Eu Fico Loko (2017) – Crítica
Eu Fico Loko traz mais um fenômeno do Youtube para as telonas em um filme bem honesto.

Gênero: Biografia

Direção: Bruno Garotti
Roteiro: Bruno Garotti, Sylvio Gonçalves
Elenco: Alessandra Negrini, Christian Figueiredo, Filipe Bragança, José Victor Pires, Marcello Airoldi, Suely Franco, Thomaz Costa
Fotografia: Dante Belluti
Montador: Diana Vasconcellos
Trilha Sonora: Alok
Ano: 2016
País: Brasil
Cor: Colorido
Estreia: 12/01/2017 (Brasil)
Distribuidora: Universal Pictures
Estúdio: Ananã Produções
Classificação: 10 anos
Sinopse: Christian (Filipe Bragança) é um adolescente pouco popular na escola, que também não tem vida fácil em casa. Enquanto sofre bullying dos colegas e busca a sua própria identidade, ele se preocupa com o primeiro beijo, a primeira noite com uma garota… Christian também é um cinéfilo que grava paródias de filmes para colocar na Internet. Aos poucos, ele decide usar as redes sociais para contar as suas histórias de vida.

Nota do Razão de Aspecto: 

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Ano passado dois filmes que contaram com Youtubers chegaram aos cinemas brasileiros: Porta dos Fundos: contrato vitalício, com toda a trupe do canal de esquetes, e É Fada!, que contou com Kéfera (ela também estrelou o Amor de Catarina, mas sem a mesma repercussão). Infelizmente a transposição do sucesso daquelas figuras para a sétima arte não resultou em produtos bem realizados. Contudo, o filão está aí e com certeza veremos mais produções contando com o grande nicho do sucesso internético.

Christian Figueiredo tem um canal com muitos inscritos – atualmente mais de 7 milhões. Aproveitando a legião de fãs o youtuber lançou um livro biográfico, sendo que o jovem tem apenas 20 anos. Vi alguns vídeos do canal e não tive muito interesse (inclusive enxerguei menos carisma que na Kéfera, por exemplo). Com essa bagagem em mente – e, confesso, um certo preconceito – esperava pouco da expressão cinematográfica. 

E o que vemos no filme é um longa muito honesto. A proposta é sim voltada para um público alvo específico. Mas não é focada só nos seguidores do canal, ela abre para um espectro infanto-juvenil mais amplo. E, considerando esse viés temos uma trama adolescente que cumpre muito bem vários quesitos. Não espere grandes filosofias ou um filme brilhante, porém os espectadores adolescentes não são tratados como um idiota – os personagens adolescentes por vezes cometem idiotices, mas naturais da idade. Há por exemplo muitas menções a bebida e sexo, coisa que fazem sim parte do universo adolescente – e que são ignoradas por uma Malhação da vida…. A censura ser de 10 anos já denota alguma evolução mais para o juvenil que para o infanto. 

A frase inicial, algo como: “é essa hora que você reclama de uma biografia de um garoto de 20 anos, estou me sentindo um Justin Bieber”, quebra bem o gelo e demostra uma autoconsciência. A apresentação e desenvolvimento dos personagens não é inovadora e até segue um modelo clichê – não é spoiler afirmar que o fracassado se torna um sucesso, afinal o que se tornou o canal Eu Fico Loko é de conhecimento público… Contudo, mesmo serpenteando em cima de fórmulas batidas há um frescor aqui. 

Para viver o protagonista contamos com Filipe Bragança e com o próprio Christian Figueiredo. Enquanto Filipe encarna o personagem aos 15 de forma expressiva e sem caricaturar muito, Christian aparece para conversar com o público – quebrando a quarta parede. A dobradinha funciona: a história flui bem com o ator e as inserções do youtuber são pontuais, reiterando o vínculo, quase um fanservice inofensivo. A parte incômoda fica por conta das narrações. Algumas poucas bem-vindas para o contexto, como a já mencionada piada inicial, mas no geral soam redundantes e o recurso fica cansativo – neste ponto sim o filme idiotiza quem assiste. 

O personagem biografado tem potencial de gerar interesse ao crescer em tela e passar pelas diversas fases – primeiro amor, primeira vez, bullying, relação familiar, etc. Vale reiterar: nada grandioso na história, mas como o Brasil carece de filmes com esse foco, então foi uma boa pedida. Exemplo parecido, com uma faixa etária anterior, vemos em Carrossel – O Filme
A trilha sonora é bem condizente com a narrativa. Ela ajuda no ritmo ao trazer um tom mais leve. Isso, auxiliado pelo humor – que na maior parte do tempo tem méritos – faz com que a experiência não seja intragável mesmo com alguma barriga no final do segundo arco e com a típica previsibilidade da trama. 

Eu Fico Loko pode ser caça-níquel por contar com a boa vontade dos seguidores? Talvez. Mas a imagem que deixa é de uma preocupação com a linguagem cinematográfica e em entregar um filme de fato. A explicação inicial sobre os patrocinadores é curiosa, pois os realizadores sabem do potencial de que parte ali pode não ser um publico comum de cinema. Já os créditos finais dão a base das histórias contadas pelo Christian Figueiredo no começo da carreira na plataforma de vídeos. O que poderia ser um amontoado de causos episódicos tornou um filme agradável para um público muito maior que o previsto inicialmente.

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