Personal Shopper (2016) – Crítica
Personal Shopper é pior que Crepúsculo….
Gênero: Drama
Direção: Olivier Assayas
Roteiro: Olivier Assayas
Elenco: Abigail Millar, Anders Danielsen Lie, Audrey Bonnet, Aurélia Petit, Benjamin Biolay, Benoit Peverelli, Dan Belhassen, David Bowles, Fabrice Reeves, Hammou Graïa, Khaled Rawahi, Kristen Stewart, Lars Eidinger, Leo Haidar, Nora von Waldstätten, Pamela Betsy Cooper, Pascal Rambert, Sigrid Bouaziz, Ty Olwin
Produção: Charles Gillibert
Fotografia: Yorick Le Saux
Montador: Antoinette Boulat
Duração: 105 min.
Ano: 2016
País: França
Cor: Colorido
Estreia: 09/03/2017 (Brasil)
Estúdio: arte France Cinéma / CG Cinéma / Detailfilm / Poisson Rouge Pictures / Scope Pictures / Sirena Film / Vortex Sutra
Classificação: 18 anosSinopse: Maureen (Kristen Stewart) é uma jovem americana que mora em Paris e trabalha como personal shopper para uma celebridade local. Ela também tem uma capacidade de ver e falar com mortos. A moça dividia esse dom com seu irmão, recém-falecido, que parece estar querendo enviar uma mensagem para o mundo dos vivos.

(Há uma dose de spoiler no trailer, contudo ele dá uma parte do tom do filme)

 

 

Nota do Razão de Aspecto:

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Kristen Stewart ficou marcada por protagonizar uma das franquias mais famosas para o público teen, a “saga” Crepúsculo. Atuação sofrível em um filme de baixa qualidade estigmatizaram a atriz. Contudo, ela já provou que é bem melhor, vide trabalhos como o recente Café Society, de Woody Allen ou no Acima das Nuvens, do mesmo diretor de Personal Shopper. O repeteco da dobradinha, porém, falha miseravelmente.

 

Ela não é propriamente o grande problema do longa, mas como está praticamente 100% do tempo em tela é difícil não botar na conta dela parte da culpa. Mesmo não sendo um desastre, alguns maneirismos e a falta de carisma se sobressaem. Quem realmente não pode ser isento é o diretor e roteirista Olivier Assayas. Há uma grande dificuldade em estabelecer um norte na narrativa: drama, fantasia, terror, suspense, todos atropelados.

Os caminhos pareciam promissores. A tentativa de encontro espiritual com o irmão gêmeo falecido gera uma boa cena de terror. A relação de insatisfação no trabalho e de ter uma chefe complicada tem potencial de empatia. A busca pela identidade é um tema dramático recorrente. No fim, contudo, o resultado é só um embuste. O que caminhava aos tropeços termina do jeito mais cretino possível.

Narrativamente há problemas, mas a montagem grita “eu quero ser a pior montagem do ano” o tempo inteiro. Fade outs mal feitos, frases cortadas antes do fim, uma falta de ritmo, os diversos cenários que são mostrados geram transições truncadas e a insistência em certas cenas… realmente esse quesito é um desastre em Personal Shopper (ou seja: é um desastre dentro do desastre).  O pior: há uma certa explicação para essas opções, ainda assim é uma opção ruim – além de cansativo, o recurso faz a experiência ao longo do filme ficar intragável.
Não como falar de Personal Shopper sem mencionar o famigerado “arco” do sms. Em um dado momento a protagonista Maureen Cartwright (Kristen Stewart) tem uma conversa via mensagem de texto. O problema é que tal conversa se prolonga por vários e vários minutos (ou horas?) em tela. É inacreditável que ela dê corda para o interlocutor e mais inacreditável ainda que a direção optou por repetir a exaustão a ferramenta. Quando não está nesse papo interessantíssimo, Maurren está experimentando vestidos e acessórios caros – em uma monotonia até para os admiradores do canal que vende jóias de madrugada na TV…


Um outro diálogo em especial me chamou a atenção negativamente. Uma explicação de como funciona a mediunidade é trabalhada da seguinte maneira: “vamos parar o filme, dizer coisas óbvias e dar uma importância gigante para tal momento”. Essa exposição é mais um elemento que exemplifica a falta de ritmo e de como somos tratados como idiotas.

No contexto geral, os bons poucos momentos de suspense e terror são imediatamente enfraquecidos pelo que vem a seguir. Os diálogos e cenários são explorados de maneira torta. Acho que só faltou a personagem usar um foguete, vemos uns 150 tipos de transporte e perde-se um tempo inacreditável neles – momentos que ocorrem um grande nada. Pretensioso, pseudointimista, bobo, desleixado, sem foco: sim, Kristen Stewart conseguiu ter um projeto pior que Crepúsculo.

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