ANIMAIS NOTURNOS (NOCTURNAL ANIMALS, 2016) – CRÍTICA
 
Gênero: Suspense
Direção: Tom Ford
Roteiro: Tom Ford
Elenco: Aaron Taylor-JohnsonAmy Adams, Andrea Riseborough, Armie Hammer, Beth Ditto, Ellie Bamber, Evie Pree, Franco Vega, Graham Beckel, Imogen Waterhouse, India Menuez, Isla Fisher, Jake Gyllenhaal, Karl Glusman, Laura Linney, Michael Shannon, Michael Sheen, Neil Jackson, Robert Aramayo, Zawe Ashton
Produção: Robert Salerno, Tom Ford
Fotografia: Seamus McGarvey
Montador: Joan Sobel
Trilha Sonora: Abel Korzeniowski
Duração: 115 min.
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 29/12/2016 (Brasil)
Distribuidora: Universal
Estúdio: Focus Features / Universal Pictures
Classificação: 16 anos
Sinopse: Susan, dona de uma galeria de arte, passa por uma crise em seu casamento. Um dia, ela recebe um manuscrito de Edward, seu primeiro marido. O livro conta a história do personagem Tony Hastings, um homem que leva sua esposa e filha para tirar férias, mas muda de rumo ao cruzar o caminho de uma gangue. Durante a tensa leitura, ela reflete sobre as razões de ter recebido o texto e relembra traumas de seu relacionamento fracassado.
Nota do Razão de Aspecto:
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No último final de semana de 2016, chega aos cinemas brasileiros Animais Noturnos, um excelente suspense escrito e dirigido por Tom Ford, com potencial para figurar nas listas de melhores filmes do ano. Embora não tenha integrado a lista dos 10 melhores filmes de 2016 do Razão de Aspecto, na minha lista pessoal, certamente ficará entre os dez melhores. Como fã de filmes de suspense, acompanhei as notícias sobre Animais Noturnos desde a sua produção até o seu lançamento nos grandes festivais de cinema europeus. A expectativa era grande e, felizmente, foi preenchida.
Animais Noturnos tem uma narrativa complexa, em forma de boneca russa. Há três camadas narrativas: o presente – no qual a protagonista insatisfeita com o seu casamento, interpretada por Amy  Adams, recebe do ex-marido, interpretado por Jake Gyllenhaal, um romance dedicado a ela, depois de quase vinte anos de afastamento; o passado, quando se revela a natureza da relação daquele casal e suas consequências;  e o romance de ficção lido pela protagonista, que, por meio de uma história sobre medo, morte e desesperança, simboliza os sentimentos do ex-marido. Cada uma dessas camadas tem uma atmosfera distinta, e as três convergem em um terceiro ato no qual a tensão acumulada ao longo das duas horas de projeção explode na cara do espectador, em um clímax espetacular e perturbador.
Animais Noturnos é tecnicamente impecável. A direção de arte compôs ambientes visualmente lindos, e o figurino por vezes clássico, por vezes vanguardista, a depender da camada narrativa de que faz parte, criam uma experiência visual ímpar- e não poderia ser diferente em um filme cujo diretor é um estilista de sucesso. A fotografia contrasta as três narrativas na paleta de cores e na escolha dos enquadramentos. Em alguns momentos, Tom Ford faz uso de alguns recursos visuais narrativos quase óbvios, mas mesmo assim eficientes, como na cena em que a protagonista não reconhece um quadro de sua galeria, e esse quadro apenas decifra toda a motivação da narrativa que estamos acompanhando.
A a montagem, por sua vez, é precisa e certeira, o que não é pouco para uma narrativa tão complexa. Nas mãos de um montador menos competente, Animais Noturnos teria grandes possibilidades de se tornar um filme confuso e fracassar como narrativa de suspense; felizmente, o filme tem potencial para ser um dos candidatos ao Oscar da categoria.
Para além dos méritos técnicos, o que faz de Animais Noturnos uma das grandes realizações do cinema em 2016 são as interpretações. Amy Adams se provou a grande atriz de 2016, com duas interpretações dignas de premiação -neste filme e em A Chegada -; Jake Gyllenhaal em mais uma grande trabalho (não entendo como a academia tem ignorado o talento do ator desde Os Suspeitos, O Homem Duplicado e O Abutre); e Michael Shannon nos entrega um verdadeiro e cru anti-herói de um noir moderno, em uma interpretação que pode merecer, no mínimo, a indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Sem dúvidas, Animais Noturnos é um forte candidato às premiação do sindicatos dos atores para melhor elenco, por exemplo – categoria que não existe no Oscar.
Animais Noturnos funciona em todos os quesitos, baseado na direção segura  e no roteiro competente de Tom Ford, que mostrou amadurecimento como cineasta em seu segundo longa metragem. Acerta no tom, acerta na ousadia, acerta no visual, acerta na trilha sonora. Se se trata de um filme complexo, também se trata de um filme que faz pensar sobre as nossas escolhas e suas consequências e em como um passo em falso pode ser o caminho para a perdição.
Sentimos a a narrativa pulsar como o coração dos personagens.
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