CAPITÃO FANTÁSTICO (CAPTAIN FANTASTIC, 2016) – UM DOS MELHORES FILMES DO ANO- CRITICA

Gênero:

Comédia

Direção: Matt Ross
Roteiro: Matt Ross
Elenco: Ann Dowd, Annalise Basso, Charlie Shotwell, Elijah Stevenson, Erin Moriarty, Frank Langella, Galen Osier, George MacKay, Hannah Horton, Kathryn Hahn, Missi Pyle, Nicholas Hamilton, Rex Young, Samantha Isler, Shree Crooks, Steve Zahn, Teddy Van Ee, Trin Miller, Viggo Mortensen
Produção: Jamie Patricof, Lynette Howell Taylor, Monica Levinson, Shivani Rawat
Fotografia: Stéphane Fontaine
Montador: Joseph Krings
Trilha Sonora: Alex Somers
Duração: 118 min.
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 22/12/2016 (Brasil)
Distribuidora: Universal
Estúdio: Electric City Entertainment / ShivHans Pictures
Classificação: 14 anos
Sinopse: Ben é pai de seis crianças e decide deixar a cidade e educá-las nas florestas selvagens do Pacífico Norte, longe da civilização. Elas aprendem a praticar esportes e combater inimigos até que Ben e sua família são obrigados a voltar à vida urbana. Agora é ele quem precisa aprender a se acostumar novamente à vida moderna.

Nota do Razão Aspecto:

 

 

————————————————————————————————————————–Tive a oportunidade de participar da estreia mundial de Capitão Fantástico, em janeiro de 2016, no Festival de Sundance. Em um cinema lotado, com mais de mil lugares, foi possível sentir o impacto daquela história atípica para o grande público. Dos 33 filmes que vi no Festival, Capitão Fantástico foi, indiscutivelmente, o melhor, superando mesmo os filmes em competição – talvez empatado com o grandioso Manchester à Beira-mar, um dos favoritos ao Oscar 2017. Trata-se de um dos melhores filmes ao ano.

 

Capitão Fantástico conta a história de uma família que vive afastada da civilização, em um sistema utópico de integração entre o ser humano, a natureza e o conhecimento. Os seis filhos de Ben Cash são, ao mesmo tempo, intelectualmente muito desenvolvidos, porém despreparados para o mundo “real”. Após a morte da mãe, a família se vê obrigada a ir ao funeral, o que resultará no primeiro contato daqueles jovens com o mundo como nós o conhecemos.
A partir desse momento, Capitão Fantástico se torna um road movie dramático, que coloca em xeque os sonhos daquele pai de família. Assim, a narrativa se aprofunda na discussão sobre a contradição entre utopia e realidade, tradição e ruptura, moral e ética. O grande mérito do filme é o de não demonizar nenhuma das posições, mas, ao mesmo tempo, mostrar os absurdos dos extremos de cada uma das posições. Esses contrastes ficam evidentes em algumas cenas muito bem encaixadas que mostram o desequilíbrio nas habilidades daquela família, bem como a falta de capacidade dos demais personagens de compreenderem a ligação e o afeto que existe entre o pai e as seis crianças.

Viggo Mortensen conduz a narrativa com uma interpretação impecável, apoiada no talento dos atores que interpretam os filhos, com destaque para a caçula Zaja, para o rebelde e questionador Rellian e para o filho mais velho, Bo. Frank Langela faz o papel de um avô tradicional e genuinamente preocupado com o futuro dos netos, causador do conflito que, literalmente, move a narrativa. O avô não é propriamente o vilão, ao contrário, muitos espectadores poderão considerá-lo o verdadeiro herói. Assim, Capitão Fantástico provoca o público para que se questione sobre os valores em jogo.

Para além do roteiro mais que original e da direção segura de Matt Ross, Capitão Fantástico tem algumas cenas memoráveis. Uma delas envolve uma versão de Sweet Child O’mine, a outra quase se iguala à cena da apresentação de Pequena Miss Sunshine tanto ma bizarrice da situação quanto na capacidade de mobilizar o espectador em apoio aos personagens, como num grito alto e agudo de libertação das amarras sociais.Capitão Fantástico faz pensar, rir, chorar e se emocionar das mais variadas formas. Com simplicidade, sem floreios narrativos, Matt Ross executou uma obra prima do cinema independente, com grandes chances de indicação de Viggo Mortensen para o Oscar de Melhor Ator.

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