não estava  pronto. Ainda segundo Ford, Dolores e os outros anfitriões estariam livres, e teriam arbítrio próprio.  Em mais uma alusão a Deus, Bernard o acusa de ser responsável por todo o sofrimento de suas criaturas, mesmo que as tenha libertado agora.

Dali, Ford leva Bernard a uma casa que o anfitrião parece conhecer: trata-se da casa de Arnold, onde muitos dos projetos dos parques foram criados – e, também, onde Dolores o treinou, após a morte do cocriador do Parque, para reagir de forma fiel ao Arnold original. São desta época as várias cenas que vimos em flashback na qual Dolores e Bernard interagem no passado: por conhecer Arnold melhor do que ninguém,coube a ela, a mando de Ford, “treinar” Bernard, “refiná-lo com os anos”, nas palavras do personagem de Anthony Hopkins. Esse treinamento teria durado muito tempo.

Quanto ao projeto da Delos, Ford afirma que, enquanto a empresa quer fidelidade dos anfitriões aos humanos originais, os seres criados não são cópias fieis dos humanos: são diferentes, mais nobres e justos – o que não deixa de ser uma visão bastante romantizada do criador por suas criaturas. Ford acrescenta que, a menos que ele “abra a porta”, o mundo dos anfitriões vai ser mergulhado em escuridão.  Para isso, Bernard parece ser a ferramenta fundamental de Ford. Ele parece desligar a consciência de Bernard, e, quando este volta a si, já se encontra de volta ao mundo real. Elsie o informa que o sistema voltou a funcionar, e ambos percebem que o ataque a La Mesa continua e se intensifica.

Enquanto isso, em outro lugar de Westworld, Maeve continua sua fuga da Nação Fantasma, e se refugia em um casebre. Em uma sequência de cenas que ecoa suas memórias de narrativas anteriores, o Homem de Preto chega à mesma localidade. Ele parece surpreso com a presença de Maeve ali, e se incomoda por acreditar que Ford teria planejado o encontro – algo que ele acha um “truque muito óbvio”. Ao contrário do que aconteceu no passado entre os dois, entretanto, desta vez Maeve não está indefesa, e consegue balear o velho William. Ela controla os anfitriões dos primos de Lawrence para que também atirem no Homem de Preto. Quando Maeve está prestes a mata-lo, chega Lawrence, em princípio para salvar seu parceiro de jornada. Maeve tenta, mas não consegue controlar Lawrence, o que indica que ele também é um anfitrião desperto. Mesmo assim, ao apelar para que Lawrence acesse suas memórias, ela o convence a atirar no Homem de Preto.  Neste momento, a equipe da Delos convocada por Lawrence no episódio anterior chega à cena. A Nação Fantasma captura a anfitriã “filha” de Maeve, enquanto esta é baleada pelos homens da empresa. Lee impede que Maeve seja morta, ao afirmar ser ela uma anfitriã diferentes, da qual a empresa precisa. Ao final da cena, o Homem de Preto, baleado várias vezes, surpreendentemente aparece ainda vivo e escondido.

Naquele momento, La Mesa está sendo atacada pelo grupo de Dolores, após a colisão/ explosão do trem que vimos no episódio anterior. A equipe de segurança da Delos parte para fazer frente ao invasores. Logo descobre-se que parte desses homens foi morta pelos anfitriões, que roubaram seus uniformes. Em paralelo, Hale está pronta para fazer qualquer coisa para obter as informações gravadas na unidade de controle de Abernathy. Pressionada por Stubbs sobre o porquê da importância daquele anfitrião (e ecoando as palavras de Karl Strand), Hale revela que Abernathy possui em sua memória uma chave de decriptação em caso de catástrofe. É quando Dolores e Teddy chegam. Parte dos outros anfitriões invasores dirige-se para o Berço.

