#sarcasmo: Saiba porquê DEUSES DO EGITO revolucionou o cinema como um todo.

Gênero: Aventura, Terror, Ficção Científica, Comédia, Épico, Drama, Suspense, Erótico, Guerra, Sessão da Tarde, Telecine, Tela Quente, Atômico, Genético, do barulho, muito louco, Marciano, Adolescente, Mutante, Alienígena, de Kinder Ovo.
Direção: Alex Proyas
Roteiro: Burk Sharpless, Matt Sazama
Elenco: Abbey Lee, Alexander England, Alia Seror-O’Neill, Brenton Thwaites, Bruce Spence, Bryan Brown, Chadwick Boseman, Courtney Eaton, Elodie Yung, Emily Wheaton, Emma Booth, Geoffrey Rush, Gerard Butler, Goran D. Kleut, Ishak Issa, Jean-Pierre Yerma, Jeff Coopwood, Julian Stone, Kurt Goehner Winter, Lindsay Farris, Marisa Lamonica, Matt Ruscic, Nikolaj Coster-Waldau, Premila Jennar, Rachael Blake, Rachel Joseph, Robyn Nevin, Rufus Sewell, Wassim Hawat, Yaya Deng
Produção: Alex Proyas, Basil Iwanyk
Fotografia: Peter Menzies Jr.
Montador: Richard Learoyd
Trilha Sonora: Marco Beltrami
Duração: 127 min.
Ano: 2016
País: Austrália / Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 25/02/2016 (Brasil)
Distribuidora: Paris Filmes
Estúdio: Mystery Clock Cinema / Pyramania / Summit Entertainment / Thunder Road Pictures
Classificação: 12 anos
Sinopse: Um grupo de deuses muito loucos resolvem fazer uma festa de coroação do barulho, mas esquecem que Set, o deus que todos admiram sabendo que é um panaca ciumento e vingativo, tem inveja do tamanho dos obeliscos do seu irmão e sobrinho, e quer que seu obelisco seja grande o suficiente para que Ra, no alto de sua estação orbital, o veja. Então todos viram transformers digimons que sangram ouro e saem no tapa. Mas um mortal ladrão sai roubando tudo e todos e o amor dele por sua namorada que nada faz além de não exatamente morrer acaba salvando tudo.
Nota do Razão de Aspecto:
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Com o fim do ano se aproximando, o Razão de Aspecto está tentando avaliar quais filmes essenciais de 2016 ainda não haviam sido analisados. Com isto, percebemos que Deuses do Egito tinha passado abaixo de nosso radar. E é perturbador notar que tamanho colosso poderia ter sido completamente ignorado.
Em um ano de retomada da atenção a filmes religiosos, obras como o novo Ben Hur, Ressurreição e Os dez mandamentos prepararam terreno para o verdadeiro marco de filmes do gênero deserto. São poucos os filmes comparáveis a Deuses do Egito. São poucas as obras que nos fazem olhar para o cinema como um todo, e modificar nossos padrões e avaliações do que é fazer cinema, de qual a essência da Sétima Arte. Indo muito além de Deixe-me viver, Cantando de galo ou Anjos da Noite 5,  Deuses do Egito tem de ser comparado apenas com o topo do topo, filmes que marcaram a história do cinema, como 2001: Uma odisséia no espaço ou A reconquista.
Assim como A reconquista nos fez repensar e gostar mais de qualquer outro filme com o qual seja comparado, Deuses do Egito  faz qualquer crítico querer dar meia estrela a mais para todo e qualquer filme que eu tenha assistido ou venha a assistir. E se 2001 gera nos espectadores a sensação de encontrar algo como um caça Mig dentro de uma pirâmide, Deuses do Egito nos faz sentir como se estivéssemos jogando um videogame baseado em um filme baseado em um videogame baseado em um filme, e isto tudo, dentro de uma pirâmide. Dourada. 
