Segunda Temporada da Série 3% – Ainda faltam 97%… – Crítica
3%

[ESTE TEXTO NÃO TEM SPOILER DA SEGUNDA TEMPORADA DE 3%, MAS PODE TER DA PRIMEIRA]

3% é uma série brasileira original Netflix em que a sociedade está dividida em dois grandes blocos: os 3% “merecedores” que vão para o Maralto, uma ilha utópica, onde teoricamente está o suprassumo da população e onde eles têm acesso às melhores coisas. E os outros 97% que vivem entre o sonho de passar para o lado de lá e um constante estado de miséria.

Na primeira temporada, a série se concentrou no game, o chamado Processo, que escolheu alguns para passar para o outro lado. Na segunda temporada, foca-se nos que passaram no processo e conhecemos mais um pouco da Causa. A organização que quer se infiltrar no outro lado e destruir os “bandidos malvadões”. Sim, a 3% é recheado de clichês e personagens bem estereotipados e isso vale para todos os níveis e lados. Cada diálogo parecia falso exatamente por vir com esta marca. Os atores, principalmente o elenco de apoio, não colaboravam e a direção não conseguiu extrair movimentos mais naturais.

Agora o universo se alarga e enxergamos outros nuances. A coisa melhorou, sem dúvidas, mas apenas em comparação com o desastre que foi a primeira. Basicamente temos as repercussões do desfecho da primeira temporada e uma ampliação com a história de fundação do Maralto, fato que se liga com os acontecimentos atuais. E um valor de produção aparentemente maior.

De resto está tudo como antes. Movimentos convenientes, frases que não seriam ditas normalmente e personagens que entram e saem ao bel prazer dos realizadores continuam a dar as caras. Por exemplo, há uma volta de um personagem morto (não direi qual para não dar spoiler) que é bem cretina e só está lá para fechar um arco que sequer precisava existir.

3%

Palavrões são ferramentas úteis no dia a dia. Dar uma topada e soltar um é bem comum, em outras situações estressantes também…. Tal condição poderia justificar o uso demasiado aqui, contudo, essa “vírgula” incomoda mais do que gera o efeito natural. Soa, portanto, como uma preguiça de vocabulário ou uma tentativa torta de se aproximar do público.

As “gincanas” agora deram lugar a um jogo de gato e rato entre o exército do Maralto e os rebeldes da Causa, porém ainda estão presentes. Em geral, sem muita criatividade e repetindo artifícios anteriores. Há um labirinto que é usado no começo e retomado depois. Não sei o que é pior: se eles largassem o labirinto no início ou usarem da forma que usaram. Para quem já viu pense se tudo que estava naquele ambiente foi resolvido ou se ficou alguma pendência…

Os primeiros episódios abusam de um paralelismo para dar uma sensação de perigo. Novamente o tiro sai pela culatra. Quem já viu algumas produções do gênero antevê com facilidade o final das ações. É fulano que não estava em um determinado lugar ou mesmo um montagem pra maquiar a falta de profundidade do texto da ação.

Na primeira temporada, o foco mais fechado no grupo principal e em pílulas das histórias individuais deixavam a estrutura muito marcada. Nesta segunda temporada de 3%, a alternância de um núcleo para outro amplia o universo e dá mais possibilidades individuais. O contraponto é que gera um ritmo desbalanceado. Algo até comum em seriados com várias frentes, mas aqui por conta do resto (roteiro, atuações, direção..), a experiência é cansativa e entediante.

A ideia de colocar os personagens como “imprevisíveis”, de não saber o lado real de alguns, tem como resultado uma previsibilidade. Pois justamente essas traições frequentes, tornam-se rotina e acabam sendo um truque bem falso. Quando atrelado a uma lição de moral, aí fica insuportável. Há uma investigação que se baseia em algo como: “ela olhou para o lado, está mentindo”.

As explicações antes de cada ato denotam que os roteiristas pensam que o público precisa de uma mão para atravessar a rua. Novamente: em relação à primeira temporada temos uma melhora (um dos primeiros diálogos da série já é mega expositivo e não seria dito em uma conversa casual), mas ainda assim pesa em vários momentos.

A premissa, o gênero e o fato de ser nacional e estar disponível na Netflix, poderiam despertar um interesse e até tem feito um sucesso grande (acredito que por esses elementos e não pela qualidade em si). Como é possível que tenhamos mais uma temporada, espero que pelo menos o avanço continue e o saldo seja mais positivo.

Nota do Razão de Aspecto

 

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