INTERNET – O FILME (2017) – CRÍTICA

 

Internet – O Filme reúne várias “estrelas” do mundo da internet, mas consegue ser pior que o filme da Kéfera, o É Fada….

 

 

Gênero: Comédia

Direção: Filippo Capuzzi Lapietra
Roteiro: Rafinha Bastos
Elenco: Cauê Moura, Felipe Castanhari, Mauro Nakada, Mr. Catra, Paulinho Serra, PC Siqueira, Rafael Cellbit, Rafinha Bastos
Ano: 2016
País: Brasil
Cor: Colorido
Estreia: 23/02/2017 (Brasil)
Distribuidora: Paris Filmes
Estúdio: Paris Produções
Classificação: 10 anos
Sinopse: Internet – O filme é uma coletânea e oito esquetes retiradas das redes sociais. Em uma convenção de youtubers, os personagens entram em vários conflitos uma vez que todos eles estão em busca da fama a qualquer preço.

 

Nota do Razão de Aspecto:

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O YouTube é a nova TV. E como tal, gera ídolos e um frenesi do público – lembrando que o mesmo acontecia anos atrás com a televisão, então nada assustador ou alguma novidade… O cinema querer aproveitar esse nicho não é problema. E mesmo aqueles que veem com maus olhos não podem negar que é uma realidade. Porta dos Fundos no decepcionante Contrato Vitalício, Kefera Buchmann com o feito às pressas É FadaChristian Figueiredo no honesto Eu Fico Loko são os exemplos anteriores – de qualidades e propostas bem diferentes, mas com um alvo claro.
E isso de ter um público certeiro também não é, a priori, um algo negativo. Contudo, não isenta a produção de ter que fazer um longa coerente e que siga minimamente as regras cinematográficas. Internet – O Filme traz dois problemas já no título: 1) a necessidade de explicar que aquilo é um filme (como se a sala escura, a pipoca e o ingresso caro não bastassem para eu descobrir sozinho) e 2) Falta muito para o que vi em tela ser um filme, principalmente no que tange à narrativa.

Internet – O Filme

é apenas um amontoado de mini arcos cuja única conexão é estarem no mesmo ambiente. Não houve uma preocupação em ligar os personagens de maneira orgânica ou sequer de apresentar uma história com fio condutor. É um filme com várias subtramas e sem uma trama. Nesse sentido o É Fada, apesar de uma série de problemas na pós-produção, pelo menos tenta contar uma história.Temos aqui duas amigas que estão lá por acaso, um Youtuber arrogante, um casal que vira os queridinhos do público, um cachorro deprimido (?!?!), uma ameaça de sequestro, uma aposta bizarra e Rafinha Bastos sendo babaca – sim no fim, ao ver os créditos e perceber que Rafinha era o roteirista, entendo que o longa se prestava a um apelo para provar como ele ERA um “cuzão” (como é definido durante a exibição), mas que tentava a todo custo se redimir… Não à toa o personagem dele é o que mais se aproxima do nome real Cesinha Passos. Enquanto os demais têm personas diferentes das que o público conhece.

Discursos alertando para os males da internet atual, como vazar nudes, a alternância da fama, a valorização do banal ou as subidas em rankings são postos de forma rasa. O de criticar o próprio universo com a personagem Fabi (Gabi Lopes) soa artificial e até hipócrita. Algumas ideias são interessantes, porém caem no esquecimento ante todo o bolo de erros que vemos.

Por exemplo, a cena inicial é em um plano sequência que nos apresenta os personagens. Neste momento, são nomeados os nomes reais daquelas figuras. Isso ajuda quem não conhece a todos ou o filme tem consciência de que o público ali pode não ser só o da internet – algo que poderia ser elogiado. Contudo, nunca mais vemos essa preocupação. As referências são basicamente focadas em quem tem a bagagem anterior (quando não, são piadas preconceituosas e batidas – algumas raras funcionam).
Curioso que o Internet – O Filme, além de reduzir o espectro da internet a um grupo muito pequeno, precisa ainda trazer figuras da televisão para dialogar. Nomes como Raul Gil, Palmirinha e Mr. Catra dão as caras em momentos mais ou menos engraçados, mas muito deslocados e forçados – talvez só a do Catra seja uma sacada um pouco melhor, ainda assim é mal executada.Não acompanho todos os canais e nem sigo todos aqueles presentes em Internet – O Filme (ainda tenho uma vida). Todavia, eu aposto que a maioria deles entrega coisas muito mais criativas do que vimos ali. Dava para aproveitar melhor essa geração do que ser apenas um gigante easter egg de duas horas.
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