O encontro de Dolores e Hale é tenso: enquanto a representante da Delos elogia o avanço tecnológico representado por Dolores e sua consciência, e comenta sobre o interesse da empresa em celebrar esse sucesso, a anfitriã mais antiga do parque indaga sobre a forma de se extrair do “cérebro” de seu pai, Abernathy, a “chave para guardar o tesouro” dos humanos.  Sob pressão e ameaça por parte de Dolores, Hale afirma que a única maneira é retirar a unidade de controle (o “cérebro”) do anfitrião.  Confrontada pela representante da Delos, Dolores afirma saber exatamente o que fazer com a chave.  Ironiza ao dizer que os humanos criaram os anfitriões à sua imagem, mas que agora os humanos é que querem ser como eles, imortais. Mas essa chance de eternidade vai morrer “no Vale, junto com as pessoas que vocês reuniram lá”. Conclui esclarecendo que os backups não são vantagens para os anfitriões, e sim prisões, onde os humanos podem manipular o destino. Fica claro que Dolores não presente recuperar as informações do Berço, e sim destruí-lo. Quando Dolores está prestes a arrancar o cérebro de Hale, como compensação pelo que terá que fazer com o “pai”, Abernathy recupera parte da sua consciência e tem um diálogo afetivo com a filha. Mesmo com as declarações de afeto, ambos sabem o que é necessário fazer, e Dolores arranca o cérebro de Abernathy. Stubbs e Hale aproveita para fugir.

No confronto entre a equipe de segurança da Delos e os anfitriões sobre as ordens de Dolores, vimos um Teddy impiedoso, que mata sem hesitar diversos humanos e espanca  McCoghlin até a morte. McClementine e Angela também expressam toda sua fúria. Ambas são baleadas….  Clementine, de forma aparentemente fatal, enquanto Angela segue para o Berço. Lá, ela seduz um dos seguranças da Delos, em um diálogo sobre sua criação como mulher idealizada pelos homens, e usa um explosivo do próprio humano para destruir o Berço.

A equipe da Delos que fora resgatar Lee retorna com ele e Maeve para La Mesa. Prestes a sair de lá, já de posse da peça que fora buscar, Dolores encontra Maeve em uma maca, muito ferida. Em um diálogo sobre vínculos afetivos, Maeve defende sua busca pela “filha”, e, embora Dolores afirme que “famílias são apenas cordas criadas pelos humanos para amarrar os anfitriões”, Maeve a faz refletir sobre os sentimentos que possui para com Teddy. Dolores oferece a morte para Maeve, dizendo que ela será torturada pelos humanos, e dela extrairão tudo de bom para usar contra os anfitriões. Maeve insiste na promessa que fizera a filha, ao que Dolores responde que ela deve escolher o próprio caminho, deixando-a ali. Escondido, Lee Sizemore parece ser a única esperança da Maeve.

De volta ao tumulto no interior de La Mesa, descobrimos que Ford agora vive na mente de Bernard e consegue influenciar suas ações. A primeira providência do criador do parque é fazer Bernard se livras de Elsie, o que ele consegue solicitando que ela ache um carro para que ambos se dirijam ao “Vale Além”, onde se localizaria o fim da narrativa de Ford. Depois disso, o criador do parque, apesar dos protestos do anfitrião, o controla para que mate seguranças da Delos que o interpelaram.

Ao defender que o incêndio na Biblioteca de Alexandria não destruiu incontáveis anos de história – e sim os perpetuaram como uma nova narrativa, a do próprio incêndio, Ford conduz Bernard até a sala de controle, onde este testemunha o violento conflito entre humanos da Delos e anfitriões – cena da qual os espectadores já haviam visto trechos em memórias confusas apresentadas em outros episódios. Confuso sobre o que deve fazer, Bernard indaga Ford, que responde que aquela não é mais a história dele, e sim yours (e mantenho em inglês pela ambiguidade que o termo causa). Bernard decide ativar um “protocolo de encerramento”.

Neste ponto, o episódio retorna à linha do tempo presente.  Após flashes de vários pontos da histórias de Arnold/ Bernard, este acorda do interrogatório feito por Charlotte Hale. Segundo Costa, técnico da Delos, o sistema de Bernard está sobre ataque, e parece tentar depurar a própria cabeça. Pressionado e instruído por Hale, Bernard conta a localização de Abernathy, frente ao quê Karl Strand afirma que eles terão de voltar ao Vale Além.

