50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro – 9º dia
  • 24
  • 09

No último dia da Mostra Competitiva do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro , a equipe do Razão de Aspecto acompanhou também os filmes da Mostra Hors Concours. No caso da primeira, ambas as obras apresentadas apresentaram seus temas de forma suave, com resultados de avaliação bastante diferentes pelo Razão.

Leia nossos comentários e depois veja nosso tradicional vídeo ao final da sessão de ontem. Antes disso, um convidado especialíssimo conversa com a gente: Paulo Miklos, ator e ex-membro dos Titãs!

Razão de Aspecto entrevista Paulo Miklos

Posted by Razão de Aspecto on Saturday, September 23, 2017

-> Ano Passado eu Morri:

Lucas Albuquerque: ser poético é um risco. Pode soar vazio, piegas e hermético. Infelizmente Rodrigo de Oliveira tem um texto que caminha mais para esses adjetivos do que para uma narrativa vigorosa e lírica.  A possível beleza temática ou o interesse intimista fica de difícil acesso. Há uma boa linguagem de câmera e nada além. Nota: 1,5/5

D.G.Ducci: um filme em que impera a melancolia, e fala sobre perdas e dificuldades de relacionamento e comunicação; a estrutura é, durante boa parte, equivalente à de um romance epistolar, com troca de cartas (no caso, narrações em off dos personagens. Lembra dramões do cinema francês condensados em um curta-metragem. Tocante, mas irregular. Nota 3/5

Aniello Greco: o principal objetivo do filme é claramente comover. O sucesso ou fracasso disto depende quase exclusivamente do quanto a narração em off irá ressoar no espectador. Os outros elementos, fotografia, trilha sonora, etc, são bastante acessórios neste filme. Em mim a narração não ressoou, me parecendo um tanto óbvia, vazia e melodramática. Mas acredito que a experiência possa variar e muito para outras pessoas. Pessoalmente, Nota: 1/5

 

-> António Um Dois Três:

Lucas Albuquerque: filme mais gostoso do festival. O roteiro é muito inteligente ao brincar com ele mesmo. Cada uma das três narrativas ressignificam as demais. Um elenco afiado que nunca quer aparecer mais do que o texto pedia. O ritmo é propositalmente complicado em alguns momentos e bem ágil em outros. As piadas são de bom gosto, sem potencial ofensivo e sem serem pueris. Dá vontade de rever. Nota: 4,5/5

D.G.Ducci: Deliciosa obra luso-brasileira roteirizada e dirigida por Leonardo Mouramateus. Trata-se de uma brincadeira narrativa em que frases, personagens e afetos são realocados a cada uma das três versões da história (advinda daí a numeração do título do filme). Mauro Soares vive um personagem carismático. Bom trato da relação de afeto Brasil-Portugal. Inteligente sem precisar fingir que é complicado. Nota 4/5.

 

Aniello Greco: a brincadeira com a narração tripla/una foi deliciosa. As rimas visuais, as frases repetidas em outros contextos, as repetições que ganham novos significados em outros contextos, e a sensibilidade e universalidade do mundo de António, e principalmente de sua relação com Débora fazem deste filme uma experiência gostosa, aconchegante. Apenas o primeiro ato é um pouco cansativo, até a primeira reviravolta. Nota: 4/5

MOSTRA COMPETITIVA

-> A passagem do cometa

Lucas Albuquerque: Tratar do aborto tem muitas armadilhas. E A Passagem do Cometa consegue se esquivar delas. O tema é exposto de maneira suave, mas  sem desmerecer o assunto. Com atuações funcionais que não são  caricatura e nem frieza. Um design de produção que marca a época que o curta se passa (ótimo isso, ao invés de ter uma placa com data). O final reflexivo dá um arremate 4,5/5

D.G.Ducci: O maior mérito do curta é falar sobre seu tema, sem precisar gritar sobre ele. O impacto acaba sendo muito mais profundo. A história se passa em uma clínica clandestina de abortos, na época da passagem do cometa Halley em 1986. Boa utilização de objetos e penteados de época. Hã uma animação meio duvidosa no meio do filme, mas sua frase final é um tapa no rosto que fecha de forma excelente a obra. Nota 4/5

