A Luz Entre Oceanos (The Light Between Oceans, 2016) – Crítica
A Luz Entre Oceanos tem uma trama forte, dramática e com dilemas morais.
Gênero: Drama
Direção: Derek Cianfrance
Roteiro: Derek Cianfrance
Elenco: Alicia Vikander, Anthony Hayes, Benedict Hardie, Bryan Brown, Elizabeth Hawthorne, Emily Barclay, Florence Clery, Garry Macdonald, Gerald Bryan, Jack Thompson, Jane Menelaus, Jonathan Wagstaff, Leon Ford, Michael Fassbender, Michael Wallace, Peter McCauley, Rachel Weisz, Rosella Hart, Stephen Ure, Thomas Unger
Produção: Jeffrey Clifford
Fotografia: Adam Arkapaw
Montador: Jim Helton, Ron Patane
Trilha Sonora: Alexandre Desplat
Duração: 132 min.
Ano: 2016
País: Estados Unidos / Nova Zelândia / Reino Unido
Cor: Colorido
Estreia: 02/11/2016 (Brasil)
Distribuidora: Paris Filmes
Estúdio: Amblin Entertainment / DreamWorks SKG / Heyday Films / LBO Productions (II) / Participant Media / Reliance Entertainment / Touchstone Pictures
Sinopse: Tom (Michael Fassbender) se voluntaria para trabalhar em um farol. Após um tempo isolado, a recém esposa dele, Isabel (Alicia Vikander), também vai para o local. Eles encontram em um barco um homem morto e um bebê. O casal resolve ficar com a criança, mesmo diante das possíveis consequências. 
NOTA DO RAZÃO DE ASPECTO: 

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Definitivamente A Luz Entre Oceanos não é uma obra fácil para se digerir, não por ser um filme ruim, longe disso… mas por sairmos da sessão cansados, mentalmente estafados. As mais de duas horas de projeção é o fator que menos influencia aqui. O que causa então essa sensação peculiar? A resposta é simples: o diretor Derek Cianfrance não nos ter poupado em momento algum do drama familiar e dos dilemas vividos pelo protagonista Tom Sherbourne. Sherbourne é um homem que tenta se afastar do contato com outros seres humanos, mas por amor a uma mulher ele acaba sendo capaz de tudo.

O casal Tom e Isabel se forma de maneira rápida. O amor entre eles é bem ilustrado em diversas cenas naquela quase paradisíaca e ao mesmo tempo ameaçadora ilha (a pressão psicológica, decorrente do isolamento, vitimou os antigos trabalhadores do local). Alternam-se cenas um tanto piegas, como um beijo com o por do sol ao fundo – que tenta ser uma metáfora para o título, mas é só piegas mesmo – e diálogos poderosos (“aqueles que perdem os pais são órfãos, aqueles que perdem o cônjuge são viúvos. Quem perde o filho continua sendo pai/mãe, mesmo sem ter a criança”). 


Tom se voluntariou para ir para o farol, pois como ele mesmo afirma só estava querendo fugir das coisas. Sabemos, então, que ele teve um passado turbulento, não tarda para associarmos os traumas com a primeira guerra. O que ele não imaginava é que as coisas não iam ficar tão mais fáceis. Ao se envolver com Isabel e tomar certas decisões, as consequências viriam. Trincheiras, tanques e mortes dão lugar a outra violência, a moral. Mas mais do que outros apontando o dedo para ele, a própria consciência é que grita.

Fassbender (X-Men Apocalipse) nos traz, portanto, um ex-militar com expressões firmes. Há uma quase ausência de expressão, que no contexto funciona muito bem. Lembra Bradley Cooper em Sniper Americano. Já Vikander (premiada em A Garota Dinamarquesa) cai no extremo oposto, mas com igual mérito. Ela transmite muito sentimento e uma certa insanidade. Rachel Weisz (A Múmia) completa o time de atores principais trazendo uma mulher desesperada, que tenta manter a lucidez e ser racional. A atriz convence em cada cena e transmite a dor da personagem de uma forma triste e cativante. A entrada dela na trama dá um peso gigante à história e parte do mérito se deve a Weisz. E só como comentário adicional, a mirim Florence Clery é uma graça. 

Muito bem fotografado, A Luz Entre Oceanos se destaca muito além da exploração das belas paisagens. Os tons são bem utilizados e notadamente houve uma preocupação em trazer um elemento a mais aqui. A trilha é um tanto chorosa, todavia condizente com a trama e com a sensação que quer passar. Contudo, mesmo sem soar invasiva fica um pouco carregada. Há boas doses de melodrama nesses quesitos, é verdade. A direção de Derek Cianfrance, portanto, transita entre momentos de bela harmonização dos elementos que tem em mãos e cai em algum exagero, como no epílogo. O longa também fica um pouco arrastado no arco final – quando que a parte que justificaria esse tom mais lento seria o começo – todavia, ao não nos poupar da sequência de situações dramáticas Cianfrance acerta em cheio.A Luz Entre Oceanos cumpre o que promete. Usa de bons artifícios narrativos – tem, por exemplo, um preciso flashback. Não dá para dizer que o roteiro tem viradas sensacionais, pois as mudanças na trama se dão em uma direção: a de dilacerar o público e provocar uma estranha empatia (o que faríamos naquela situação?). Atuação e fotografia, portanto, também merecem aplausos. 


Como se não bastasse tudo isso, há mensagens como a de um dos personagem que sofreu com a guerra que vale a reflexão: é mais fácil perdoar do que guardar rancor, dado que o rancor é alimentado diariamente e para se perdoar basta uma vez.  
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