BugiGangue no Espaço (2017) – Animação Brasileira – Crítica

 

BugiGangue no Espaço é repleto de referências à cultura pop, mas tem pouco além disso…
 

 

Gênero:

Animação

Direção: Alê McHaddo
Roteiro: Alê McHaddo
Elenco: Charles Emmanuel, Claúdio Galvan, Danilo Gentili, Guilherme Briggs, Jullie, Luisa Palomanes, Luiz Carlos Persy, Maísa Silva, Mariângela Cantú, Mário Monjardim, Rogerio Morgado, Sérgio Stern, Sylvia Salustti, Wirley Contaifer
Produção: Alê McHaddo
Duração: 90 min.
Ano: 2016
País: Brasil
Cor: Colorido
Estreia: 23/02/2017 (Brasil)
Distribuidora: Imagem Filmes
Estúdio: 44 Toons Produções Artísticas LTDA
Classificação: Livre

Sinopse:
 O malvado alienígena Gana Gobler dominou a Confederação, fazendo com que sete jovens aliens fujam para a Terra. Aqui, eles encontram outras sete pessoas e juntos seguem em missão para resgatar sua terra natal e unir terráqueos e extraterrestres.


Nota do Razão de Aspecto: 

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Animações nacionais, por vários motivos, são raras no circuito. Sucessos como O Menino e o Mundo, que chegou no Oscar, são ainda menos comuns. BugiGangue no Espaço vem para tentar preencher essa lacuna (é gostoso ouvir os nomes dos personagens “Gustavinho” e “Fefa” e sentir a brasilidade ali). Contudo, falhas de diversas naturezas marcam a obra e deixam um sabor muito amargo.
O primeiro impacto é na qualidade visual. Os cenários, principalmente ao fundo, repetitivos e chapados fazem o todo perder pontos nesse quesito tão importante. E a animação dos personagens é inconstante e deficitária. O público acostumado aos traços da Disney/Pixar irá sentir o olho pesando.Esse fator, com alguma boa vontade, ficaria em segundo plano e seria, até certo ponto, relevado ao levar em conta questões financeiras. Para tal, um roteiro forte e uma direção firme sustentariam aquele problema técnico. Porém, os principais problemas residem exatamente em escolhas da trama e composição dos personagens, além de uma falta de viço por parte da direção. Alê McHaddo foi o responsável pelas duas funções e aqui não conseguiu mostrar desenvoltura.

Há um misto entre esteriótipo e clichê. Um grupo heterogêneo de crianças é obrigado a trabalhar junto de forma muito inverossímil. Temos o gordão desajeitado, os nerds, a patricinha, a irmã chata… não há o mínimo de camadas. Cada um tem uma única característica. O mesmo se aplica ao seres extra-terrestres: um irritante personagem altamente caricatural, um grupo de potenciais minions, o caipira (que lembra mais um Texano do que o nosso sertanejo) e um vilão genérico não ajudam em nada…

A narrativa sofre também com uma falta de foco. Há momentos bem infantis, como nos tombos que unem o grupo, e outras que ficam maçantes para os pequenos, com papo de confederação… Falta piada, bons diálogos e melhores transições na história – o final é quase um pós-crédito, parecem que lembraram de repente que precisaria fechar o arco principal. Aí não há falta de dinheiro que justifique…

A dublagem foi vendida com dois nomes chamativos da TV: Danilo Gentili e Maísa Silva. Há uma boa piada, não sei se intencional, com o personagem Gustavinho (dublado por Gentili): “você não vai salvar o mundo com piadas ruins”. Participam, entre outros, os mestres Guilherme Briggs e Mário Monjardim, infelizmente a divulgação não tem focado neles.Na tentativa de causar uma empatia com o público adulto, a muleta usada é a da referência. Os criadores de conteúdo precisam entender que é tentador usar tal artifício (dado que cada vez mais temos outras obras para referenciar), mas só isso não garante coisa alguma.

Easter eggs completamente aleatórios do Mário e do Seu Madruga estão lado a lado com o chupa-cabra e o E.T. de Varginha. Além de uma menção implícita ao criador da bomba atômica. Isso sem falar na óbvia citação à Star Wars: o cabelo da Princesa Leia, o Mestre Ioda e as naves da série.

Ou seja: uma salada que tenta empurrar goela abaixo que estamos vendo um filme cool. Mas que no fim, serve apenas para disfarçar o vazio do roteiro. Momentos como os personagens jogando vídeo-game, colecionando miniaturas ou simplesmente andando de bicicleta são muito mais efetivos aqui – pena que pouco explorados. Vale a ressalva que a aparição do E.T. do Spielberg funciona, ainda assim, a repetição da piada cansa.Aliás, BugiGangue no Espaço cansa como um todo. Adultos ficarão entediados e as crianças até podem se identificar com uma ou outra coisa, mas pela reação dos pequenos na sala imagino que não atinja nem esse público. Resta lamentar e torcer que outras produções com mais qualidade sejam feitas, com dó no coração aponto os defeitos aqui…

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