WESTWORLD (1.7) – “TROMPE L’OEIL” – SÉRIES E TV

O episódio que os fãs esperavam em Westworld !
ESTA CRÍTICA CONTÉM SPOILERS DO SÉTIMO EPISÓDIO 
DE WESTWORLD

Leia a fica técnica aqui


Nota do Razão de Aspecto: 


A expressão “Trompe
L’Oeil”, que batiza o sétimo episódio de Westworld, significa, em francês, ilusão de
ótica. No campo da arte, corresponde a uma técnica de perspectiva que gera a
impressão de que uma pintura ou desenho em duas dimensões aparente ter uma
terceira, a profundidade. Brincar com a “verdade”, gerando perspectivas
falsas ou incompletas, é um dos trunfos que faz esta série tão instigante.
Desde o episódio anterior,
o ritmo ganhou em agilidade e coesão, o que ajuda muito o espectador a
acompanhar as diversas subtramas e se importar cada vez mais com cada uma delas.
Não tivemos Dolores na semana passada, e desta vez foi a busca do Homem de Preto a não
ser incluída no roteiro. Se por um lado isso pode frustrar alguns espectadores,
por outro torna os episódios menos pulverizados. E, com a proximidade do fim da
temporada, cada vez mais espetaculares.

As intrigas corporativas se
intensificam. Charlotte Hale explica a Theresa que o Conselho da Delos não está
satisfeito com a quantidade de recursos utilizados por Ford para sua nova
narrativa, tampouco com o comportamento errático de alguns anfitriões. Fica
claro, mais uma vez, que o parque é só uma mera fachada para pesquisas muito
mais importantes. A principal preocupação do Conselho é a de que Ford jamais permitiu, ao
longo de 35 anos, que fossem feitos backups
das informações produzidas no parque. Caso Ford seja gentilmente
“convidado a se aposentar”, como entende a empresa, ele poderia destruir ou levar com ele o
que possui mais valor para a Delos: a propriedade intelectual do que é ali
criado. As informações que Theresa estava contrabandeando do parque para a Delos
diziam justamente respeito a essa preocupação.
Para Hale, é preciso um “sacrifício
de sangue” para que fique claro para o Conselho como as criações de Ford
são perigosas. A vítima escolhida é Clementine. Ford e Bernard são convocados
para uma demonstração utilizando a anfitriã. Em um primeiro momento, seguindo
sua programação normal, ele é espancada violentamente  – em uma das cenas mais fortes da série até o momento – por outro anfitrião, que
posa de técnico do laboratório. Após um “reebot”, entretanto, Clementine não apenas se defende as
agressões, como se revida de seu agressor até matá-lo.  

Com isso, Bernard é
responsabilizado por ter acrescentado os “devaneios” à programação
dos anfitriões – embora tenha sido Ford a implementá-los. É essa modificação,
segundo Hale, que tem permitido os anfitriões reterem as memórias entre um loop e outro. Bernard é demitido, sob o
olhar silencioso de Ford. Clementine é “aposentada” como anfitriã, ao
sofrer uma espécie de lobotomia, para indignação de Maeve, que assiste à cena. Esta
decide que escapará do parque, com a ajuda dos técnicos.
Enquanto isso, Dolores, William
e El Lazo seguem sua viagem de trem
rumo… a algum lugar que descobriremos em breve. Em uma comparação temática
interessante, William conta que, quando era mais novo, vivia nos livros, nas
histórias, que pareciam fazer muito mais sentido para ele do que o mundo real.
Dolores, por outro lado, não quer ser parte de uma história… Embora resista
no princípio, William finalmente deixa seus sentimentos por Dolores e por ele
próprio (que “nunca se sentiu tão vivo” quando no parque) tomar
conta. Segundo ele, o parque não aflora os sentimentos mais vis de quem o
visita, e sim os mis profundos, os mais verdadeiros. À noite de amor dos dois segue
uma emboscada dos Confederados ao trem em que estavam.
Com a ajuda de El Lazo, Dolores e William chegam a um
rio, que a mais velha anfitriã confirma como o lugar com que ela tinha sonhado.
O que haverá para além daquele território? 
Será o fim do parque de Westworld? 
Quiçá a entrada do labirinto? O que se sabe é que aparentemente ninguém
voltou de lá…
Bernard é o grande personagem
do episódio. Ele começa a investigar o desaparecimento de Elsie, que não é
localizada no complexo, e está sumida, sob o pretexto de uma licença. Após ser demitido por Hale, ele procura Theresa novamente, e comenta ter ficado claro que o teste
de Clementine fora uma armação, com influência humana na mudança de
comportamento da anfitriã. Ao ouvir de Theresa que há muito mais em jogo para
ela e para a Delos do que os anfitriões, ele expressa o sentimento de muitos
espectadores, ao afirmar que “entendo os anfitriões, os humanos é que me
confundem”. Essa frase profética logo faria sentido…
Bernard leva Theresa a um
nível inferior do complexo de Waterworld, e mostra a ela um prédio que não
consta das plantas do lugar. Segundo Bernard, quem desenha as plantas são
anfitriões, e eles são programados para não ver aquele prédio. Os dois
descobrem um laboratório de criação de anfitriões que, embora com tecnologia bem
mais antiga, está totalmente funcional.

