Segunda Temporada de 13 Reasons Why (Netflix, 2018) – Crítica
13 Reasons Why

[TEXTO SEM SPOILER]

13 Reasons Why causou polêmica na primeira temporada tanto pelos temas tabu, o suicídio em especial, quanto pela qualidade em si do produto ficcional – já que muitos viram méritos na série e outros (eu incluso), viram mais problemas. Podemos dar como breve sinopse dos primeiros 13 episódios: a jovem Hannah Baker (Katherine Langford), pouco antes da decisão fatal, grava 13 fitas direcionada às pessoas que fizeram algum mal, contando o que a levou àquele derradeiro momento. A primeira temporada foca-se em Clay Jensen (Dylan Minnette), um dos porquês que escuta as tais gravações.

Confira aqui o nosso debate na Mesa Quadrada sobre a primeira temporada, onde damos quatro visões diferentes sobre a série e falamos também de filmes que tratam de temas psicológicos.

Nesta segunda temporada, de modo análogo, podemos dizer as fitas agora são os depoimentos do julgamento que se inicia no final da sessão anterior. Os participantes dão as versões da história (antes, tínhamos praticamente tudo apenas a partir do olhar de Hannah). Trazendo, assim, outro ponto de vista para algumas das cenas que já conhecíamos. Por exemplo, mais fotos, outros ângulos e personagens, o que ressignifica algumas verdades. Sempre lembrando que Machado de Assis com Dom Casmurro já nos ensinou que se algo é narrado em primeira pessoa, fica-se sujeito a verdade pessoal (isso serve inclusive pra Hannah).

Se o “slogan” da primeira temporada foi: “ouça as fitas, Clay”, dito por 178% dos personagens – e pelo público, agora é o próprio protagonista que tem uma frase marcante :” eu não me importo”, denotando que não tem interesse em Hannah, quando é óbvio que tem. Mais uma vez problema aqui, tal como antes, é a repetição.

Por falar em Hannah, como não há mais a presença maciça das fitas, o roteiro usa um artifício muito cretino para ter a atriz na série: a consciência perturbada do menino argila projeta um “fantasma” da amada com quem troca intermináveis diálogos. As conversas quebram o ritmo já claudicante e trazem reflexões rasas.

13 Reasons Why

Outra ferramenta condenável foi a sustentação de um suspense envolvendo fotos. Quem a estaria tirando? Qual o objetivo? Com essas perguntas, o público fica refém, mais do que genuinamente interessado. Isso serve até para mascarar um roteiro que tenta ampliar o universo colocando os personagens antigos em outras situações ou acrescentando novos, mas que tem como resultado um vazio.

Tyler Down (Devin Druid) ganha um arco próprio, quase que alheio à trama principal. O subtexto armamentista tem um desenho clichê e toma um tempo gigante na série. O relacionamento dos pais de Hannah também é problemático narrativamente, a série funcionaria igual sem aquilo. Os novos personagens vem para cumprir funções muito marcadinhas e se tornam unidimensionais – a ampliação para o universo é bem pequena.

Para quem odeia narrações, terá problemas (13?) aqui. À la Greys Anatomy, as falas reproduzem sentimentos que a série que induzir ao público. Incapaz de fazer isso de forma natural, rende-se a esse mecanismo. Considerando que esta temporada basicamente temos um misto de série de tribunal, drama teen e o mistério das fotos, a narração pesa ainda mais.

Em algumas cenas espaçados 13 Reasons Why tem momentos inspirados. A abertura do capítulo final tem uma sacada de passar uma mensagem importante e o faz com precisão dentro do contexto. Alex Standall (Miles Heizer) e Zach Dempsey (Ross Butler) formam a melhor dobradinha, trazendo diálogos que misturam a atual condição do personagens com dramas universais típicos da idade. Há um outro personagem que não direi qual para evitar spoiler, mas que muda bastante em relação ao que apresentara e tem que sair da zona de conforto. Um abraço entre vários personagens é bem bonito e merece o destaque.

13 Reasons Why tem potencial: personagens carismáticos e temas pulsantes, mas ainda não achou a força necessária para se sustentar, tomara que a próxima temporada melhore.

Veja também a nossa crítica de 3%, outra série da Netflix

Nota do Razão de Aspecto

 

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[Total: 3    Média: 2.7/5]
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