50º Festival de Cinema de Brasília – 4º Dia
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E a cobertura do Festival de Brasília continua. O que aconteceu anteriormente você confere confere aqui e aqui. No 4º dia o Razão de Aspecto conferiu os 6 curtas exibidos na Mostra Brasília, bem como os dois concorrentes do dia na Mostra Competitiva.

O tema central dos curtas da Mostra Brasília foi a voz das minorias e dos marginalizados. Apenas um dos cinco filmes não abordou esta temática. Segue abaixo comentários em vídeo gravados logo na saída do cinema, bem como uma breve crítica de cada um deles.

#FestivalDeBrasíliaDoCinemaBrasileiroMostra Brasília: Curtas

Posted by Razão de Aspecto on Monday, September 18, 2017

O céu dos teus olhos: Uma história das dificuldades e alegrias de 3 artistas de rua que chegam ao Distrito Federal. Apesar do tema simpático e da verve dos artistas, o roteiro confunde lirismo com dizer coisas bonitas, mas banais, e poesia com frases floridas. A interpretação dos atores é teatral, mesmo nos momentos mais íntimos com a câmera, o que soa artificial e pomposo. O tema merecia tratamento melhor. Nota: 2/5.

O vídeo de 6 faces: Uma montagem de 6 cenas sem conexão narrativa. Cinema experimental, que não chegou a ser sequer alegórico. Produz algum efeito estético  de incômodo devido a uma boa trilha sonora e imagens bonitas. Mas sem linguagem de câmera, imagens belas sequer é cinematografia. Ou eu não entendi o curta, ou ele não tem nenhuma mensagem. Experimentação pela experimentação pode servir como exercício criativo, mas não como filme. Sem nota.

Tekoha – Som da terra: Documentário sobre a luta da tribo Kaiowa pela demarcação e retomada de suas terras, hoje em posse de fazendeiros. A fotografia do filme é belíssima, e acompanhamos belas imagens do cotidiano Kaiowa. A narrativa em off é forte, incisiva. A junção entre os dois elementos do filme no entanto ficou desequilibrada. Sem muita conexão entre discurso e imagem, sem uma criação de empatia entre os indígenas e o público. A sensação que passa é mais de um discurso político do que de uma obra de arte. O tema é tão forte e importante para os envolvidos que o filme se tornou secundário. A mixagem de som exagerou no volume da trilha, deixando-a desconfortável. Nota 2,5/5.

UrSortudo: A história de um pai que é preso, por prisão preventiva, e depois inocentado. Este período no cárcere dilacera sua família e ele tem de lutar pela guarda da filha. O tema do filme é forte e interessante, e o retrato da relação entre pai e filha comovente. O humor funcionava medida certa, dando o contraste ao tom pesado do filme. As interpretações deixam a desejar, e o maniqueísmo dos personagens, divididos sem sutileza entre vilões e heróis, estraga um pouco o que poderia ser um excelente filme. Nota 3/5.

Vilão: Um documentário encenado que conta a experiência de um ex-presidiário ao retornar a liberdade, e as dificuldades psicológicas de não saber como lidar com este retorno. A proposta do filme em romper com a fronteira entre documentário e ficção funcionou 100%, a ponto de, durante exibição, eu não perceber que via um documentário. As encenações do trauma psicológico foram bem típicas de um filme ficcional. Esta mescla de linguagens acaba por gerar uma estranheza nas transições entre encenação e reportagem, dificultando a absorção do filme. Uma boa tentativa, mas poderia ser melhor lapidada. Nota 3/5.

1 x 1: A história de um menor contraventor, baleado pela polícia, sua recuperação e seu retorno a criminalidade. Um filme cru, violento (mais na temática que visualmente), que consegue abordar uma temática polêmica sem se tornar nem panfletário nem vazio. A atuação do ator juvenil é assustadora, com alternância entre inocência e brutalidade. A cena inicial mostra um esmero técnico com a combinação entre câmera e e animação que faz com que o público seja capturado nos primeiros segundos do filme. E o final é surpreendente, e aberto a interpretações. Para ver e rever. Nota 5/5.

 

Na mostra competitiva tivemos dois filmes com a marca da regionalidade. O curta As melhores noites de Veroni e longa Café com canela. As primeiras impressões,em vídeo, e os comentários mais detalhados segue abaixo:

#FestivalDeBrasíliaDoCinemaBrasileiroMostra competitiva – Quarto dia.

Posted by Razão de Aspecto on Monday, September 18, 2017

 

As melhores noites de Veroni: A história de uma esposa de caminhoneiro e o impacto da constante ausência de seu marido na vida familiar. Talvez as cenas onde a protagonista canta mal junto a um irritante teclado tenha atrapalhado a minha apreciação do filme. Mas reconheço que a baixa qualidade musical faz parte da narrativa. As cenas entre mãe e filha funcionam, bem como o machismo tacanho e o distanciamento do pai. Mas não é o suficiente para termos uma carga dramática para nos envolvermos com a história. É um filme certinho, quadradinho, sem ousadia e sem paixão. Nota 3/5.

Café com canela: O cotidiano de quatro lares no Recôncavo Baiano, e a importância da solidariedade diante do luto.  Um filme com excelente final, e com ótimas interpretações. O drama central da recuperação de Margarida funciona, e o resgate das cenas iniciais no final do longa é um ótimo fecho. Mas constante entrelaçar de narrativas não deixa o filme  apenas confuso, mas também cansativo, chegando aparentar durar bem mais do que seus 102 minutos. Há bons momentos de humor, em especial devido a personagem Cidão. Também há alguns momentos de auto-indulgência, onde o elogio ao recôncavo faz a narrativa parar. Tem uma cena criada para agradar júris de festivais, onde o filme para e resolve, sem motivo ou consequência, descrever o que é o cinema e romper com a quarta parede. Virtuosismo vazio. A sensação após seção é boa devido ao excelente terceiro ato, mas depois lembramos o quanto sofremos para chegar lá. Cheguei a pensar em sair da seção. Nota: 3/5.

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