#sarcasmo – Anjos da noite: Guerras de Sangue – Crítica
Anjos da Noite: Guerras de Sangue mantêm a qualidade da franquia, garantindo seu lugar ao lado de outros clássicos do gênero, como Crepúsculo. 


Gênero: Ação

Direção: Anna Foerster
Roteiro: Cory Goodman
Elenco: Alicia Vela-Bailey, Bradley James, Brian Caspe, Charles Dance, Daisy Head, Dan Bradford, David Bowles, James Faulkner, Kate Beckinsale, Lara Pulver, Oliver Stark, Peter Andersson, Theo James, Tobias Menzies, Trent Garrett
Produção: David Kern, Gary Lucchesi, Len Wiseman, Richard S. Wright, Tom Rosenberg
Montador: Peter Amundson
Trilha Sonora: Karl Walter Lindenlaub
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 01/12/2016 (Brasil)
Distribuidora: Sony Pictures
Estúdio: Lakeshore Entertainment / Screen Gems / Sketch Films
Sinopse: Selene, a vampira que o mundo todo quer que morra desde o primeiro filme, continua escapando de vampiros e lobisomens, sendo traída pelos mesmos vampiros que a perseguem, e liderando estes mesmos contra lobisomens. Em uma roupa de couro colante, claro.
Nota Razão de Aspecto:

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A franquia de Anjos da noite provou ser resistente como um vampiro: por mais que receba golpes de todos os lados, continua persistindo, e agora atinge sua quinta revolução de 360º: Anjos da noite: Guerras de Sangue.
Se você acha que a segunda parte do título se deve aos geniais tradutores de título brasileiros, não, Guerras de Sangue é uma tradução literal de Blood Wars, o que demonstra que Hollywood atingiu a mesma qualidade criativa dos tradutores de cá.
Esta capacidade criativa aparece também logo no início do filme. Devido a esta criatividade, eles conseguiram resumir tudo o que aconteceu de importante nos filmes anteriores a uma narração de mais ou menos quatro minutos. Com isto, fizeram que o público pudesse apreciar esta obra e usufruir da história na mesma profundidade,  mesmo sem ter assistido os filmes anteriores. Ou seja, os 4 filmes anteriores são totalmente supérfluos para o entendimento da trama.
Também nestes primeiros minutos, percebemos as marcas registradas da franquia: o mesmo filtro azul onipresente em literalmente todas as cenas, as roupas pretas obrigatórias, a grandiloquência com tudo o que se considera cool e as calças colantes da Kate Beckinsale.

Outras das qualidades que se mantiveram foram as cenas de festas com figurino que gritam GÓTICO!!!!!!, a eliminação de coisas supérfluas como o mundo humano (sim, não há um único personagem que não seja vampiro e/ou lobisomem) e a criativa manobra de mostrar a maldição e monstruosidade de vampiros e lobisomens através de intrigas e tramoias políticas dignas de uma caricatura exagerada do Senado Romano, mas sem sutileza ou inteligência.

Mas não se preocupe, mesmo com um visual fetichista e uma mentalidade de vilão de novela, não há cenas que exploram estes elementos para causar desconforto, medo ou ansiedade. É um filme de vampiros de família, afinal de contas.
  
A trama é tão complexa e elaborada que, por vezes, parece ser capaz de confundir os próprios personagens, e estes acabam tomando decisões sem sentido, como aceitar ir à casa de quem te tentou matar 50 vezes acreditando que o convite é amigável.
Há toda uma fluidez contextual que flerta com o surrealismo, como vampiros que ganham poderes extremamente eficientes para não usá-los nas horas necessárias, ou ainda uma sociedade de vampiros pacifistas armados até os dentes que partem para um ataque em uma guerra que eles evitam a séculos.
A construção non-sense, o teatro do absurdo, não se limita a ousadias de roteiro, mas aparece também nas coreografias de combate: temos pessoas se defendendo de rajadas de metralhadoras com escudos do tamanho de uma tampa de panela e saindo ilesos, uma fortaleza inexpugnável que é invadida em segundos, e um cavalheirismo em combate no qual vários personagens param e esperam seu adversário se transformar, provocar, se recuperar, enquanto dezenas de companheiros estão morrendo a seu lado.
E temos ainda algumas cenas gore respingadas em meio a tudo, de forma inesperada e repentina. Um vampiro que corta ao meio um dos temíveis lobisomens, em uma clara citação a Sharknado, e outro que arranca a coluna vertebral de um inimigo até então invencível com as próprias mãos. Tão poético quanto um Fatality do Mortal Combat.

Mesmo não sendo tão brilhante (pun intended) quanto os vampiros da saga Crepúsculo, Anjos da noite continua sendo uma franquia que explora e extrapola e rompe os limites do aceitável da mitologia de vampiros, mas se levando a sério e querendo ser cool, e não uma sátira. 

Se quiserem saber um pouco mais sobre filmes limitados e conservadores de vampiros, leia a crítica de Amantes Eternos, onde nosso colunista sedento de sangue Daniel Guilarducci explica, entre outras coisas, porque Anjos da Noite parece ser uma grande cópia de uma ambientação de RPG, mas é menos que isto.
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