Safe (2018) – Crítica

Safe chegou à Netflix na enxurrada de produções originais da plataforma, das mais diversas origens geográficas, línguas e estilos, incluindo a brasileira 3%O número de lançamentos de produções originais é tão grande que fica difícil acompanhar, e torna-se necessário selecionar com mais cuidado a quais séries dedicar tempo. Não foram poucos os lançamentos originais que comecei e abandonei pelo caminho, a despeito de serem boas produções. O problema está no fato de que, com tantas produções de qualidade disponíveis na HBO, Amazon e Fox e FX, por exemplo, ser apenas boa não faz de uma série um produto tão apelativo quanto poderia ser. Há que se ter alguma alguma característica que realmente prenda a atenção do espectador – o que não falta a Safe.

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Criada e escrita por Harlan Coben, famoso escritor estadunidense de best sellers policiais, Safe conta a história do desaparecimento da jovem Jenny, logo após uma festa regada a álcool e drogas. O Dr. Tom Delaney, interpretado por Michael C. Hall (o eterno Dexter) começa uma busca desesperada pela filha desaparecida e acaba tropeçando em segredos do passado de sua falecida esposa, vizinhos, amigos e ex-colegas de escola. Nesse processo, desenvolve-se uma trama cheia de reviravoltas e com arcos dramáticos paralelos envolvendo adultério, sexo com adolescentes – e não entre adolescentes -, assassinato, busca de paternidade e identidade sexual. Sim, são muitos temas, e este é, ao mesmo tempo, o grande mérito e o grande defeito da série.

Confira a crítica de outras séries policiais da Netflix:

Seven Seconds

The keepers

Ozark

Se o lado sombrio e os segredos da classe alta são narrativamente apelativos, o excesso de arcos paralelos pode acabar prejudicando a narrativa. Assim, alguns arcos interessantes  e funcionais o para o mistério são resolvidos cedo demais, enquanto outros surgem, convenientemente, somente nos últimos episódios, como forma fazer a trama andar. Além disso, há pelo menos um personagem-chave que desaparece no momento crucial, sem maiores explicações. Some, assim mesmo, pronto. Para a série, não interessa contar o que tenha acontecido com ele. Dessa forma, em um primeiro momento, ficamos inebriados pela tensão do mistério, mas, quanto mais pensamos, mais a narrativa perde força.

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Como suspense policial, Safe é muito eficiente. Com o uso preciso dos clichês do gênero, mas sem o exagero de uma  novela das oito e sem apelar para cenas gratuitas, somos envolvidos pelo mistério do desaparecimento e dos motivos do assassinato misterioso. A jornada de investigação leva à solução somente nos últimos minutos do season finale, de forma bastante surpreendente para um espectador menos experiente e, ao mesmo tempo, muito lógica para aqueles viciados nesse tipo de narrativa, seja literária, seja audiovisual.

Como drama, Safe pode agradar ao público mais afeito à narrativa folhetinesca, muito em função do roteiro pouco trabalhado e dos arcos superficiais. Consequentemente, a série falha em desenvolver a complexidade dos personagens, devido ao pouco tempo de tela de cada um deles. Como roteirista, Harlan Coben não consegue alcançar o nível dos roteiristas de Mad Menque conseguiam introduzir e resolver arcos dramáticos de personagens com dez minutos de tela, em uma temporada inteira, de forma inteligente e elegante.

Safe não é uma obra prima, muito menos uma das melhores séries do ano, mas é um ótimo entretenimento, garante um bom suspense e satisfaz os fãs de séries policiais e de mistério. Uma boa pedida para o final de semana, como substituta de La Casa de Papel.

 

Nota do Razão de Aspecto

 

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[Total: 8    Média: 3.9/5]
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