Minha Mãe é uma Peça 2 (2016) – Crítica

Minha Mãe é uma Peça 2 atira para todos os lados e não atinge coisa alguma.

Gênero: Comédia

Direção: André Pellenz
Roteiro: Fil Braz, Paulo Gustavo, Rafael Dragaud
Elenco: Alexandra Richter, Bruno Bebianno, Gustavo Novaes, Herson Capri, Ilva Niño, Luana Piovani, Marcus Majella, Mariana Xavier, Patricya Travassos, Paulo Gustavo, Rhaísa Batista, Rodrigo Pandolfo, Samantha Schmütz, Suely Franco
Produção: Iafa Britz
Fotografia: João Pádua
Montador: Eduardo Hartung
Duração: 96 min.
Ano: 2016
País: Brasil
Cor: Colorido
Estreia: 22/12/2016 (Brasil)
Distribuidora: Downtown Filmes / Paris Filmes
Estúdio: Migdal Filmes
Classificação: 12 anos

Sinopse: Dona Hermínia (Paulo Gustavo) está de volta, desta vez rica, pois passou a apresentar um bem-sucedido programa de TV. Porém, a personagem superprotetora vai ter que lidar com o ninho vazio, afinal Juliano (Rodrigo Pandolfo) e Marcelina (Mariana Xavier) resolvem criar asas e sair de casa. Para balancear, Garib (Bruno Bebianno), o primogênito, chega com o neto. E ela também vai receber uma longa visitinha da irmã Lucia Helena (Patricya Travassos), a ovelha negra da família, que mora há anos em Nova York.

Nota do Razão de Aspecto: 

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Minha Mãe é uma Peça, de 2013, primeiro filme da franquia (?), funciona em diversos níveis. Paulo Gustavo dá uma potência para a personagem Dona Hermínia que ganha a boa vontade do público logo de cara. Uma estridência constante, um mal humor bem humorado e até um drama sincero. O que poderia soar exagerado na composição daquela figura se justifica quando vemos a mãe do ator nos créditos finais. A personagem é idêntica à genitora, daí Paulo ter tanta familiaridade com aquela interpretação. Além disso a história é eficaz ao estabelecer a relação de amor e ódio entre filhos adolescentes e a mãe, o grito de independência e a clara dependência de ambos os lados, além do recurso da conversa entre Dona Hermínia e a ótima ouvinte Tia Zélia (Suely Franco) que com flashbacks bem pontuados dá o background para o público se importar com a mãe e os filhos.

Para ver a sequência, lançada esta semana, é interessante ter assistido ao bom filme antecessor, contudo não é estritamente necessário – você vai com a bagagem dos personagens e já ambientado naquele universo. A introdução de Minha Mãe é uma Peça 2 contextualiza os integrantes daquela família de uma forma orgânica e sem exposição rasa. Funcionando, portanto, para o público antigo e novo. Vemos a nossa protagonista agora como âncora de um programa feminino (que ela havia sido contratada no outro filme), cuja a ideia é falar das dificuldades da mãe moderna – quando, ironicamente, ela mesmo está passando por aqueles percalços. Dona Hermínia usa o show como uma auto catarse. 
Recheado de subtramas mal elaboradas e pouco desenvolvidas, Minha Mãe é uma Peça 2, volta e meia retorna àquele cenário do programa, a coisa transparece mais um ar episódico do que o mote central. Pode-se alegar que a ideia era essa mesmo. Pois a vida tem subtramas demais e que o emprego é só um aspecto do todo. Todavia, dentro do filme essa ausência de foco fez com que a história perdesse força. Na realidade, fica complicado definir sobre o que exatamente é Minha Mãe é uma Peça 2: Dona Hermínia apresentadora, a personalidade igual/diferente das duas outras irmãs, os filhos sem emprego, a questão sexual do filho mais novo, o neto espevitado visitando a avó, o flerte do ex-marido, a ausência de memória da Tia… todos esses momentos ocupam um tempo em tela e não são bem desenvolvidos. Alguns entram em saem da narrativa sem grandes explicações. A montagem tão elogiosa no filme antecedente aqui não ajuda o roteiro. 

No humor, essa orgia visual flui. O timing de Paulo Gustavo é qualquer coisa de brilhante. Boa parte das piadas funcionam hora pelo texto e hora pela desenvoltura do ator. Em algumas cenas cenas fica claro o improviso e até ele rindo sem que isso estivesse previsto. Essa “falha” aqui é relevada, pois acabamos comprando tudo ali graças ao carisma daqueles e de outros momentos. E exatamente pelo humor ser o carro chefe, e a melhor coisa do filme, é que deveria-se ter apostado mais. No final do segundo arco há alguma barriga dramática que nos tira da proposta central. 
Neste ano no quesito comédia nacional o Um Namorado Para Minha Mulher é bem melhor realizado. Minha Mãe é uma Peça 2 é bem menos do que poderia ser. Por vezes se conforma e fica preguiçoso demais. Em outras soa como esquetes. Falta consistência, apesar de sobrar simpatia. O filme de 2013 merece ser revisto, este de 2016 é esquecível em vários pontos. Tomara que um possível terceiro volte aos rumos de outrora. 
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ALERTA: Esta crítica contém spoilers. Proceda à leitura por própria conta e risco. Confira a ficha técnica do episódio aqui     Nota do Razão de Aspecto:   ———————————————————————————————————————...