Apesar do limitado orçamento de US$ 140 milhões de dólares (em comparação, A chegada custou 40 milhões e Rogue One 200 milhões), Deuses do Egito consegue nos entregar 127 subtramas  tão perfeitamente emaranhadas e essenciais que é impossível desfazer o equilíbrio narrativo sem estragar mais o filme. Se você gosta de histórias dentro de histórias dentro de histórias, como em Westworld, mas não se preocupa tanto com preciosismos estilísticos como sentido e construção narrativa, este será o seu filme.
Uma das maiores influências de Deuses do Egito é claramente Star Wars: Episódio I – A ameaça fantasma. Assim como na amada e aclamada obra-prima de George Lucas,  tudo é feito completamente em CGI, sem cenários reais, efeitos práticos, atuações minimamente convincentes ou coisas similares. Tudo o que vemos são atores interagindo com uma tela recoberta de computação gráfica. A referência é tanta que, mesmo com os avanços computacionais de hoje, Alex Proyas escolheu manter a qualidade da computação gráfica de 1999, adicionando traços de um GameBoy e dando um ar meio vintage ao visual do filme.
E para dar um ar ainda mais clássico e familiar, os figurinos e o estilo narrativo fazem fortes referências aos filmes do Simbad que passavam na Sessão da Tarde na década de 1980. Um visual clássico, meio Clóvis Bornay, meio praça de shopping-center em um evento infantil.
A influência de Clóvis Bornay se faz sentir principalmente no visual e na interpretação de Geoffrey Rush, que nos entrega um deus Rá que receberia nota 10 em qualquer desfile de escola de samba. Um ponto alto como o sol na carreira do ator, após papeis menores, como o Capitão Barbosa de Piratas do Caribe ou Philip Henslowe de Shakespeare apaixonado.
Mas não é apenas Geoffrey Rush que está em uma atuação que marcará sua carreira para sempre. Gerard Butler propõe um deus Set que dialoga com seu Rei Leônidas em 300, mostrando que deuses, reis e humanos são parte da mesma realidade, e todos eles têm sotaque escocês. Nicolaj Coster-Waldau não lembra em nada seu Jamie Lannister de  Game of Thrones: se lá ele interpreta um king slayer de um clã que tem como símbolo um leão, aqui ele faz um matador de leões que iria ser rei. Lá, falta-lhe uma mão; aqui, faltam-lhe olhos e talento. Já Brenton Thwaites segue os passos de Jake Lloyd na construção de um protagonista brilhante e carismático como areia (mesmo com uma outra voz totalmente diferente da dele narrando em off a história como se ele o fosse), e Courtney Eaton está tão genial que nem parece uma atriz.
Todas atuações tem um ponto em comum, uma união dramática, com certeza devido a ótima direção de atores feita por Alex Proyas. Visando ressaltar a referência ao Episódio I de Star Wars, Proyas desejou que os atores usassem de seu talento para nos transmitir a emoção que é interpretar nada com o nada, com seres invisíveis que o ator não sabe bem o que são ou onde estão. E todos os atores cumpriram exemplarmente este objetivo.
Por causa da ousadia, Deuses do Egito consegue demolir desconstruir completamente a linguagem cinematográfica moderna, rompendo fronteiras como elaborar uma trama, cativar o espectador, ter conflitos ou fazer sentido. Assim como a famosa frase de propaganda da Elma Chips, é impossível apontar um defeito só em Deuses do Egito.
Um verdadeiro épico que levará a todos desejarem a realização de uma verdadeira titanomaquia, desejar que Nietzsche realmente esteja certo e que todos os deuses estejam mortos, de preferência por nossas próprias mãos. Um novo passo para a humanidade, que desejará carregar o crime de ter matado todos eles, depois deste filme.
Há vários filmes que são tão ruins que chegam a ser bons, que validam a frase “no fundo do poço está o topo da pirâmide”. Deuses do Egito faz uma escavação arqueológica do topo dos filmes ruins, e retorna as origens, ao fundo do poço.


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