Sing – Quem Canta Seus Males Espanta (2016)-Crítica

Sing – Quem Canta Seus Males Espanta fecha mal o ano, que não foi muito favorável para as animações…

Gênero: Animação

Direção: Garth Jennings
Roteiro: Garth Jennings
Elenco: Asher Blinkoff, Beck Bennett, Jay Pharoah, Jen Faith Brown, Jennifer Saunders, John C. Reilly, Jon Robert Hall, Laura Dickinson, Leslie Jones, Matthew McConaughey, Nick Kroll, Nick Offerman, Peter Serafinowicz, Reese Witherspoon, Scarlett Johansson, Seth MacFarlane, Taron Egerton, Tori Kelly
Produção: Christopher Meledandri, Janet Healy
Montador: Gregory Perler
Trilha Sonora: Joby Talbot
Duração: 108 min.
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 15/12/2016 (Brasil)
Distribuidora: Universal Pictures
Estúdio: Illumination Entertainment / Universal Pictures
Classificação: LivreSinopse: na intenção de voltar a lotar o seu teatro, o coala Buster cria um concurso de canto que promete animar a cidade. A disputa vai ser difícil entre os animais que lutam pelo seu lugar ao sol e o prêmio de US$ 100 mil.

        Nota do Razão de Aspecto:

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Animações que usam bichos como personagens não são nenhuma novidade. Neste ano, tivemos, por exemplo, os ótimos Zootopia e Procurando Dory e o regular Cegonhas. Em Sing, vemos um mundo onde aparentemente não há figuras humanas, e os outros animais dominam a cena. No caso, a cena musical. Quase todos os bichanos soltam a voz nos mais variados gêneros. Além disso, eles cumprem funções cotidianas como a bancária, a de empresário, a de mãe de família e até a de bandido. 

Veja as nossas críticas de Zootopia,  Procurando Dory, e Cegonhas.
Grosso modo, a história é a junção do elemento vocal com o background pessoal dos personagens. Como uma mulher (na realidade uma porca) com 28 crianças (serelepes leitõezinhos) consegue dar conta dos afazeres domésticos e ainda lutar pelo sonho de cantar? Ou como uma tímida elefanta pode superar os bloqueios e a pressão familiar e trilhar o mesmo caminho? Os primeiros vinte minutos ficam por conta da apresentação de cada um dos vários núcleos. Há uma opção de transitar pela cidade com uma câmera acelerada para pular de um canto a outro, o que dá algum dinamismo, mas cansa.  

O roteiro, ao tentar estabelecer uma conexão do público com cada animal, acaba gerando duas consequências, uma positiva e outra negativa: a positiva é um importante vínculo, pois ensaiamos nos importar com aquelas figuras, todavia, o revés é o de ter subtramas demais. Em alguns momentos, a coisa fica quase episódica. Várias cenas terminam de forma abrupta, para dar início a uma outra sequência de  canção – problema- canção.

Em todos os níveis, a trama é manjada e cumpre a óbvia redenção para os personagens. O desenvolvimento é perto de nulo. Ou seja, o trajeto é igualmente previsível e desinteressante. O argumento de que, por ser uma animação deve funcionar para as crianças, não é bem sucedido. As crianças na sala não ficaram presas à tela. Para os adultos, terei que usar uma expressão que odeio: “desligar o cérebro”, mas com o cuidado de não desligar a ponto de dormir ou admirar o aviso das saídas de emergência mais do que o próprio o filme. 

A parte musical, contudo, tem mais organicidade que muitos musicais por aí. Sing é uma animação com músicas – muitas músicas – mas não é um musical, como Trolls, por exemplo. Os animais cantam não para movimentar a história, mas porque é característica deles cantarolar e porque é o que se espera fazer em um concurso musical… As canções tendem mais para uma pegada pop dançante, porém vemos um Garota de Ipanema e também um My Way, de Frank Sinatra. No clímax, há uma clara opção errada na escolha das mússicas de uma personagem. Ela adianta uma música de mais impacto e perde força na apresentação derradeira. A direção poderia ter a sensibilidade de perceber isso e inverter as canções.

O destaque positivo é a parte visual. Não vemos o hiper-realismo de um Piper ou Bom Dinossauro, tampouco uma atenção aos detalhes secundários, como nos já citados Zootopia e Procurando Dory. Por outro lado, Sing é bem eficaz naquilo que se propõe. O traço dos bichos é bem feitinho e os cenários sao convincentes. Sempre vale a dica de reparar no fundo, onde a ação principal não está ocorrendo. Ali você mede a qualidade e o cuidado de uma animação. Aqui, há momentos nos quais o fundo fica meio chapado, mas, em outros ,temos uma movimentação interessantes. De toda forma, soa meio irônico que um longa chamado Sing atraia mais pelo olho que pelo ouvido.

Sing – Quem Canta Seus Males Espanta usa o sucesso de programas de competição musical com o combo animais-fofos-em-situações-absurdas para atrair um grande público. Há possibilidade de continuações, caso a bilheteria responda bem, mas, como última animação do ano, deixa a desejar.

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