Magal e os Formigas (2016) – Crítica
Magal e os Formigas usa o rebolado de Sidney Magal, mas falta cadência.

Gênero: Comédia

Direção: Newton Cannito
Roteiro: Newton Cannito
Elenco: Sidney Magal, Norival Rizzo, Zecarlos Machado, Mel Lisboa
Montador: Renato Lima
Duração: 110 minutos
Ano: 2016 
País: Brasil
Cor: Colorido
Estreia: 15 de dezembro de 2016 (Brasil)
Distribuidora: Europa Filmes

Sinopse: João (Norival Rizzo) é um aposentado que está aborrecido com a vida e reclama o tempo todo de seu trabalho. Viciado em loteiras, ele está afundado em depressão e não vê esperança. Até que, após um delírio, ele começa a receber visitas do cantor Sidney Magal. Assustado com o fenômeno sobrenatural recorrente, ele irá aprender, com o bom humor da aparição, os jeitos de viver sempre o lado bom da vida.

Nota do Razão de Aspecto:

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Uma ideia exótica: colocar o cantor/amante latino/cigano Sidney Magal como anjo da guarda. Bons atores se esforçando e acreditando nos papéis. Poderia resultar em algo atrativo? Com certeza… Mas infelizmente o que vemos em tela é o oposto. Há algum carisma, mas falta ritmo. O público é até convidado a se importar com os personagens, mas estes são boicotados por um roteiro e uma direção, ambos nas mãos de Newton Cannito, sem inspiração. 
A história gira em torno das lamurias de uma família. Cada um com uma questão diferente. Mas a trama se centra em João (Norival Rizzo). Um senhor que tenta emplacar a venda de um produto mecânico. Ele é frustrado em diversos no níveis: além do mal logro nas vendas, o irmão corrupto é bem sucedido, a filha foi largada no altar, não consegue/não quer ter contato físico com a mulher, os empregados da oficina batucam musicas populares no serviço, o filho se envolve com agiotas, nunca ganha na loteria e a família gosta do cantor Sidney Magal – que ele aparenta não suportar.

Como é possível perceber há subtramas demais. E todas artificiais e pouco interessantes, isso por conta de uma falta de desenvolvimento coeso. As coisas entram a saem do filme  e nos perguntamos qual a necessidade delas. Por exemplo o mal gosto no retrato do personagem cego, com piadas batidas, sem graça e antiquadas. Uma piada nesse sentido, como vemos em Rogue One, vá lá, a insistência irrita. Muita coisa não leva a narrativa para lugar algum e acaba dando uma pseudo complexidade. Cannito também foi responsável pelo roteiro de Reza a Lenda. Em ambos observamos uma tentativa de sair do óbvio, mas que falta viço para concretizar. O acabamento textual nos dois longas são os pontos fracos naquelas obras. A metáfora do “A Formiga e a Cigarra” poderia render boas reflexões, principalmente na transição entre o “formiga” João questionar e ao mesmo tempo querer ser “cigarra”. Porém tudo fica bobo e raso. 

Erros são observados em vários quesitos. Uma montagem atropelada tira o timing. Situações que não fazem sentido – como pessoas pagando fortunas para uma banda cover composta por desconhecidos e alguém afirmar que o local do show teria 200 pessoas e claramente não passar de 100, mostrando que faltou dinheiro para contratar figurante (então pra que dar aquela informação antes?). Outra frase torta foi: “Quem terá coragem de fazer cover do Magal? Ele é um ídolo”, oras mas a ideia do cover não é exatamente essa? Ou se faz cover do Zé da esquina? 

A ingenuidade e a genuinidade de Magal e os Formigas poderiam ser mais elogiadas se não fossem tais falhas. À semelhança de um É Fada!, longa focado na youtuber/atriz Kéfera. Vemos a muleta de se apoiar em uma celebridade que tem um público grande. Eles, Magal e Kéfera, são os pontos altos dos respectivos filmes. Contudo, emprestaram o carisma para longas com problemas e sem um cuidado mais profissional. No entanto, o público alvo do É Fada! é melhor atingindo do que o do Magal e o Os Formigas, daí o primeiro ser um pouco superior a este. 

A tragédia só não foi completa por conta do trabalho dos atores. Estes levaram a sério a hilária proposta. Mesmo com pouco material vemos uma condução interpretativa – seja no drama, seja na comédia – que funciona, com destaque claro para o próprio Magal. Ele sabe rir de si mesmo e está completamente confortável no papel de Sidney Magal. Mas infelizmente é muito pouco para entregar um filme consistente. Caso você goste muito das músicas do artista (em especial Sandra Rosa e Meu Sangue Ferve) e queria vê-lo se divertindo em cena, com a figura mítica que criaram pra ele, poderá aproveitar algo em tela. No mais a curiosa situação deixa um gosto agridoce que não ferverá o sangue de muitos…
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