A MAIOR GAFE DA HISTÓRIA: COMENTANDO OS VENCEDORES DO OSCAR 2017 – INCLUSIVE LA LA LAND

 

A 89ª edição do Oscar rendeu um dos momentos mais marcantes desses quase noventa anos ao anunciar a premiação de melhor filme. Uma confusão de envelopes trocados, uma saia justa para os apresentadores e uma falta de presença de espírito resultaram na catástrofe: La La Land foi anunciado vencedor de modo equivocado. O prêmio na realidade seria de Moonlight, surpresa geral e que tornará a morna cerimônia a mais comentada da história.
Para além de número musicais irregulares, piadas boas e ruins, vestidos e discursos políticos, qual o balanço cinematográfico da noite? Vamos comentar prêmio a prêmio (clicando no título você ver a nossa crítica completa dos filmes):
Melhor filme

 

Vencedor: La La, ops: Moonlight: Sob a luz do luar

 

Indicados:


A Chegada
Comentário: farra à parte, La La Land é um grande filme e Moonlight também. Pode ser uma novidade espetacular, mas é possível gostar dos dois longas (e também de A Chegada, A Qualquer Custo, Manchester…). Moonlight vinha com poucos prêmios, apenas ator coadjuvante e roteiro, ao contrário do musical que já tinha levado 6. Curiosidade: tal qual em 2016, o filme que levou o primeiro prêmio também ficou com a categoria de melhor filme.
Melhor diretor

 

 

Vencedor: Damien Chazelle (“La la land – Cantando estações“)


Indicados: 
Damien Chazelle (“La la land – Cantando estações“)

 

2-Dennis Villeneuve (“A chegada“)
3- Mel Gibson (“Até o último homem“)
4- Barry Jenkins (“Moonlight: Sob a luz do luar“)

 

5-Kenneth Lonergan (“Manchester à beira-mar“)
Comentário: Bola cantada há algum tempo, após vencer a disputa nos principais sindicatos – que servem como base para o Oscar. Prêmio justo pela difícil e bem executada direção. O plano inicial já dava o tom do que seria o filme. Curiosidade: diretor mais novo a levar o prêmio, com apenas 32 anos.
Melhor ator

 

Vencedor: Casey Affleck (“Manchester a beira mar”)

 

Indicados: 

 

Viggo Mortensen (“Capitão Fantástico“)
Casey Affleck (“Manchester a beira mar”)
Denzel Washington “Um Limite Entre Nós“)
Andrew Garfield (“Até o Último Homem”)
Comentário: Bela disputa que ficou mais acirrada após a vitória de Denzel no SAG e das acusações contra o favorito Casey Affleck. Contudo, os fatores extra não afetaram a votação final e o belo trabalho do “irmão do Batman” foi reconhecido. A contida interpretação e a icônica cena do muro são destaques. Curiosidade: o irmão Ben Affleck, apesar de ter o Oscar pela direção em Argo, nunca foi sequer indicado em ator. Feito que o irmão mais novo agora não só superou, como o fez levando mais uma estatueta para casa.
Melhor atriz

 

Vencedora: Emma Stone (“La La Land – Cantando estações“)

 

Indicadas: 


Isabelle Huppert (“Elle“)
Meryl Streep (“Florence: Quem é essa mulher?“)

 

Ruth Negga (“Loving“)

 

Natalie Portman (“Jackie“)

 

Comentário: Outra que era favorita, mesmo sem ser a preferida da crítica – principalmente a internacional. Stone tem carisma, sapateou, cantou e emocionou. E a vitória dela acabou sendo o ponto de partida para a confusão na categoria de melhor filme… Curiosidade: A francesa Isabelle Huppert era o voto de muitos, mas raramente uma atriz não americana leva, apenas três vezes na história isso ocorreu.
Melhor ator coadjuvante

 

Vencedor: Mahershala Ali (“Moonlight: Sob a luz do luar“)

 

Indicados: 


Mahershala Ali (“Moonlight: Sob a luz do luar“)
Jeff Bridges (“A qualquer custo“)
Lucas Hedges (“Manchester à beira-mar“)
Michael Shannon (“Animais noturnos“)

 

Dev Patel (“Lion: Uma jornada para casa”)

 

