A 13ª Emenda (13th, 2016) – CRÍTICA
A 13ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos diz, em sua primeira Seção:
“Não haverá, nos Estados Unidos ou em qualquer lugar sujeito a sua jurisdição, nem escravidão, nem trabalhos forçados, salvo como punição de um crime pelo qual o réu tenha sido devidamente condenado.”
Seria este pequeno trecho, aparentemente inocente, uma forma de manutenção branda da escravatura nos Estados Unidos?
 

Gênero: Documentário

Direção: Ava DuVernay
Roteiro: Spencer Averick, Ava DuVernay
Elenco: Melina Abdullah, Michelle Alexander, Cory Booker, Dolores Canales, Gina Clayton, Jelani Cobb, Malkia Cyril, Angela Davis, entre outros.
Produção: Spencer Averick, Howard Barish
Montador: Spencer Averick
Trilha Sonora: Jason Moran
Duração: 100 min.
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Distribuidora: Netflix


Sinopse: A 13ª Emenda analisa como o combate a criminalidade serviu e serve a classe política americana como um mecanismo de disfarce a opressão aos negros, e como a explosão da população carcerária nos Estados Unidos é sinal de uma perversa continuidade da escravidão e da segregação racial.
Nota do Razão de Aspecto:
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Se, em Extremis, a Netflix tenta levar o Oscar de Melhor Documentário Curta-metragem através da simplicidade, a aposta do serviço de streaming para ganhar a estatueta de melhor documentário longa-metragem é nada simples. A 13ª emenda é um documentário ousado, provocante e impactante, e deixa uma profunda sensação de alarme e revolta em quem assiste.
Ava DuVernay já dirigiu um filme que aborda a questão racial americana, o elogiado Selma, que retrata parte da vida de Martin Luther King. Agora ela volta ao tema, desta vez em forma de documentário, e consegue, de forma impressionante, condensar em 100 minutos um século e meio da história do racismo americano.

 

Apesar de extremamente denso em quantidade de informação, a narrativa nunca perde o ritmo, nem atordoa o espectador. A alternância entre as entrevistas, as filmagens históricas, a narração e os infográficos prende a atenção completamente e, de forma didática, apresenta um poderoso argumento em defesa de uma ideia chocante: a realidade do negro americano pouco mudou desde o fim da escravidão até hoje. Junte isto com a inserção precisa de algumas letras de rap, e temos uma obra de arte de denúncia social como poucas já feitas.
Este discurso extremado é feito de forma contundente, mas séria e calma, sem discursos inflamados ou apelo a emoção. E conseguimos, de modo bem amargo, entender como cidadãos de bem, com reais preocupações com o bem estar de todos, conseguiram conviver com a escravidão ou a segregação como se fossem fatos normais ou necessários. O fato é que nós fazemos algo semelhante hoje.
E note que falei nós. Apesar da história ser um retrato da sociedade norte-americana, e de a realidade brasileira ser bem diversa, infelizmente o ponto central do argumento serve como uma luva para a realidade brasileira atual.
Hoje, boa parte da população brasileira aplaude de pé a ideia de que devemos não apenas retirar a liberdade dos criminosos e proteger a sociedade, mas também puni-los, explorá-los, escravizá-los. A desumanização do criminoso atende a interesses políticos e econômicos nefastos, e, tanto aqui como lá no Tio Sam, a questão racial não pode ser desassociada de como a sociedade enxerga a violência, a criminalidade e as drogas.
Um excelente documentário, um amargo alerta. Na categoria de Melhor Documentário Longa Metragem, temos dois excelentes filmes, que são poderosas denúncias de questões raciais: A 13ª Emenda e Eu não sou seu negro. Não deixa de ser curioso que eles estejam concorrendo com o relato de um negro acusado de homicídio: O. J. Simpson: Made in America.
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