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O sétimo episódio de Westworld pouco ofereceu tempo para reflexões profundas:  foi o momento de amarrar histórias paralelas, fazer revelações e deixar as armas engatilhadas para a reta final da temporada. Talvez por essa característica de episódio explicativo, houve vários momentos no episódio com diálogos didáticos, um pouco artificiais, para fazer uma espécie de revisão e resumo da história para os espectadores ainda confusos. Se, do ponto de vista da audiência, isso pode ser bem-vindo, do ponto de vista estritamente narrativo o roteiro perde um pouco de qualidade.

Uma das coisas que mais chamou a atenção no episódio é a quantidade de tiros recebidos pelo Homem de Preto sem que ele morra. Essa resistência pode reforçar uma hipótese que se fortalece a cada dia: a de que o velho William seria um anfitrião ou um híbrido. A sua presença e sua obsessão pelo jogo no parque seriam ferramentas encontradas para que a descoberta sobre sua nova natureza não cause a pane já identificadas na tentativa de transferir a mente de James Delos para um corpo artificial.  Nesta própria segunda temporada, Ford diz ao Homem de Preto que a narrativa agora é para ele. Ao mesmo tempo, Ford disse a Bernard neste episódio que a narrativa agora é dos anfitriões. Junto às incoerências demonstradas nas memórias do diálogo com a filha, monta-se um quadro para que o Homem de Preto não seja um mero empresário poderoso caminhando pelo parque. Por falar em Emily/Grace, ela não apareceu neste episódio, mas é bem provável que voltemos a encontrá-la na próxima vez que ouvirmos falar do Homem de Preto.

Outros personagens que não tiveram tempo de tela foram Hector, Félix e Silvester – todos eles pertencentes ao núcleo narrativo de Maeve. Pelo que aconteceu episódio anterior, é bastante possível que eles tenham sido capturados pela Nação Fantasma, ou estejam foragidos, se escondendo ou perseguindo os índios.

Ao que tudo indica, o clímax da temporada se dará no Vale Além. É para lá que Dolores se dirige na linha do tempo do passado recente, e também para lá que irão Hale, Karl Strand e Bernard na linha do presente. No paralelismo dos acontecimentos de linhas temporais diferentes, tão típico em Westworld, o público deve ver desvelados os segredos da temporada, e, talvez, ser apresentados às bases que lançarão as tramas da temporada seguinte, já confirmada há tempos.

Resta saber se Bernard deu a Hale e a Karl Strand a localização correta do local onde está o cérebro de Abernathy. Pela forma como a cena é filmada, a impressão é a de que o que ele disse para Hale não foi exatamente o mesmo dito a Karl Strand – o que remete à teoria de que Hale não é exatamente fiel à Delos. Deve-se lembrar, igualmente, que, salvo melhor juízo, Ford está compartilhando o cérebro com Bernard – o que pode fazer de tudo isso uma armadilha para os representantes da empresa.

Mantendo suas referências constantes à religião, Westworld apresentou esta semana diversas alusões entre a figura de Deus e a de Ford – não apenas como criador, mas como responsável pela oferta não exatamente total do livre arbítrio e pelo sofrimento gerado por essa decisão. Em uma interpretação temática e imagética mais ousada, pode-se falar do sacrifício do homem preso (Abernathy preso à cadeira, como Jesus na cruz) em prol da possibilidade de liberdade e redenção dos anfitriões (por meio da “chave em seu cérebro”, ou o pensamento cristão). Um novo testamento/nova narrativa onde não temos mais um deus punitivo e controlador de antes, mas um deus que deixa a responsabilidade e as consequências das decisões para suas criaturas.

Vê-se também o conflito de dois conceitos de imortalidade: a imortalidade do corpo, buscada pela Delos, e a imortalidade da obra, defendida ferrenhamente por Ford, desde a temporada passada – ao fazer a comparação com as composições de Beethoven, por exemplo (que, não por acaso, aparece na trilha sonora deste episódio, na poética e violenta cena do confronto na sala de controle, com o Alegretto do segundo movimento da Sétima Sinfonia do compositor). Por meio de sua obra, um criador torna-se eterno: enquanto alguém se lembrar dele, ele não terá morrido, como  o cacique da  Nação Fantasma disse a Stubbs há alguns episódios.