Comentário: O primeiro prêmio da noite foi para o filme que venceria a categoria principal. Mahershala Ali participa de um terço de Moonlight, contudo a presença dele reverbera no filme todo. Ele era o favorito e levou com justiça. Curiosidade: primeiro ator mulçumano a vencer.
Melhor atriz coadjuvante

 

Vencedora: Viola Davis (“Um Limite Entre Nós“)

 

Indicadas: 


Viola Davis (“Um Limite Entre Nós“)
Michelle Williams (“Manchester à beira-mar“)

 

Naomi Harris (“Moonlight: Sob a luz do luar“)
Octavia Spencer (“Estrelas além do tempo“)

 

Nicole Kidman (“Lion: Uma jornada para casa”)
Comentário: Outra que vinha ganhando tudo na temporada e já era dada como certa a vitória no Oscar. Viola Davis teve tanta força que alguns a consideraram atriz principal e não coadjuvante. Curiosidade: primeira vez que três atrizes negras são indicadas em uma categoria de atuação.
Melhor roteiro original
Vencedor: Kenneth Lonergan (“Manchester à beira-mar“)
Indicados: 
Yorgos Lanthimos e Efthimis Filippou (“O lagosta”)

 

Taylor Sheridan (“A qualquer custo“)
Kenneth Lonergan (“Manchester à beira-mar“)

 

Damien Chazelle (“La la land – Cantando estações“)
Mike Mills (“20th century woman”)

 

Comentário: Único prêmio do Manchester além da vitória de Casey como ator. O roteiro é muito tocante e traz uma história tão palpável e triste que realmente seria errado dizer que foi um prêmio injusto. Curiosidade: Manchester, tal como Moonlight, levou uma categoria de ator e de roteiro, a diferença entre os dois longas foi “só” o prêmio principal.
Melhor roteiro adaptado

 

Vencedor: Barry Jenkins (“Moonlight: Sob a luz do luar“)

 

Indicados: 

 

Eric Heisserer (“A Chegada“)
Barry Jenkins (“Moonlight: Sob a luz do luar“)
August Wilson (“Um Limite Entre Nós“)
Allison Schroeder e Theodore Melfi (“Estrelas além do tempo“)
Luke Davies (“Lion: Uma jornada para casa“)
Comentário: Moonlight tem um grande estudo de personagem e consegue abordar temas como racismos e homossexualidade sem soar panfletário ou maniqueísta. Grande parte da força do filme está no texto. Curiosidade: repetiu 2016 quando o melhor filme também levou melhor roteiro.
Melhor fotografia

 

Vencedor: Linus Sandgren (“La la land – Cantando estações“)

 

Indicados: 

 

Bradford Young (“A Chegada“)
Linus Sandgren (“La la land – Cantando estações“)
Greig Fraser (“Lion: Uma jornada para casa“)
Rodrigo Prieto (“Silêncio”)
Comentário: A iluminação em La La Land é sem dúvida um dos destaques, além de ganhar o público pelo ouvidos, LLL encanta pelos olhos. Reparem nos foco de luz ou então na icônica cena da ponte, ou ainda no horizonte quando o casal sapateia junto… Prêmio justo para o favorito.
Melhor animação

 

 
Vencedor: Zootopia”

 

Indicados: 
Comentário: Encantando multidões ao trazer uma metáfora para o racismo e a questão dos imigrantes. Belo design de produção – os responsáveis claramente se divertiram ao criarem um mundo complexo. Mistura de gênero, e funcionando em todos… Vitória já vinha se consolidando há algum tempo. Curiosidade: Zootopia foi a 4ª maior bilheteria de 2016.
Melhor filme em língua estrangeira

 

 
Vencedor: O apartamento” – Irã

 

Indicados: 

 

“Terra de minas” – Dinamarca
O apartamento” – Irã
Toni Erdmann” – Alemanha

 

“Um homem chamado Ove” – Suécia“Tanna” – Austrália

 

 

Comentário: O Apartamento é tenso e intenso. Do já vencedor do Oscar Asghar Farhadi, o longa tem muitos méritos e venceu competidores excelentes – tanto os da lista final, quanto aqueles que ficaram pelo caminho. Curiosidade: a vitória ganhou MUITA força após o Presidente Trump proibir a entrada de iranianos nos EUA, o voto de protesto era quase certeiro.
Melhor documentário