Aniello: Um curta com temática pesada, mas narrado de forma intimista e sem exageros. Boa construção de cenário e de personagens, e um final poderoso, onde a última frase recontextualiza tudo o que foi feito. A animação no meio do filme destoa, visualmente e sonoramente, sem o mesmo cuidado técnico do resto do filme. Nota: 4/5

-> Arábia:

Lucas Albuquerque: um dos piores longas da Mostra Competitiva junto com Era Uma Vez Brasília. Os 15 minutos inicias são completamente dispensáveis, apenas uma desculpa preguiçosa para impor a narração dos fatos. Aliás, boa parte das sequências ao longo do filme, também. Cria-se uma narração que perpassa quase que o filme inteiro. O longa soa episódico o que tira a consistência da obra. As músicas compõem uma set list bem bacana. Mas trilha é muito mais que isso. Aqui tenta esconder o vazio narrativo. Os atores tem pouco a entregar e ficam monótonos. As histórias contadas pelos personagens são melhores que a história do filme; nesse sentido, lembrou o curta exibido um dia antes: Carneiro de Ouro. Não é difícil ficar engajado com algum personagem, porém pense: a ausência de muito deles não faria qualquer diferença. Nota: 1,5/5

D.G.Ducci: a chave para entender a sequência de fatos da vida de Cristiano, protagonista de Arábia, vivido pelo ator Aristides de Sousa, é perceber a importância de suas relações de trabalho: ele passa pela marginalidade, pelo trabalho no campo, em atividades do mercado informal, faz “bicos” e arruma um trabalho “decente” em uma fábrica. Em seu espaço de trabalho, ele faz amigos, comete erros, apaixona-se, aprende sobre a vida e sobre as pessoas. Affonso Uchoa e Joao Dumans conseguem falar sobre relaçoes trabalhistas e sobre a forças e fraquezas do trabalhador (em especial simbolizadas pelo personagem Barreto) sem parecer panfletário ou artificial. Como gostinho extra, um filme de uma profunda “mineirice”. Peca pelo prólogo gigantesco e completamente desnecessário. Nota 3,5/5.

Aniello Greco: fazer de um retrato do cotidiano um filme não é coisa simples. Transformar o comum em cinematográfico demanda uma sensibilidade, uma criatividade e uma percepção de relevância e empatia apurados. Boa fotografia, boas interpretações, boa edição, mas com uma trama que não consegue encontrar o extra no ordinário, exceto em um momento próximo ao final. Um filme bem acabado, mas arrastado e sem carisma. E o prelúdio e sua ligação com o fim são destoantes. A trilha sonora me pareceu artificial, com músicas inseridas sem conexão com a história, dando a impressão que a narração pausava para que a música aparecesse. Apesar dos problemas, os méritos técnicos e a relevância da temática do mundo do trabalhador deve fazer de Arábia um dos grandes premiados do festival. Nota: 2,5/5

Nono dia de Festival. Comentários com a equipe completa.

Posted by Razão de Aspecto on Saturday, September 23, 2017

A ficha completa dos filmes você encontra na página do evento.

Em breve, o resultado das premiações de 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e os comentários da equipe do Razão de Aspecto.

Continuem acompanhando e divulgando a gente!

Posts relacionados
  • 28 out 2016
  • 0
  Baseada no romance “Tony & Susan”, de Austin Wright, a produção “Animais Noturnos”(Nocturnal Animals) – parte da programação da 40ª Mostra Internacional de São Paulo –...
  • 22 jun 2015
  • 0
Gênero: Animação Direção: Pete Docter, Ronaldo Del Carmen Roteiro: Josh Cooley, Meg LeFauve, Pete Docter Elenco: Amy Poehler, Bill Hader, Bob Bergen, Carlos Alazraqui, Diane...
  • 27 ago 2017
  • 0
Game of Thrones é sem dúvidas uma das séries mais badaladas da história. Com a temporada se encerrando resolvemos bater um papo sobre: o que...