Há ainda mais imagens bíblicas prontas para serem usadas: os anfitriões seguem para o Vale Além, como que em busca de uma Terra Prometida. Na Bíblia, Moisés abriu o mar para que seu povo pudesse seguir jornada. Em Westworld, entretanto, aparentemente o mar se fechará sobre os anfitriões – mais como um dilúvio purgador do que como um portal para a redenção.

 Ao pé da letra, “Les Écorchés”, termo que batiza o episódio, significa “os esfolados”. Seguindo esta significado literal, tivemos um episódio em que todos os lados da batalha tiveram seus mortos e feridos: os seguranças da Delos; vários anfitriões – em particular Clementine, Angela e Abernathy; e o Homem de Preto, bastante ferido. Foi um episódio bastante sangrento. Entretanto, este não é o único significado possível.

“Les Écorchés” é, também, o termo usado em francês para um tipo de pintura de uma figura humana na qual a pele não está presente, de forma a revelar a musculatura. Esse tipo de desenho foi muito comum na Renascença, e tem como função propiciar um estudo para outros desenhos e/ou para o estudo da anatomia humana para fins médicos – em um período em que a dissecção dos corpos não era exatamente bem vista. A série já usou essa imagética tanto na utilização do homem (e da mulher) vitruviano de Leonardo da Vinci, em sua abertura, quanto no visual dos drone hosts. 

E é esse o sentido mais interessante para conduzir o enfoque ao episódio. As peles superficiais vão sendo deixadas de lado, e vai-se conhecendo mais sobre a essência dos personagens: Bernard perde a fachada de humano que ainda mantinha perante a Delos;  o esconderijo de Ford desde o final da temporada anterior é revelado e explicado; Lawrence deixa a pele de anfitrião comum para trás e revela-se agora consciente; o projeto secreto da Delos é verbalizado explicitamente pela primeira vez.  O episódio foi descascando (esfolando?!) as peles que cobriam seus segredos.

Mas ainda há muito a se descobrir. Há pelo menos cinco grandes mistérios, talvez intercalados, que provavelmente serão tratados até o final da temporada:  a) como Bernard foi parar na praia, onde despertou no primeiro episódio?;   b) o que é e o que há no Vale Além? ;  c) como Bernard matou afogados todos os anfitriões?;  d) será o Homem de Preto um anfitrião ou um híbrido (ou, caso contrário, como ele consegue sobreviver a tantos tiros?; e) qual o papel da Nação Fantasma na trama?

Ao menos esta última pergunta deve começar a ser respondida no próximo episódio, que deve se focar totalmente nas origens da tribo.

***

Uma reflexão importante sobre a série exige que se deixe de lado o olhar apaixonado de fã.  Westworld é uma série cuja genialidade está nas excelentes ideias de roteiro, em especial no que diz respeito à montagem temporal da história, com idas e vindas que, em algum momento, adquirem uma coerência após subtramas aparentemente desconexas.

Por detrás dessa aparência espetacular, que prende os espectadores, temos um temporada sujeita a certas reflexões críticas. Ademais dos diálogos explicativos deste episódio, já mencionados, algumas soluções ao longo dos episódios, como o encontro de um celular por Lee no meio do nada e a sedução fácil de um soldado treinado por Angela, soam convenientes e facilitadas demais. Se, por um lado, a confusão mental de Bernard serve para oferecer um personagem complexo e um show constante de Jeffrey Wright, por outro torna-se uma saída fácil para os criadores fazê-lo lembrar de informações apenas quando interessa ao roteiro. Não é por isso que a série deixa de ter grande qualidade, mas é preciso écorché também a aparência magnânima de Westworld e quebrar os pés de barro de uma série que parece totalmente dourada. Há pecados no paraíso.

Por fim, vale uma lembrança… Com seus conflitos entre humanos e seres artificiais, com as identidades e alianças de seus personagens sempre sob suspeita  e com suas metáforas religiosas… não seria Westworld perigosamente parecida com Battlestar Galactica?

 

por D.G.Ducci

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