ALIADOS (ALLIED, 2016) – CRÍTICA
Zemeckis tentou realizar algo parecido com aquilo que Demian Chazelle fez em La La Land, porém com menos êxito. Resultou em uma versão “nutella” dos clássicos.
Gênero: Ação
Direção: Robert Zemeckis
Roteiro: Steven Knight
Elenco: Anton Blake, August Diehl, Brad Pitt, Charlotte Hope, Christian Rubeck, Daniel Betts, Graham Curry, Hannah Flynn, Iain Batchelor, Jared Harris, Jason Matthewson, Lasco Atkins, Lizzy Caplan, Marion Bailey, Marion Cotillard, Matthew Goode, Raffey Cassidy, Raphael Acloque, Roman Green, Russell Balogh
Produção: Graham King, Robert Zemeckis, Steve Starkey
Fotografia: Don Burgess
Montador: Jeremiah O’Driscoll, Mick Audsley
Trilha Sonora: Alan Silvestri
Duração: 124 min.
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 16/02/2017 (Brasil)
Distribuidora: Paramount Pictures Brasil
Estúdio: GK Films / Paramount Pictures
Classificação: 14 anos
Sinopse: Em 1942, Max Vatan (Brad Pitt) encontra a combatente da Resistência Francesa Marianne Beausejour (Marion Cotillard), em uma missão mortal atrás das linhas inimigas. Casados e já em Londres, a relação deles é ameaçada pelas pressões extremas da guerra.
Nota do Razão de Aspecto:
 
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Robert Zemeckis na direção de um filme estrelado por Brad Pitt e Marion Cotillard. Não teria como dar errado, mas, certamente, poderia ter tido um resultado melhor.
Aliados não é um filme de guerra, embora se passe durante a II Guerra Mundial. Também não é um filme de espionagem, embora os protagonistas sejam agentes infiltrados nas linhas inimigas. Aliados é um romance que tem como pano de fundo o evento histórico mais significativo da história moderna da humanidade e suas consequências na vida daquelas pessoas.
Aliados faz uma homenagem aos romances clássicos de guerra na fotografia, na estrutura narrativa, na construção dos personagens e na direção de arte. Em alguma medida, pode-se afirmar que Zemeckis tentou realizar algo parecido com aquilo que Damien Chazelle fez em La La Land, porém com menos êxito. Resultou em uma versão “nutella” dos grandes clássicos.
O primeiro ato do filme é o mais problemático, não tanto pela introdução e desenvolvimento dos personagens, mas, principalmente, pela tentativa de recriar os ambientes da mesma forma que se fazia nos anos 1940 e 1950, com o acréscimo do CGI. A Casablanca de Aliados é uma evidente criação em estúdio, um PROJAC, sem o glamour dos clássicos e com certo tom de artificialidade que prejudica a homenagem. Nas cenas que se passam no deserto, o CGI me provocou vergonha alheia, quase reproduzindo os efeitos de projeção traseira dos primeiros filmes de 007. Para uma produção deste nível, trata-se de um trabalho inadmissível, que compromete a experiência e o engajamento do espectador. Este é, sem sombra de dúvidas, o grande defeito de Aliados. Felizmente, quando a narrativa se transfere para o Reino Unido, esses problemas desaparecem, e é possível imergir naquele universo e aproveitar a tensão bem construída do roteiro.Confira também o link com as nossas críticas sobre os indicados das outras categorias

Do segundo ato em diante, Aliados engrena, baseado em um recurso narrativo simples e eficiente: a dúvida. Marianne é mesmo uma espiã? Max foi enganado pela esposa? Os alemães estão infiltrados em Londres? O espectador se identifica com a paranoia de Max e se interessa pela busca da resposta nas 72 horas que restam para o agente britânico evitar a execução de sua esposa. A tensão é real, e Robert Zemeckis, apoiado pela montagem competente de Jeremiah O’Driscoll, Mick Audsley, logrou lembrar, ainda que remotamente, alguns filmes de Hitchcock, especialmente Interlúdio. O desfecho, felizmente, é menos óbvio do que poderia ser – e não confunda o desfecho da trama com o fim do filme, este, sim, um cliché ambulante.
Brad Pitt e Marion Cottilard têm boas atuações, mas nada memorável. O ingrediente mais importante para narrativa funcionou: a química entre os atores. É possível acreditar no amor entre Marianne e Max, consequentemente, é possível sentir a dor e a dúvida de Max.
Aliados é um bom filme de entretenimento, merece a indicação ao Oscar de Melhor Figurino, mas poderia ter sido muito melhor do que é.

 

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