O Quarto dos Esquecidos (The Disappointments Room, 2016) – Crítica
O quarto dos esquecidos (The Disappointments Room) é um filme que combina os títulos em português e inglês: é um decepção esquecível.

Gênero: Suspense, Terror
Direção: D.J. Caruso
Roteiro: Wentworth Miller
Elenco: Chris Matheny, Duncan Joiner, Ella Jones, Gerald McRaney, Jay Bronson, Jennifer Leigh Mann, Kate Beckinsale, Lucas Till, Marcia DeRousse, Mel Raido, Michael Landes, Michael Zovistoski, Michaela Conlin
Produção: Geyer Kosinski, Sam Englebardt, Vincent Newman, William D. Johnson
Fotografia: Rogier Stoffers
Montador: Vince Filippone
Trilha Sonora: Brian Tyler
Duração: 92 min.
Ano: 2015
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 24/11/2016 (Brasil)
Distribuidora: Imagem Filmes
Estúdio: Demarest Films / Media Talent Group / Relativity Media
Classificação: 14 anos
Sinopse: Após um grave trauma emocional, uma família se muda para o interior, acreditando que o isolamento e a tranquilidade irão ajudar a superar os fantasmas do passado. Mas a casa para a qual eles se mudam também tem seus fantasmas.

Nota do Razão de Aspecto:

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Prometo para vocês que não é perseguição contra a Kate Beckinsale, mas O quarto dos esquecidos é apenas ligeiramente menos pior que Anjos da Noite: Guerras de Sangue

Casas mal assombradas talvez seja o tema mais popular do mundo do suspense e terror. Temos toda uma gama de filmes, desde clássicos como Terror em Amityville, Poltergeist ou O iluminado, como produções de qualidade questionável como Atividade Paranormal, ou filmes realmente ruins como 13 fantasmas.
Mas o sub-gênero ainda é bem rico e está longe de se esgotar, como podemos ver em excelentes filmes recentes como Os outros, Chave Mestra, Invocação do mal 1 e 2, O despertar, Ouija: a origem do mal, entre outros.
Sendo um sub-gênero muito explorado e consagrado, o mínimo que se espera de um bom filme de casa assombrada é a utilização de clichês na medida correta, uma trama que crie uma boa dose de suspense e tensão, a construção de bons sustos, e que os fantasmas sejam algo além de presenças desencarnadas, que carreguem alguma malignidade a mais capaz de gerar medo, repulsa e desconforto.
O único destes pontos que O quarto dos esquecidos tenta cumprir é dar alguma malignidade extra aos espectros fantasmagóricos. O conceito por detrás do quarto que dá título ao filme é realmente interessante, sombrio, macabro. Curiosamente, é um dos pontos menos trabalhados do filme, de forma descuidada e breve.
Um dos pontos importantes para um filme de casa assombrada é a casa em si, afinal o cenário é parte da construção do horror. A casa tem de ser sombria, tem de ter uma “voz”, uma “personalidade”. Nos precisamos nos sentir não apenas desconfortáveis, mas temerosos com o edifício em si. Para tanto não é suficiente colocar uma casa grande com goteiras e chão que range.

Em especial em um filme que um dos cômodos está no título, as paredes, o chão, o teto, etc, tem de ser repulsivos de algum modo. E estranhamente, o O quarto dos esquecidos é muito mais assustador no trailer do que no filme. Quanto mais sabemos dele, menos ele nos interessa. Faltou uma construção cenográfica e uma fotografia que desse personalidade a casa e ao quarto. 
As interpretações vão de banais a irritantes. Kate Beckinsale faz uma protagonista óbvia, unidimensional e sem sabor algum. E não é por falta de potencial dramático do personagem, que carrega conflitos internos e um certo arco dramático, mas sim por que ela não consegue convencer ao apresentar algo além da depressão e culpa. 

Mas mesmo assim ela se saiu muito melhor que Mel Raido, Lucas Till e Duncan Joiner, que estão simplesmente péssimos. A interação entre Dana (Kate Beckinsale) e Ben (Lucas Till) é um dos pontos baixos do filme, onde os diálogos sugerem uma tensão sexual que nunca transparece nas expressões corporais ou faciais. 
Mas nada supera em má atuação uma cena de jantar, onde uma explosão melodramática acontece com quatro atores fazendo cara de paisagem em meio a frases explosivas e duríssimas acusações. 
As poucas coisas que tiram o espectador do tédio completo são os raros momentos onde as aparições ocorrem, em especial a figura de um cachorro, e a cena onde vemos o que seria os eventos passados centrais que teriam ocorrido na casa.

E também, como já disse, o conceito em si do que seria O quarto dos esquecidos, que é um conceito bastante sombrio e incômodo. Infelizmente este conceito é exposto da forma mais preguiçosa possível: através de um coadjuvante genérico que narra para a protagonista e o espectador o que o quarto representa. 
Um filme que representa apenas decepção, e que espero que seja trancado no sótão de algum estúdio e esquecido para eternidade.

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