 

 
Vencedor: “O.J. Made in America”

 

Indicados: 

 

“Life, animated”
“Fogo no Mar”
“O.J. Made in America”
Comentário: Reduzir (e que palavra irônica aqui…) o filme a somente “o documentário de 7h45” é muita injustiça. O impacto de mini série transformada em filme foi capaz de vencer competidores fortíssimos que tratam de temas igualmente importantes na, talvez, melhor categoria do Oscar 2017
Melhor montagem

 

 
Vencedor: John Gilbert (“Até o último homem“)

 

Indicados: 

 

Joe Walker (“A chegada“)

 

Nate Sanders e Joi McMillan (“Moonlight: Sob a luz do luar”)
John Gilbert (“Até o último homem“)
Jake Roberts (“A qualquer custo”)

 

Comentário: Um pouco de surpresa aqui. Mas sem dúvidas uma categoria também muito forte, com 5 dos melhores filmes da temporada. A Chegada se sustenta muito a partir da montagem e La La Land tem uma difícil tarefa nesse quesito, ambos eram favoritos. Curiosidade: nos últimos quatro anos quem levou Melhor Montagem NÃO levou o Oscar de Melhor filme… Se o teu filme ganhar essa categoria ano que vem, sugiro devolver o prêmio 😉
Melhor design de produção

 

 

 

Indicados: 
A Chegada

 

Cometário: O vareio nas categorias não aconteceu, mas um dos prêmios justos que La La Land levou foi aqui, em Design de Produção. Categoria disputada, com duas obras que trazem um conjunto de época e duas que evocam algo mais futurista. Levou La La Land, que brinca com o passado e o presente.
Melhor cabelo a maquiagem

 

 
Vencedor: Alessandro Bertolazzi, Giorgio Gregorini e Christopher Nelson (“Esquadrão Suicida“)

 

Indicados: 
Joel Harlow e Richard Alonzo (“Star Trek: Semfronteiras“)
Alessandro Bertolazzi, Giorgio Gregorini e Christopher Nelson (“Esquadrão Suicida“)Eva Bahr e Love Larson (“Um homem chamado Ove”)
Comentário: Apesar de cabelo e maquiagem não serem o problema de Esquadrão Suicida, a vitória surpreendeu a muitos. Agora os fãs da DC irão falar o resto do ano sobre como os “rivais” da Marvel não tem um Oscar e o super criticado Esquadrão Suicida, sim…
Melhor figurino

 

 
Vencedor: Colleen Atwood (“Animais fantásticos e ondehabitam“)

 

Indicados: 

 

Mary Zophres (“La la land: Cantando estações“)

 

Colleen Atwood (“Animais fantásticos e ondehabitam“)
Madeline Fontaine (“Jackie“)

 

Joanna Johnston (“Aliados“)
Consolata Boyle (“Florence: Quem é essa mulher?“)

 

Comentário: Nenhum absurdo indicado, 5 filmes com roupas exuberantes que retratam bem os respectivos períodos. Se a franquia Harry Potter não levou nenhum Oscar nos oito filmes da saga, o spin off já marca a história com a primeira vitória para o mundo bruxo.

 

Melhores efeitos visuais
 
Vencedor: Robert Legato, Adam Valdez, Andrew R. Jones and Dan Lemmon (“Mogli: O menino lobo”)

 

Indicados: 

 

Stephane Ceretti, Richard Bluff, Vincent Cirelli e Paul Corbould (“Doutor Estranho“)
Robert Legato, Adam Valdez, Andrew R. Jones and Dan Lemmon (“Mogli: O menino lobo”)
John Knoll, Mohen Leo, Hal Hickel e Neil Corbould (“Rogue One: Uma história Star Wars”)

 

Steve Emerson, Oliver Jones, Brian McLean e Brad Schiff (“Kubo e as cordas mágicas“)
Craig Hammack, Jason Snell, Jason Billington e Burt Dalton (“Horizonte Profundo“)
 
Comentário: Muitos perguntaram onde foi filmado Mogli…. a resposta é assustadora: em um estúdio… Praticamente tudo ali, toda aquela floresta e fauna, são resultados de um trabalhoso e brilhante serviço de efeitos visuais. Recomendo ver o making off para terem a noção da grandiosidade do resultado. 
Melhor canção original

