Alce & Alice – Crítica – Nova série Brasileira.
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Dia 5 de dezembro teremos a estreia de uma nova série brasileira, no Vimeo e no Net Now, Alce & Alicee o Razão de Aspecto conseguiu conferir, em primeira mão, esta criação de Diego Barrios e Tiago Rezende.

A série conta a história de 3 não exatamente amigos que se juntam no projeto de criar uma série para TV chamada Alce & Alice. Willian Alvarez (interpretado por Thiago Prade) é um jovem mimado, filho de Tânia Alvarez, política de renome. Graças ao dinheiro de sua mãe, Willian consegue contratar dois ajudantes para seu novo e “visionário” sonho: filmar uma série sobre o triângulo amoroso entre um homem, uma mulher, e um alce. Para a empreitada que irá mudar a TV brasileira, ele consegue o apoio de Stive (interpretado por Gabriel Faccini), um ator de talento reconhecido por si mesmo e um “pequeno” problema com drogas, e Alice (interpretada por Kaya Rodrigues), a estagiária estudante de cinema, que cuida de praticamente todo o resto da série.

O desenrolar dos quatro episódios acontece em três camadas narrativas. As filmagens da série dentro da série, o impacto destas filmagens na vida de William, Alice e Stive, e os depoimentos dos três personagens, inseridos em linguagem de mockumentário. Com uma proposta claramente metalingúistica,  a série é uma sátira absurda da produção, distribuição e consumo de arte audiovisual no Brasil.

Merece destaque a qualidade de produção da série. A montagem das três linhas narrativas intercaladas é bem fluida e dinâmica, sem ficar, em nenhum momento, truncada ou confusa, contribuindo para o timing da comédia. A fotografia é bem cuidadosa, rica em detalhes, em especial nos momentos de referência a séries de TV, como House of CardsCSI Breaking Bad. O uso da trilha sonora é essencial nestes momentos, que são o ponto alto da produção.

O elenco agrada, sem grandes destaques, mas os personagens unidimensionais não dão muito para os atores trabalharem. O trio de protagonistas é competente, mas sem química entre eles. Individualmente, são boas atuações, mas não há uma somatória onde um ator contribui com o outro para grandes cenas ou gags. As cenas ficam meio certinhas demais, pasteurizadas, sem um entrosamento. Cada ator parece estar interpretando para a câmera, e não para os outros.

O roteiro deixa a desejar, caindo em um excesso de repetições de temas e obviedades. Há piadas que funcionam uma ou duas vezes, mas se tornam cansativas depois de um tempo. A tônica de comédia do absurdo esvazia os conflitos, e a repetição dos absurdos, sem um crescendo e sem novidades, torna o humor previsível e repetitivo. Por outro lado,  a paródia de séries famosas e amadas pelo público funciona, na maioria das vezes, com referências inteligentes e piadas referenciais na fotografia, na montagem na trama e nos diálogos – e este é o grande ponto forte dessa produção despretensiosa. Ao mesmo tempo, as paródias ficam sem efeito para quem ignora as referências, mas ganha muita força cômica para quem as compreende. Assim, o efeito cômico Alce & Alice não alcançará a totalidade do público, embora se possa esperar que o público-alvo de uma websérie seja formado “seriadéfilos” que conheçam as referências originais.

Não é exatamente a série mais hilária, nem é tão criativa quanto ela se acha ser, mas Alce & Alice conseguirá entreter parte do público de hoje, principalmente nas suas referências à cultura geek. Pelo esmero técnico, vemos um potencial para muito mais do que conseguiu entregar até agora. Quem sabe na próxima temporada?

 

Nota do Razão de Aspecto:

Crítica escrita por Aniello Greco e Maurício Costa

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