Especial: A saga do Rei Arthur no cinema e na TV – parte I
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Você se interessaria por histórias passadas em um ambiente medieval, cheio de magia, batalhas violentas, personagens carismáticos e misteriosos, traições e rivalidades familiares, inclusive incesto?   Muito antes de George R.R. Martin sonhar com seu primeiro dragão ou cometer sua primeira crueldade, as lendas do Rei Arthur e dos Cavaleiros da Távola Redonda povoaram o imaginário, ganharam imensa popularidade na Idade Média e são relidas e readaptadas até hoje.

Sobre a figura “real” de Arthur ainda hoje se tem muito pouca certeza. Ele teria sido um chefe militar guerreiro romano-bretão no início da Idade das Trevas, que lutou contra os invasores saxões. De mitos celtas passados oralmente de geração a geração mesclados a uma ou duas gotas de fundo histórico, e passando pela incorporação de elementos cristãos do medievo, a lenda arturiana inspirou escritores, compositores e, claro, cineastas.

Em 2017, dois filmes relembram o mito arturiano. Michael Bay, que não tem mais o que fazer consegue a proeza de misturar Rei Arthur com seus Transformers em The Last Knight, o quinto filme da franquia. Enquanto isso, o britânico Guy Ritchie traz a mais recente adaptação da história com seu Rei Arthur: a lenda da espada, que promete o ritmo frenético de um malandro nos subúrbios de Londres  de um jovem e impetuoso Arthur. Para homenagear essa lenda que tanto sofreu nas mãos dos roteiristas única e eterna, o Razão de Aspecto traz uma pequena revisão sobre os principais filmes e séries de TV sobre o lendário rei e sua corte. Confira!

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Nos cinemas, tentativas de adaptar as histórias arturianas se iniciaram já em 1904, quando Edwin S.Porter lançou seu Parsifal, baseado na ópera homônima de Richard Wagner – um filme mudo adaptar uma ópera não deixa de ser curioso (embora tivessem tentado sincronizar filme e música na época). Em 1949, a Columbia Pictures lançaria As aventuras de Sir Galahad, cinesseriado em 15 episódios, que se destacava por ser um dos poucos da época que adotava um cenário histórico diverso do Velho Oeste estadunidense.

A primeira adaptação de destaque viria em 1953, com Os cavaleiros da Távola Redonda. Feito em cinemascope e com um elenco recheado de estrelas (Richard Taylor no papel de Lancelot, Ava Gardner como Guinevere, Mel Ferrer como o Rei Arthur, Anne Crawford como Morgana e Felix Aylmer como Merlin), o filme trazia algumas das principais passagens da história, como o triângulo amoroso formado por Arthur, Guinevere e Lancelot, a busca pelo Santo Graal e a oposição de Morgana e Modred ao rei. Tudo com um ar aventuresco, sem ousadias formais ou temáticas.

No ano seguinte, O príncipe Valente e O espadachim negro trariam histórias que utilizavam Camelot como cenário, mas que não tinham ligação com as lendas originais. O primeiro deles era uma adaptação dos espetaculares quadrinhos de Hal Foster (que teria uma outra adaptação, bem ruinzinha, em 1997), e contou com nomes como James Mason, Janet Leigh e Robert Wagner. A TV inglesa lançaria, em 1956, As aventuras de Sir Lancelot, que se tornaria uma das poucas séries britânicas a ser exibida em uma das principais emissoras norte-americanas, a NBC – e, por conta disso, passar a ser produzida para exibição a cores.

Em 1963, o ator e diretor Cornel Wilde coproduziu, coescreveu , dirigiu e atuou no papel principal de Lancelot, o cavaleiro de ferro. O filme se concentra no amor entre Lancelot e Guinevere, e se inspira sobretudo nos acontecimentos de “Le Chevalier de la Charrette”, poema do final do século XII, escrito por Chrétien de Troyes. Não chega a ser um grande filme, mas retrata um dos grandes dramas arturianos: Lancelot seria o cavaleiro perfeito, não fosse seu amor proibido pela esposa do melhor amigo e soberano.

No mesmo ano, a Walt Disney levaria para o cinema A espada era a lei, adaptação do primeiro livro da tetralogia de T.H.White “The once and future king”. O desenho era carregado no humor, e mostrava Arthur ainda como aprendiz de Merlin, antes de retirar a espada da pedra e se tornar o rei de toda a Bretanha. O visual clássico de Merlin no imaginário da audiência – com barbas enormes e chapéu cônico pontudo – pode ser atribuído a esta animação. É uma excelente introdução à lenda, especialmente para os mais novos, e traz um dos duelos mais divertidos da história da animação, entre Merlin e a Madame Mim, vilã do filme.

Em 1967, a Warner lançaria Camelot, baseado no premiado musical de 1960 escrito por Alan Jay Lerner e com músicas de Frederick Lowe. Também baseado nos trabalhos de T. H. White, o musical tivera Richard Burton e Julie Andrews no elenco e ganhara 4 prêmios Tony. Sua adaptação para o cinema foi uma superprodução dirigida pelo veterano da Broadway Joshua Logan. No elenco, Richard Harris (sim, o primeiro Dumbledore) como Arthur, Vanessa Redgrave como Guinevere e o galã italiano Franco Nero como Lancelot. É um filme visualmente marcante, tendo levado os prêmios Oscar de Direção de Arte e Figurino, além de Trilha Sonora. Para quem gosta de musicais, é obrigatório – embora a interpretação de Harris seja algo afetada demais.

 

(não percam as próximas aventuras dos cavaleiros de Arthur na continuação deste post)

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