 

 
Vencedor: “City of stars” (“La la land – Cantando estações“); música de Justin Hurwitz e letra de Benj Pasek e Justin Paul

 

Indicados: 

 

“City of stars” (“La la land – Cantando estações“); música de Justin Hurwitz e letra de Benj Pasek e Justin Paul

 

“Audition (The fools who dream)” (“La la land – Cantando estações“); música de Justin Hurwitz e letra de Benj Pasek e Justin Paul
“How far I’ll go” (“Moana: Um mar de aventuras“); música e letra Lin-Manuel Miranda
“The empty chair” (“Jim: The James Foley Story”); música e letra de J. Ralph e Sting
“Can’t stop the feeling” (“Trolls”); música e letra de Justin Timberlake, Max Martin e Karl Johan Schuster

 

Comentário: qual música você saiu assobiando da sessão e com certeza ouviu umas 100 vezes seguidas?
Melhor trilha sonora

 

 
Vencedor: Justin Hurwitz (“La la land – Cantando estações“)

 

Indicados: 

 

Justin Hurwitz (“La la land – Cantando estações“)

 

Micha Levi (“Jackie“)
Thomas Newman (“Passageiros“)

 

 

Comentário: Apesar da força de Jackie e Moonlight nesse quesito (e também do desclassificado A Chegada), La La Land era franco favorito.
Melhor edição de som

 

 
Vencedor: Sylvain Bellemare (“A chegada“)

 

Indicados: 

 

Ai-Ling Lee and Mildred Iatrou Morgan (“La la land:Cantando estações“)

 

Robert Mackenzie e Andy Wright (“Até o último homem“)
Alan Robert Murray e Bub Asman (“Sully: O herói do rio Hudson”)
Sylvain Bellemare (“A chegada“)

 

Renée Tondelli (“Horizonte Profundo“)
Comentário: Os sons dos ETs realmente eram algo de outro mundo em A Chegada. Uma grata surpresa onde La La Land World era favorito.
Melhor mixagem de som

 

 
Vencedor: Kevin O’Connell, Andy Wright, Robert Mackenzie e Peter Grace (“Até o último homem“)

 

Indicados: 

 

Kevin O’Connell, Andy Wright, Robert Mackenzie e Peter Grace (“Até o último homem“)
Andy Nelson, Ai-Ling Lee and Steve A. Morrow (“La la land – Cantando estações“)
David Parker, Christopher Scarabosio e Stuart Wilson (“Rogue One: Uma história Star Wars”)
Bernard Gariépy Strobl e Claude La Haye (“A chegada“)
Greg P. Russell, Gary Summers, Jeffrey J. Haboush e Mac Ruth (“13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi“)
Comentário: A tradição de premiar filmes de guerra em Mixagem de Som se confirmou. O que poderia resultar em um ruído sonoro no front se tornou uma impactante orquestra.

 

Melhor documentário em curta-metragem

 

Vencedor: Os Capacetes Brancos

 

Indicados: 

 

Extremis
“41 miles”
“Joe’s violin”

 

“Watani: My homeland”
Comentário: cercado de polêmica, Os Capacetes Brancos foram acusados de retratar uma realidade que não era totalmente verdade. A curiosidade fica por conta de ser a primeira vitória da Netflix

 

.

 
Melhor curta-metragem

 

 


Vencedor: “Sing”


Indicados: 

 

“Ennemis Intérieurs”
“La femme et le TGV”
“Silent night”
“Sing”
“Timecode”

 

Comentário: Momento Glória Pires, não vi os indicados, e sou incapaz de opinar…

 

Melhor curta-metragem de animação
 
Vencedor: “Piper”

 

Indicados: 


“Blind Vaysha”
“Borrowed time”
“Pear Cider and Cigarettes”
“Pearl”
“Piper”

 

Comentário: o hiper realismo de Piper quase o classifica como um curta em live action… brincadeiras à parte, Piper será referência na parte visual, além de ter uma singela história.
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O que acharam das premiações? Como vocês foram nos bolões? E a gafe na premiação? Deixem aí nos comentários as impressões de vocês…

 

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