E é então que Westworld tem, provavelmente, a cena
mais impactante da sua temporada: utilizando a metáfora do pavão – que é
belíssimo, mas mal consegue voar, e está preso ao chão, comendo minhocas-, Ford
revela a Theresa que Bernard é um anfitrião – fato que confirma as teorias de
vários fãs da série. Assim como o pavão, toda a arte é, na verdade, um elaborado
ritual de acasalamento. Ainda segundo o idealizador do parque, ele criou os
anfitriões para terem uma existência feliz, sem questionamentos e sem o peso da
autoconsciência. Sob o comando de Ford, eles podem ter uma vida livre.
Confrontado com a ideia de que
o Conselho não permitiria que ele continuasse com seus planos, Ford não parece preocupado:
pelo contrário, entende que realmente hora de um sacrifício de sangue,  comanda Bernard a espanca-la até  a morte.
  
Com “Trompe L’Oeil”, Westworld mantém a aceleração da trama, iniciada no episódio anterior,  e acrescenta grandes doses de emoção – por si só, um dos temas da série – à medida que desvela os segredos que vem criando. A revelação sobre a natureza artificial de Bernard – teoria já alastrada nos fórum de discussão dos fãs – veio acompanhada da primeira morte humana importante da série. 

Um dos grande trunfos da trama é não estabelecer dicotomias exatas entre heróis e vilões. Ao mesmo tempo em que é capaz de mandar matar uma humana que se interpõe a seus planos, Ford não pode ser considerado automaticamente um antagonista, uma vez que seu ideal é uma vida de pureza para os anfitriões – mas valerá uma vida assim  sem a liberdade?  Não poderia haver pergunta mais atual.

Ademais, ainda não se sabe exatamente nem o propósito da narrativa por ele criada, nem quais os usos das pesquisas “realmente importantes” para a Delos. Para a Delos, o parque Westworld é só trumpe d´oeil para seus verdadeiros intentos.  Desde o início da história, os roteiristas têm nos feito criar empatia pela busca de liberdade e autoconsciência por parte dos anfitriões, em especial nas figuras de Dolores e Maeve. Uma vez que a Delos pouco se importa com eles, e Hale antagoniza Ford, o idealizador do parque volta a estar do lado dos “mocinhos”.

O mesmo vale para a figura de William. De visitante meio sem jeito e receoso, seu personagem vem crescendo e, ao que tudo indica, ganhará uma dimensão bem mais intensa. Caso seja confirmada a teoria de que ele é o Homem de Preto mais jovem, teremos um personagem com matizes de idealismo e altruísmo (não nos esqueçamos que o HdP é um filantropo fora do parque), ao mesmo tempo que conjuga violência e impiedade pelos anfitriões.

Essa maturidade de roteiro, aliada às tramas e subtramas parcialmente compreensíveis apenas no longo prazo, podem dificultar os que procuram apenas uma “série legal”. Mas o esforço em desvendar suas camadas é exatamente parte da diversão. 

Por hora, os espectadores mais atentos e especuladores têm acertado. Bernard é realmente um anfitrião. Aparentemente, este trumpe d´oeil não enganou totalmente os fãs. Resta agora, entre os mistérios mais aguardados, a confirmação da existência de mais de uma linha temporal na série, as identidades reais de Arnold e do Homem de Preto e os segredos do labirinto.

Começa a surgir também a curiosidade sobre como a série terá continuidade em sua segunda temporada, já confirmada para 2017. Os arcos iniciados nos primeiros episódios caminham, ao que tudo indica, para seus desfechos. É possível que sejamos apresentados, ao final do décimo episódio, a novos níveis do parque e/ou a um grande momento de virada na lógica da série. É bastante provável que acompanhemos também as consequências de tomada de consciência por parte dos anfitriões – e aposto que não sai da cabeça de ninguém o depósito de anfitriões desligados no subsolo do complexo, prontinho para uma revolução… 

por D.G.Ducci

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