50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro- 7º dia
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No 7º dia do Festival de Brasília o Razão de Aspecto acompanhou novamente a Mostra Competitiva e a Mostra Brasília, chegamos, portanto, aos 40 filmes no Festival! A noite foi excelente. A curadoria reuniu 5 documentários (das 6 produções exibidas). Quem torce o nariz para esse tipo de filme perdeu histórias fantásticas.

Os documentários foram sobre um casamento que resgata um rito indígena, um grupo de amigos que montou um carro de forma amadora para disputar uma corrida nacional, uma animação que trata de memórias de infância/perda e questões políticas, a vida de um praticante de BDSM e como ele lida com o luto e um manifestante de esquerda entrevistando a Tropa de Choque de Pernambuco. Tivemos ainda uma ficção que trouxe história de ETs com forte pegada voltada pra natureza.

Segue o vídeo onde Aniello Greco e Lucas Albuquerque cometam os filmes na saída da sessão:

#FestivalDeBrasíliaDoCinemaBrasileiroSétimo dia. Comentários de Lucas Albuquerque e Aniello Greco.

Posted by Razão de Aspecto on Thursday, September 21, 2017

E o nosso comentário em texto com as nossas notas:

Damrõze Akwe – Amor e Resistência:
Lucas Albuquerque: quase sempre a questão indígena dá as caras no Festival de Brasília. Este importante tema que contou ano passado com Martírio, vem em 2017 com o documentário que mostra como é uma cerimônia matrimonia do povo Xakriabá. Juvana Sawidi e Durkwa Xakriabá são entrevistados e relatam a importância de se manter as tradições. Tudo o que antecedeu a festa e ela em si são vistos no curta. A opção de colocar o casal separado criou uma certa barriga no filme, algo que em um curta é mais grave ainda. Nota: 3/5

À Margem do Universo:

Lucas Albuquerque: se no dia anterior tivemos uma comédia e um terror, no sétimo dia apareceu uma ficção científica. Com limitações orçamentárias, havia uma preocupação em não se tornar ridículo – palavras da própria equipe. Quando um ser alienígena chega no planeta Terra, onde não mais há humanos, ela se depara com questões que nunca enfrentara. Uma reflexão sobre como éramos soa um pouco didática demais e óbvia. Fora isso, a tensão da personagem, o desfecho e até a parte gráfica cumprem bem. O elo com a natureza e a língua indígena dão um toque essencial. Nota: 3,5/5

O Fantástico Patinho Feio
Os nosso críticos não são aficionados por carros. Ainda assim, em um longa onde parte dele é com termos técnicos, eles conseguiram se emocionar. Como? A partir de uma história tão absurda que só poderia ser real. Um grupo de jovens em uma Brasília na década de 60 montou uma oficina de fundo de quintal. Poucos recursos e muita vontade fizeram um sonho nascer: correr em uma prova de âmbito nacional. Com carisma nos depoimentos e um material de arquivo respeitável, O Fantástico Patinho Feio possibilita um quase Rocky automobilístico. Não temos só o ronco do motor, mas também contexto social, político e um retrato da juventude local. A falta dos caracteres com os nomes dos entrevistados foi um erro pesado, mas que não tirou o brilho do todo. Aniello Greco e Lucas Albuquerque Notas: 4,5/5
Torre: 
Animação/documentário que de forma tragilúdica ouve os depoimentos de 4 irmãos que sofreram com a ditadura (mesmo sem entenderem na época) e a ausência parental. Eles contam como enxergavam o mundo e em especial a mãe que teve que se mudar com eles várias vezes.  O traço rústico, quase infantil, mas sem nunca soar desleixado – pelo contrário – adiciona uma rima visual potente. Impactante e sensível. Há uma linguagem de câmera que dá vida aqueles desenhos. O filme sabe ser político e familiar na medida. Notas: Aniello Greco : 5/5 Lucas Albuquerque: 4,5/5

Baunilha: 
Um retrato bem pessoal de um homossexual adepto do BDSM. Delicado e chocante, a câmera é muito sagaz ao seguir o personagem sem expor o rosto. Com isso, descobre ângulos inteligentes. Há nudez explícita que vai além do choque pelo choque, deixando claro a função artística e prazerosa da prática. Como muitos associam o BDSM a coisas como 50 tons de cinza, há uma explicação um pouco rasa para situar o público. Isso deixa o assunto maçante e tira um pouco da consistência do todo. Notas Aniello Greco e Lucas Albuquerque: 4/5

Por trás da linha de escudos
Corajosa proposta de um documentarista assumidamente de esquerda, que após participar de forma engajada de manifestações, resolve entrevistar a Tropa de Choque local (Pernambuco). Ao ouvir o outro lado, ele procurou entender e humanizar aqueles homens que antes enfrentara. Um prólogo tecnicamente poético e recheado de simbolismo dá um show à parte e já ganha o público. A ironia do projeto é realçada por um tom também irônico de algumas comparações entre o endeusamento de parte da população dá aos policiais e a repressão que outra parcela sofreu. Perguntas inteligentíssimas e que suscitam reflexões conseguem arrancar respostas afiadas da corporação. Alguma enxugada se fazia necessária e certos arcos ficam sobrando. O final não sabe a hora de parar e perde a chance de coroar de modo incisivo e novamente alegórico. O debate proposto, contudo, é rico e causará reações várias – vide os aplausos e vaias percebidas ao final da sessão. Notas: Aniello Greco e Lucas Albuquerque: 4/5

Se ainda não conferiu, confira a cobertura dos dias anteriores de Festival aqui:

Abertura e 2º dia

Terceiro Dia

Quarto dia

Quinto Dia

Sexto Dia

  • Maurício Costa

    Uma pena que só posso voltar no sábado!

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