UM LIMITE ENTRE NÓS (FENCES, 2016) – CRÍTICA
 
Um limite entre nós oferece como grande atração 
as atuações de seu elenco.
Gênero: Drama
Direção: Denzel Washington
Roteiro: August Wilson
Elenco:  Denzel Washington, Viola Davis, Stephen Henderson, Benjamin Donlow, Jovan Adepo, Russell Hornsby, Mykelti Williamson.
Produção: Denzel Washington, Scott Rudin, Todd Black
Fotografia: Charlotte Bruus Christensen
Montador: Hughes Winborne
Duração: 139 min.
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 02/03/2017 (Brasil)
Distribuidora: Paramount Pictures
Estúdio: MACRO / Scott Rudin Productions
Classificação: 14 anos
Sinopse: Pai de família negra e pobre do subúrbio de Pittsburgh, nos anos 1950, lida com questões raciais e familiares, ao mesmo tempo em que enfrenta as frustrações de seu próprio passado.
Nota do Razão de Aspecto:
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Escrito pelo dramaturgo estadunidense August Wilson, com base em peça de teatro de sua própria autoria, Um limite entre nós é dirigido e estrelado por Denzel Washington, em sua terceira incursão no comando de um longa-metragem. Acompanha o astro o mesmo elenco da montagem teatral de 2010, que inclui Viola Davis, Stephen Henderson, Jovan Adepo, Russel Hornsby e Mikelti Williamson.
A trama se concentra em Troy Maxson (papel que já foi vivido no teatro por James Earl Jones) e sua família. Maxon trabalha como lixeiro na Pittsburgh da década de 1950. Tendo sido um excelente jogador de beisebol na juventude, Maxon culpa o fato de ser negro pela falta de oportunidades para seguir carreira. Sua vida se resume a trabalhar, conversar com seu grande amigo Bono (Henderson) no quintal de casa e lidar com a família: sua mulher, Rose (Davis), é o ponto de equilíbrio da casa; seu filho Cory quer tentar carreira no futebol americano, o que o coloca em choque direto com o pai; seu outro filho, Lyons, é músico, e se recusa a arrumar “emprego normal”; e há ainda Gabe, irmão de Troy, um veterano de guerra que teve um ferimento na cabeça e conjuga insanidade e bom coração.
Falastrão, contador de histórias e homem de personalidade forte, Troy é um personagem que oferece a seu intérprete várias oportunidades de monólogos que incluem dramas familiares, críticas sociais e raciais aos Estados Unidos e histórias de pescador. O texto da peça é muito bom, as relações entre os personagens vão se desvelando aos poucos e com qualidade. Nenhum dos seis é estereotipado ou monofacetado, o que permite aos atores mostrar todo o repertório de seu talento. Não é por acaso que Washington foi indicado ao Oscar de Melhor Ator, e que Viola Davis concorre como Atriz Coadjuvante ao mesmo prêmio. Qualquer um dos dois (ou ambos) que venha a ganhar terá merecido.
As metáforas envolvendo a cerca que dá título original ao filme e à peça (“Fences”) funcionam em vários significados, que envolvem desde a proteção da família das influências externas até construção de cercas emocionais entre as pessoas, por preservação, por medo ou até pelo cotidiano, sem que se perceba.
Entretanto, há pelo menos uma característica que retira parte da qualidade do filme como Cinema: na transposição da obra para o cinema, os realizadores preservaram demais a linguagem teatral. Boa parte do filme se passa em um ou dois cenários da casa da família Maxon. Longos monólogos, típicos do teatro, acabam se tornando algo desencaixados da linguagem cinematográfica, por mais que seus atores os interpretem de forma magistral. Há referências a outros locais e a outros personagens, mas nunca chegamos a vê-los. Eles ficam na cochia do filme, fora das telas. Fala-se muito, e mostra-se pouco – e isso é uma lógica do teatro, não do cinema. Um pequeno enxugamento no primeiro e no terceiro atos, além disso, fariam bem ao roteiro do filme.
Um limite entre nós vale pelas excelentes atuações do elenco e pela ambientação emocional e social que envolve seus personagens. Peca por ter se esquecido, em parte, de ser cinema. Talvez um diretor um pouco menos envolvido com a peça teatral pudesse ter oferecido um olhar menos respeitoso com o material original – o que, neste caso, faria bem ao filme.
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