5º Brasília International Film Festival – Quarto dia – A Caridade

Ao contrário do previsto, o Razão de Aspecto pode comparecer ao quarto dia do 5º Brasília International Film Festival. Não foi sem susto, a correria foi grande, como vocês puderam conferir na cobertura ao vivo pelo Facebook. Quem perdeu o furo de reportagem pode conferir atrasado no vídeo abaixo:
Apesar de todo glamour e magia, só foi possível assistir um único filme, para nossa profunda tristeza. Então, os comentários acerca do 4º dia irão se limitar ao filme abaixo:
A caridade – Mostra competitiva de ficção
Ficha técnica completa aqui.
A caridade trata de um casal com trinta anos de casamento, que entram em crise conjugal após o marido sofrer um acidente de trânsito e perder uma perna. 
Se esta sinopse liga para você o alerta de filme piegas, você acertou. Acrescente o fato de ser uma produção mexicana, e estamos no estereótipo do melodrama barato. O que é um pouco, bem pouco, injustiça ao filme, pois não temos aquelas atuações exageradas e circenses de novelas televisivas. 

Infelizmente, porém, apesar da discrição nas interpretações, o filme serve apenas para comover quem quer ser comovido facilmente, não apresentando nada de profundo, detalhado, ou meramente interessante. O início já dá tom ao tema, com uma cena desconexa e propositalmente mal filmada, simulando filmagem amadora de festas, onde uma senhora mexicana de aparência milenar descreve a pureza emocional de dar uma esmola.
Depois o filme descamba para uma tentativa de sentirmos pena de senhores de idade, um deles sem perna, que se sentem solitários e querem fugir do vazio deles por meio de sexo extraconjugal. Imagine uma peça de Nelson Rodrigues, sem diálogos interessantes, sem reviravoltas e sem humor. 
Todos os personagens são unidimensionais, e nenhum evolue em nenhum aspecto, exceto a esposa que tem uma crise de choro em certo momento. Há um excesso de filmagens de cotidiano desnecessárias, lembrando uma edição de filme pornô da década de 80 em que as cenas de sexo foram cortadas. E as várias cenas de chuveiro me fez querer que Norman Bates entrasse no recinto e resolvesse a questão.
É triste e cansativo dar uma nota tão baixa para um filme em que percebemos que o diretor tentou honestamente produzir uma obra sensível, mas crítica cinematográfica não é caridade. Nota: 1/5


Confira como foram os dias anteriores do festival aqui:
Cerimônia de Abertura 
Segundo dia 
Terceiro dia
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