Especial: Que rei sou eu? – Os monarcas britânicos no cinema e na TV (parte V)
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(As outras partes do especial:  Primeira, Segunda, Terceira, Quarta)

 

Victoria (cont)

Outras obras a se dedicarem a uma Rainha Victoria mais jovem incluem Victoria & Albert (2001), filme para a TV britânica que mostra a ascensão da jovem rainha, interpretada por Victoria Hamilton, ao trono, o  envolvimento de Victoria com o Príncipe Albert, e a frustração deste com as funções limitadas de um Príncipe Consorte. Como curiosidade, Albert é interpretado por Jonathan Firth, irmão menos famoso de Colin Firth, ator britânico que viveria outro monarca inglês no cinema, como veremos mais à frente.

 O mesmo arco foi usado no filme A jovem rainha Victoria (2009), desta vez com Emily Blunt no papel da rainha – foi este o filme que apresentou a talentosa atriz para o grande público –  e Rupert Friend no papel de Albert. Por fim, este mesmo arco que cobre os primeiros anos de reinado e de casamento de Victoria é o foco de Victoria: a vida de uma rainha (2016), série disponível no Now e que já teve duas temporadas. Jenna Coleman, ex-companheira do Doutor durante várias temporadas de Doctor Who, é a protagonista de uma série com ares novelescos. Na primeira temporada, destaque para Rufus Sewell no papel de Lord Melbourne, um misto de conselheiro e interesse amoroso da monarca.

Já Judi Dench viveu a rainha por duas vezes, em filmes que tratam de temas parecidos. No primeiro, Sua Majestade, Mrs.Brown (1997), filme pelo qual foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz, Dench contracena com Billy Connolly para contar a história da relação entre Victoria e John Brown, cocheiro que se tornaria seu amigo e protetor – e, para alguns, mais do que isso. Em 2017, Dench retorna ao papel em Victoria e Abdul: o conselheiro da rainha, cuja crítica completa do Razão de Aspecto você pode ler aqui.

Esses foram apenas alguns dos filmes e séries mais concentrados na figura da rainha Victoria. Ela comumente aparece como coadjuvante em muitos dos filmes que se passam no século que foi, em parte, apelidado com seu nome, a Era Vitoriana. Assim, encontramos a rainha em produções como A vida secreta de Sherlock Holmes (1970, interpretada por Mollie Maureen), O irmão mais esperto de Sherlock Holmes (1975, Susan Field), Do inferno (2001, Liz Moscrop), Bater ou correr em Londres (2003, Gema Jones), A volta ao mundo em 80 dias (2004, Kathy Bates), e muitos outros.

  

Edward VII

Curiosamente, não há grande filmes sobre a vida de um monarca que governou o Reino Unido nos últimos anos de seu domínio mundial. A primeira década do século XX – talvez esticando-a até a Grande Guerra -, a Era Eduardiana, foi marcada pelo auge do estilo e da forma de viver da elite britânica, ao mesmo tempo em que conviveu com o princípio da mobilização de forças para mudanças cruciais para o desenrolar da história, tanto internamente – como a luta pelo voto feminino e a disseminação de ideias socialistas  – quanto externamente, com a escalada de tensões no Great Game europeu que levaria inevitavelmente ao conflito militar iniciado em 1914.

Apesar da figura do rei Edward VII não protagonizar grandes produções, o espírito de seu tempo se espalha pela produção audiovisual britânica. Um bom início para conhecer as figuras marcantes da época é a série The Edwardians (1972), que, em seus episódios, mostra a vida de figuras como Charles Rolls e Henry Royce (os sobrenomes dão a pista de quem são…), Sir Arthur Conan Doyle, autor de Sherlock Holmes; Baden-Powell, fundador do escotismo; Marie Lloyd, diretamente envolvida na greve de 1907 do Music Hall, Daisy Greville, amante do rei, entre outros. Outra série que mostra o espirito da época é Mr.Selfridge, que, em suas temporadas de 2013 a 2016, transportou para a TV a vida de Harry Gordon Selfridge, fundador da famosa loja de departamentos londrina. A primeira temporada de Downton Abbey também respira ares eduardianos.

Entre os filmes, a lista é longa e de enorme qualidade. Destaca-se a sequência de filmes dirigido por James Ivory e produzida por Ismail Merchant na década de 1980: Uma janela para o amor (1985), Maurice (1987), Retorno a Howard’s End (1992) e Vestígios do dia (1993). O declínio dos anos dourados (1985) mostra os últimos respiros da aristocracia britânica no pré-Guerra. Já no lado da luta social, As sufragistas (2015, crítica do Razão aqui) é um filme que, apesar de seus problemas, dá um bom retrato da luta  pelo voto das mulheres.

 

George V

George V é outro monarca que normalmente aparece como personagem secundário. Ele era o soberano do Reino Unido durante a Grande Guerra, o que faz com que eventualmente seja mostrado em filmes que se passem no período. Alguns exemplos são Todos os homens do Rei (1999, rei interpretado por David Troughton), sobre o mistério da Companhia Sandringham, que desapareceu em Gallipoli em 1915;  Shackleton (2002, Rupert Frazer como George V), minissérie sobre a expedição Endurance à Antártida em 1912, liderada pelo personagem-título, que quase resultou em uma total tragédia; e My boy Jack (2007, Julian Wadham como soberano), sobre a busca e o luto da família do escritor Rudyard Kipling pelo seu filho desaparecido em combate na guerra.

