Cinquenta Tons Mais Escuros (2017) – Crítica

Cinquenta Tons Mais Escuros é o melhor filme de comédia do ano….

Gênero: Romance
Direção: James Foley
Roteiro: E.L. James, Niall Leonard
Elenco: Dakota Johnson, Jamie Dornan, Luke Grimes, Rita Ora, Victor Rasuk
Produção: Dana Brunetti, E.L. James, Michael De Luca
Fotografia: John Schwartzman
Montador: Richard Francis-Bruce
Trilha Sonora: Danny Elfman
Duração: 115 min.
Ano: 2017
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 09/02/2017 (Brasil)
Distribuidora: Universal
Estúdio: Universal Pictures
Classificação: 16 anosSinopse: Adaptação do segundo livro da trilogia de E. L. James iniciada em Cinquenta Tons de Cinza (2015). Incomodada com os hábitos e atitudes de Christian Grey (Jamie Dornan), Anastasia (Dakota Johnson) decide terminar o relacionamento e focar no desenvolvimento de sua carreira. O desejo, porém, fala mais alto e ela logo volta aos jogos sexuais do conturbado empresário.


Nota do Razão de Aspecto:

 

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Humor, muito humor, essa é a pegada do novo filme padrão de qualidade Crepúsculo. Infelizmente uma comédia involuntária, advinda de vergonha alheia e incredulidade que alguém tenha produzido aquilo. Quando eles tentam fazer rir o resultado é tédio. Cinquenta Tons Mais Escuros tem tanta coisa e ao mesmo tempo é tão vazio que fica até complicado escrever sobre.
A história central se foca na tentativa do Senhor Cinza de reconquistar a “deslumbrante” Anastasia. Mas focar não é uma palavra aplicável aqui. Há pequenos arcos que são completamente desnecessários e tem zero força dramática. Talvez eles constem no material original (não li o livro), contudo a expressão cinematográfica não precisa seguir à risca.
Esse conceito de adaptação é desconhecido para parte do público, algo perdoável. Contudo os responsáveis pelo roteiro do filme e o diretor deveriam saber…Pensem na utilidade do thriller com a perseguidora misteriosa, do chefe tarado ou dê três adjetivos distintos para os membros da família do Christian Grey, sem contar o preocupante drama aéreo que dura duas cenas.

Se essas subtramas sobram, o cerne de Cinquenta Tons Mais Escuros é desinteressante e mal feito. O primeiro encontro dos protagonistas é totalmente abrupto e a motivação para que ela aceite sair com ele é “estou com fome” (?!?!?!). O desenvolvimento da relação é um belo espécime de roteiro com furos, como no famigerado contrato que vimos antes (aqui apenas implícito, ufa!). Muitas contradições nas ações do personagens como a alternância de forças sem justificativa orgânica. Grey, em parte, tenta se convencer, convencer a amada e convencer o público de que não é possessivo – empreitada na qual falha miseravelmente. Em outros instantes faz a pose do egocêntrico e mimado.

Por mais que ele tenha tido problemas na infância, uma criação peculiar e se tornado bilionário muito cedo, não torna verossímil algumas atitudes estúpidas (e não estou me referindo ao sadomasoquismo, isso é uma prática até normal). Já Anastasia não sabe o que quer e nesse sentido é a metade perfeita do companheiro. A insegurança dela continua a servir só para dialogar com a insegurança de quem consome aquele material. Os momentos de força surgem do nada e se dissipam com a mesma velocidade. Muitas falas compõe o cenário de forma artificial ou sequer fazem sentido.

Na parte técnica, o destaque negativo vai para a trilha sonora. Premiada em Cinquenta Tons de Cinza (2015), aqui é muito mais presente do que o bom senso recomenda, gerando um incômodo ruído. Parece que fizeram pensando em viralizar na internet com o combo infalível: cena clichê com musiquinha ao fundo. Ou então tinham consciência da falta de qualidade da história e tentaram disfarçar com as canções. Quando há um trabalho diegético, com músicos tocando dentro da trama, a coisa flui mais… Já quando tem uma cena de sexo ou de transição, perde-se o sentido e satura. Há um momento que a batida é suspensa para coincidir com o movimento pélvico em um dos piores recursos musicais que já presenciei.

Entremos então de vez no assunto que popularizou a franquia: sexo. Se você se impressiona com o que está vendo ali, então passe longe de filmes como A Criada – neste sim há cenas impactantes e bem filmadas. Aqui a coisa fica em proporções até menores que o antecessor de 2015. A variedade dos brinquedos diminui, o passo a passo é repetitivo e muito marcado, além de ter sensualidade zero – a química dos atores continua péssima. Não que fosse necessário chocar o público, mas ao menos criar um ambiente excitável era de bom tom.

Cinquenta Tons Mais Escuros

tem uma gama de fiéis seguidores. Há quem se derreta pela atitudes de Grey ou se identifique com a fragilidade de Anastasia, provavelmente ambos… Como cinema cai em coisas com “você me ensinou a trepar, e ela me ensinou a amar”. Aguardemos ansiosos a sequência…

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