Netflixing: Sete Psicopatas e um Shih Tzu (Seven Psychopaths, 2012)
Pegue a violência extrema como instrumento de sátira, a moda Tarantino. Misture com um estilo visual e escolha de cenários que lembram os irmãos Coen. Dose com pitadas de neurose Woddy Allen e surrealismo David Lynch. E temos a receita para Sete psicopatas e um Shih Tzu.
Gênero: Comédia
Direção: Martin McDonagh
Roteiro: Martin McDonagh
Elenco: Abbie Cornish, Amanda Mason Warren, Andrew Schlessinger, Ante Novakovic, Ben L. Mitchell, Bonny the ShihTzu, Brendan Sexton III, Christian Barillas, Christine Marzano, Christopher Gehrman, Christopher Walken, Colin Farrell, Frank Alvarez, Gabourey Sidibe, Harry Dean Stanton, Helena Mattsson, James Hébert, Jamie Noel, John Bishop, Johnny Bolton, Joseph Lyle Taylor, Kevin Corrigan, Kiran Deol, Linda Bright Clay, Lionel D. Carson, Long Nguyen, Lourdes Nadres, Michael Pitt, Michael Stuhlbarg, Olga Kurylenko, Patrick O’Connor, Richard Wharton, Ricky Titus, Ronnie Gene Blevins, Ryan Driscoll, Sam B. Lorn, Sam Rockwell, Samantha Cutaran, Sandy Martin, Scott Anthony Simmons, Tai Chan Ngo, Todd Weeks, Tom Waits, Woody Harrelson, Zeljko Ivanek
Produção: Graham Broadbent, Martin McDonagh, Peter Czernin
Fotografia: Ben Davis
Trilha Sonora: Carter Burwell
Duração: 109 min.
Ano: 2012
País: Reino Unido
Cor: Colorido
Estreia: 04/01/2013 (Brasil)
Distribuidora: Paris Filmes
Estúdio: Blueprint Pictures
Classificação: 14 anos
Sinopse: Um roteirista de Hollywood está com bloqueio criativo e não consegue escrever uma linha de seu novo projeto: Sete psicopatas. Mas recebe ajuda de um amigo, ator fracassado e ladrão de cachorros. Infelizmente o último cachorro roubado foi o de um mafioso sedento por vingança.
Nota do Razão de Aspecto:
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Depois da maratona do Oscar, onde na prática a Academia definiu os filmes que eu assisti durante mais de um mês,  decidi assistir filmes sem motivo, pesquisa ou indicação, por impulso mesmo.
E ontem, passeando aleatoriamente pela Netflix, trombei com Sete psicopatas e um Shih Tzu. Apesar de não conhecer o diretor (não, eu nunca tinha ouvido falar de Na mira do chefe, longa de estréia de Martin McDonagh, filme que agora está na minha lista), o elenco chamou bastante atenção, e sem pensar duas vezes comecei a assistir. Dois minutos depois dei pausa e fui chamar minha namorada: ela tinha que ver o filme comigo.
Sete psicopatas e um Shih Tzu foi feito por quem entende de cinema, para quem ama cinema. Só pela sinopse vemos que o personagem principal está escrevendo o roteiro do filme que iremos assistir, ou seja, dá para perceber que o tema central é a metalinguagem. E já na cena inicial podemos perceber o tom do filme: começa com o letreiro de Hollywood, e temos uma discussão que fala de O poderoso chefão, diferença entre realidade e ficção, e temas como máfia, violência e surrealidade.
O filme abusa, no bom sentido, dos clichês e estereótipos. A narrativa é bem solta, segue quase em um fluxo de consciência, e McDonagh se permite não se preocupar muito com ser absurdo. A falta de coerência, o absurdo, no entanto não são erros, mas uma forma de desconstruir o que tipicamente esperamos de um filme, e o resultado é hilário.
Colin Farrel (de O lagosta e Animais Fantásticos) contracena com Sam Rockwell (do excelente Lunar), perfazendo a dupla de protagonistas. A química e o timing deles está excelente. O contraste do escritor neurótico de Farrel e do alucinado “sem filtro” de Rockwell funciona muito bem. Woody Harrelson (de Zombieland e Onde os fracos não tem vez) é o antagonista, um chefe mafioso raivoso, intimidador, e ao mesmo tempo patético. Mas quem rouba a cena mesmo é Christopher Walken (de O franco atirador), que esbanja talento interpretando um ladrão de cachorros decadente, profundamente religioso, e com um terrível segredo. De quebra ainda temos uma fantástica participação de uma das vozes mais sinistras da humanidade: Tom Waits faz uma pequena, mas sinistra ponta, com sua voz inconfundível.
A escolha do cenário, Los Angeles e seu deserto, e o uso da fotografia para reforçar os clichês a serem satirizados, a trilha sonora típica mas deslocada, as diversas camadas e subtramas fazem sua cabeça girar a todo instante e ser surpreendido com as reviravoltas e até mesmo em como narrativas ruins podem ser cativantes.
O filme funciona como entretenimento, mas vai muito além disto, sendo também uma bela crítica a Hollywood e seus atalhos e abusos. Filme leve e ao mesmo tempo cerebral. Agora é hora de ver outros filmes do McDonagh, e torcer para que este não seja apenas um momento de brilhantismo. E fique após os créditos.
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