Uma curiosidade histórica é retratada no filme para a TV The lost Prince (2003), que trata do Príncipe John, filho mais novo de George V. John morreu aos 13 anos de idade, em 1919, tendo sofrido de ataques epiléticos e de uma espécie de autismo durante sua breve vida. Tom Hollander (que também já interpretou o rei George III, como vimos neste especial, vive o rei George V na obra.

 

Edward VIII e George VI

O Príncipe Albert – ou Bertie, para os íntimos – neto da Rainha Victoria, pai da Rainha Elizabeth II – não era o número um da linha sucessória quando seu pai, o Rei George V, faleceu em 1936. O trono foi para seu irmão, coroado como rei Edward VIII. Entretanto, Edward estava envolvido e pediu em casamento a estadunidense Wallis Simpson, duas vezes divorciada. Além de uma afronta à corte e à sociedade britânica da época, o casamento entraria em conflito direto com o posto de Chefe da Igreja da Inglaterra inerente aos monarcas britânicos. Impaciente com os protocolos da corte e optando pelo seus sentimentos, Edward abdicou ainda em 1936. Essa história foi adaptada inúmeras vezes para o cinema e para a TV, com destaque para Richard Chamberlain na série de TV norte-americana The Woman I Love (1972), Edward Fox na série de TV inglesa Edward & Mrs Simpson (1978), Charles Edwards, em Bertie and Elizabeth (2002), Stephen Campbell Moore em Wallis & Edward (2005), também séries para a TV, e, no cinema, no filme W.E., dirigido por Madonna, e no qual o papel do rei é interpretado por James D’Arcy

Com a abdicação do irmão, Bertie assumiria o trono inglês, rebatizado George VI, e lideraria o país em um dos períodos mais atribulados da história contemporânea, a II Guerra Mundial.  Foi também o reinado que testemunhou o fim do Império Britânico e sua transição para a Comunidade das Nações (Commonwealth). Em 1937, a Irlanda formalizaria em definitivo sua independência e escolha da República como forma de governo (sobre isso assistam Michael Collins, filmaço com Liam Neeson). Após a II Guerra, a supremacia mundial inglesa já não existia, dando lugar à bipolaridade EUA x URSS. Índia e Paquistão se tornariam independentes em 1947.

Talvez devido à emblemática figura de Winston Churchill como Primeiro Ministro neste período, Goerge VI é mais lembrado por ser um rei com problemas de fala. Em 2010, o filme O discurso do rei, dirigido por Tom Hooper, retratou a história da superação de George VI com ajuda de Lionel Logue, terapeuta de fala australiano. O filme foi indicado a 12 Oscar, tendo vencido os prêmios de Melhor Filme, Direção, Ator (Colin Firth, merecidíssimo, e Roteiro Original (David Seidler).

 

Elizabeth II

Quando a Rainha Vitória morreu em 1901, após 63 anos de reinado, poucos acreditariam que algum monarca inglês conseguisse bater esse recorde algum dia. Pois Elizabeth de Windor já ocupa o trono há 65 anos. Sua vida já foi tema de uma minissérie de TV britânica em 2009, chamada The Queen, em que cinco diferentes atrizes viveram a rainha em épocas diferentes da sua vida. Destaque para Samantha Bond, a Lady Rosamund de Downton Abbey. Seu reinado é atualmente tema da premiada série The Crown, cuja primeira temporada encontra-se disponível no Netflix, e a segunda tem lançamento agendado para dezembro de 2017. No cinema, Helen Mirren foi merecidamente premiada com o Oscar em 2007 por sua interpretação em A Rainha, filme que se concentra nos dias que se seguiram à morte da Princesa Diana.

 

Bonus track: Charles III

Oi? Como assim?  A Beth nem morreu ainda!  Pois é, mas o filme para a TV King Charles III, lançado este ano para a TV inglesa, tenta imaginar como seria o reino de Charles. O filme não se preocupa em criar uma hipótese realista;  ao contrário, adota uma linguagem shakespeareana, como se mais uma peça do bardo de Stratford fosse, para criar um distanciamento da Família Real real. No filme, o ator Tim Pigott-Smith, falecido em abril deste ano, vive Charles Windsor.

 

Há também, claro, um rei inglês cuja identidade e veracidade é sempre motivo de discussão: o Rei Arthur!   Para esse, o Razão de Aspecto já publicou um especial que pode ser lido aqui.

Chegou ao fim nosso especial sobre os monarcas britânicos no cinema e na TV. A história da Inglaterra e do Reino Unido originou grandes filmes que não se limitam ao interesse pela reconstituição de época – e tem acontecimentos mais interessantes do que muitas séries de TV  🙂

E vocês, têm algum filme sobre reis e rainhas que sejam seus favoritos?  Faltou algum relevante na nossa lista?

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