Fora do Rumo (2016) – Crítica
Em Fora do Rumo duas celebridades do humor corporal da atualidade, Jackie Chan e Johnny Knoxville, se unem para apanharem muito em frente as câmeras e provocarem poucas  e constrangidas risadas. 

Gênero: Comédia, Ação, Artes marciais.
Direção: Renny Harlin
Roteiro: Jay Longino, Brian Gatewood, Alessandro Tanaka
Elenco: Jackie Chan, Johnny Knoxville, Fan Bingbing, Eve Torres
Fotografia: Chi-Ying Chan
Trilha Sonora: Kwong Wing Chan
Duração: 120 min.
Ano: 2016
Cor: Colorido
Estreia: 27/10/2016 (Brasil)
Distribuidora: Talent International Film, Dasym Entertainment, Exclusive Media Group
Sinopse: Um policial de Hong Kong se tona obcecado em prender “El matador”, após este mítico criminoso ter assassinado seu parceiro. Quase uma década depois a chance surge, mas para tal ele terá que encontrar um apostador americano envolvido com a máfia russa, trazê-lo a Hong Kong e conseguir sua cooperação.
Nota do Razão de Aspecto:
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Eu gosto do Jackie Chan. E não é um guilty pleasure, eu realmente acho que ele é uma referência mundial para o subgênero da comédia de artes marciais. É um excelente artista marcial, filma suas cenas sem dublês, o que aumenta o realismo, e tem uma presença corporal excelente para um humor no estilo de Buster Keaton, exceto no tocante as expressões faciais, impassíveis no astro do cinema mudo, e caricatas no artista marcial de hoje.
A assinatura típica dos filmes de Jackie Chan são suas lutas coreografadas caóticas, onde objetos incomuns são usados como armas, escapadas impossíveis são feitas de modo improvisado e atrapalhado, provocando riso, ao mesmo tempo que admiração pela técnica de luta. Filmes como A hora do Rush, Bater ou correr, e O mestre invencível podem não ser clássicos do cinema, mas agradam um enorme número de fãs e são comédias competentes e muito bem filmadas.
Apesar de eu não gostar nada do Johnny Knoxville, e nunca entender do porque a franquia jackass faz sucesso, aparentemente juntar um ator marcial de comédia de qualidade com o saco de pancadas mais popular da TV e cinema poderia ser uma boa idéia. Poderia. Mas o resultado ficou Fora do Rumo.
Uma das coisas essenciais para qualquer narrativa, em especial no cinema, é a necessidade. Se conta aquilo que é necessário contar, pelo tempo necessário e com os recursos necessários. A vida é repleta de coisas desimportantes, mas um bom filme, na maioria das vezes, mostra apenas o que é preciso. Tudo o que está na tela tem de ter um motivo relevante para estar lá, para fazer parte da história.
E quase todo o segundo ato de Fora de Rumo é desnecessário. A viagem dos dois personagens principais da Rússia para Hong Kong é um gigantesco nada narrativo. Percebe-se que, dentro dos clichês do gênero, esta subtrama deveria servir para dar liga e coerência para que Bennie Chan (Jackie Chan) e Connor Watts (Johnny Knoxville) deixassem de se detestar e virassem parceiros e amigos. Mas infelizmente as cenas são desconexas, os eventos não tem carga dramática capaz de gerar esta mudança nos personagens, e o segundo ato é uma imensa perda de tempo.
Se os dois protagonistas não convencem como parceiros, a vingança desejada por Chan também fracassa em nos comover. O crime do início do filme é contado de forma muito desleixada. A vítima do terrível “El Matador” é um completo desconhecido para o público, sabemos apenas seu nome (Yung), que ele é parceiro de Chan e que tem uma família. Ou seja, não há envolvimento com o personagem, que explode e desaparece nos primeiros segundos de filme.
O final é um exemplo de como não se usar um plot twist. Para termos um bom plot twist é preciso que o final desconstrua algo ao que o espectador se afeiçoou e se envolveu, para que ele se incomode e fique surpreso e assombrado. E não simplesmente apresentar, sem sutileza, algo que era sem importância e parecia diferente, e querer que nos importemos com isto.
A única coisa que salva no filme são as coreografias de luta, e o inegável talento corporal de Jackie Chan. E, temo que talvez pela idade do ator, os minutos de luta gastos no filme foram significativamente menores do que estou acostumado em um filme dele. Ou seja, temos pouco daquilo que Jackie Chan faz de melhor, que é misturar Buster Keaton com Bruce Lee. E um péssimo filme ao redor destas poucas cenas meritórias.
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