Estrelas alem do tempo (2016) – Crítica
Estrelas além do tempo é uma história importante e de tema pesado, contada de forma suave, alegre e dinâmica. Pode não ser um filme brilhante, mas tem sua importância pelo tema e pela condução narrativa, merecendo suas três indicações ao Oscar.
Gênero: Drama
Direção: Theodore Melfi
Roteiro: Allison Schroeder, Margot Lee Shetterly, Theodore Melfi
Elenco: Aldis Hodge, Ariana Neal, Donna Biscoe, Glen Powell, Janelle Monáe, Jim Parsons, Ken Strunk, Kevin Costner, Kimberly Quinn, Kirsten Dunst, Kurt Krause, Lidya Jewett, Mahershala Ali, Octavia Spencer, Olek Krupa, Taraji P. Henson
Produção: Donna Gigliotti, Jenno Topping, Peter Chernin, Pharrell Williams, Theodore Melfi
Fotografia: Mandy Walker
Montador: Peter Teschner
Trilha Sonora: Benjamin Wallfisch, Hans Zimmer, Pharrell Williams
Duração: 127 min.
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 02/02/2017 (Brasil)
Distribuidora: Fox Film
Estúdio: Chernin Entertainment / Fox 2000 Pictures / Levantine Films
Classificação: livre
Sinopse: Um grupo de matemáticas negras trabalham nos bastidores da Nasa, um mundo quase exclusivamente branco e masculino, na função de computadores, antes da existência das máquinas de mesmo nome, realizando cálculos orbitais essenciais para o projeto espacial americano.
Nota do Razão de Aspecto:
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Estrelas além do tempo é talvez o menos cotado entre os indicados para o Oscar de melhor filme de 2017, e também a obra com menos indicações em outras categorias dentre seus concorrentes. Se isto lhe dá uma impressão de que se trata de um filme bom pero no mucho, é exatamente o caso.
O ponto mais forte do filme é o carisma de sua história. Temos um grupo de mulheres negras americanas, no final dos anos 50, no auge da luta contra a segregação racial, conquistando espaço, respeitabilidade e dignidade justamente na vitrine da corrida espacial americana, a Nasa. E melhor, é uma história baseada em fatos reais.
Esta convergência de temas permite ao filme abordar a guerra fria, o medo do comunismo, racismo, sexismo, e a corrida a lua. Cada um dos temas já daria sustento a um roteiro por si, mas todos eles juntos geram uma história memorável. 
E o que é melhor, as contribuições de Katherine Goble Jonhson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson para programa espacial americano são tão importantes quanto desconhecidas pelo grande público, fazendo com que o filme cumpra um importante resgate histórico de um momento da história americana que acreditamos conhecer melhor do que realmente conhecemos.
Com tudo isto ao seu favor, e com os temas de feminismo e racismo bastante em voga em Hollywood, podemos dizer que de certa forma Estrelas além do tempo não teria como desagradar o público e a academia. É, de certa forma, uma aposta fácil de sucesso.
Mas claro que sem uma boa execução a melhor das idéias não vira um bom filme. Theodore Melfi não é exatamente um diretor experiente, mas soube conduzir seu filme de forma muito competente e leve. Leveza é seu principal mérito. Sem grandes ousadias ou invenções, conduziu o filme por caminhos conhecidos e seguros. Conseguiu não apenas abordar os temas do racismo e sexismo sem em nenhum momento tornar-se panfletário, como também deu espaço para cada uma das três personagens principais se desenvolverem, com histórias próprias mas que interagem formando um todo.
A reconstrução de época, nos cenários, figurinos e linguajar ,é bem convincente, em especial no tocante a segregação de espaços e a normalidade de todos diante disto. Outro ponto bem agradável é a diferença marcante de figurino entre negros e brancos, que contribuiu para notarmos um abismo entre estes dois mundos.
A escolha de abordar o sexismo e racismo com um tom de humor propositalmente involuntário funciona boa parte do tempo, rimos do ridículo anacronismo que a falta de sutileza da época nestes temas gera. Mas por vezes o filme exagera neste ponto. Isto fica claro na recorrente corrida ao banheiro que, apesar de gerar uma cena especialmente dramática no clímax do filme, foi explorada em excesso e ficou um tanto artificial.
As interpretações são irregulares. Octavia Spencer (de Pais e Filhas) está talvez na melhor atuação de sua longa carreira, e merece a indicação ao Oscar de atriz coadjuvante. Sua revolta contida, e seu duelo com Kirsten Dunst (a Mary Jane Watson dos primeiros filmes do Homem-aranha) são os pontos altos de ironia e sarcasmo do filme. Além disto seu segundo duelo, contra o mostro de silício da IBM também é dramático e comovente. 
Já no arco dramático principal os atores patinam. Taraji P. Henson (da série Person of interest) vai muito bem no drama, mas está artificial nos momentos cômicos. Jim Parsons infelizmente parece ter que se controlar para não interpretar o Sheldon do The Big Bang Theory, e Kevin Costner faz o que ele sempre fez: nada. A mesma emoção que ele usa para parabenizar ou dar bronca em alguém ele também usa para arrancar uma placa com um pé de cabra em um ato de revolta. Ainda não entendo como alguém tão inexpressivo tem uma carreira tão bem sucedida como ator.
Apesar destes problemas, no balanço final Estrelas além do tempo nos fornece uma história cativante de superação de dificuldades, e uma boa lição de história, sobre erros do passado que teimamos em repetir, mas de forma velada. Uma triste e importante lembrança que mesmo em nossos melhores momentos carregamos nossos defeitos e vícios. E que mesmo diante das piores dificuldades a perseverança pode conquistar vitórias.
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