OUIJA: A ORIGEM DO MAL (2016) – CRÍTICA
Um filme despretensioso, porém bem executado, que pode agradar aos fãs do gênero de terror.


Gênero: Terror
Direção: Mike Flanagan
Roteiro: Jeff Howard, Mike Flanagan
Elenco: Alexis G. Zall, Annalise Basso, Bob Gebert, Chelsea Gonzalez, Doug Jones, Ele Keats, Elizabeth Reaser, Eve Gordon, Gary Patrick Anderson, Halle Charlton, Henry Thomas, Kate Siegel, Lin Shaye, Lincoln Melcher, Lulu Wilson, Nicholas Keenan, Parker Mack, Rebecca Zahler, Sam Anderson
Produção: Andrew Form, Bradley Fuller, Brian Goldner, Jason Blum, Michael Bay, Stephen Davis
Fotografia: Michael Fimognari
Montador: Mike Flanagan
Trilha Sonora: The Newton Brothers
Duração: 90 min.
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 20/10/2016 (Brasil)
Distribuidora: Universal
Estúdio: Allspark Pictures / Blumhouse Productions / Hasbro / Platinum Dunes
Classificação: 14 anos
Sinopse: O longa acompanha a jovem Doris. Rejeitada na escola e muito tímida, ela é filha de uma vidente golpista que finge conversar com espíritos. Com problemas financeiros, ela procura uma maneira de esquentar seus negócios e compra um tabuleiro de Ouija. Entretanto, quando Doris decide usar o tabuleiro de Ouija sozinha para conversar com o pai, acaba desencadeando uma série de fenômenos sobrenaturais.
Nota do Razão de Aspecto:
 
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Fui ao cinema sem maiores expectativas em relação a Ouija: A Origem do Mal e ainda desconfiado das boas críticas que li sobre o filme. Não somente em função do péssimo filme predecessor, de 2014, mas também em decorrência do fraco trabalho do diretor Mike Flanagan em O Sono da Morte (2016), não conseguia confiar em um bom resultado para este filme de terror, que, ainda por cima, tratava de um dos maiores clichês hollywoodianos de filmes do gênero. Felizmente, eu estava enganado.
Em Ouija: A Origem do Mal, voltamos a nos encontrar com o diretor Mike Flanagan de O Espelho (2013) de Hush: A Morte Ouve (2016), capaz de construir uma narrativa tensa e interessante com base em um premissa simples, utilizando poucas locações e poucos atores. E tornar um filme sobre o tabuleiro ouija minimamente interessante nos dias de hoje é, no mínimo, uma tarefa árdua. Flanagan faz um trabalho competente, ao saber dosar tensão, medo e susto – que não pode faltar em um filme de terror comercial -, de forma a perverter algumas convenções do gênero.
Apesar de fazer uso de jump scares e do truque da trilha sonora anunciando o susto, Flanagan, frequentemente, utiliza-se de uma espécie de jump scare seco: a música desaparece, e do silêncio do ambiente surge o susto inesperado. E, sim, embora o espectador preveja o susto, ele não sabe quando e como virá – o que aumenta o efeito de terror. Além disso, em diversas ocasiões, o diretor brinca com a expectativa do público apenas para frustrá-la, e não busca um jump scare previsível. Esse recurso coloca Ouija: A Origem do Mal entre os filmes de terror meramente comerciais e sem nenhuma criatividade e filmes inovadores, apesar de mal compreendidos pelo grande público, como A Bruxa.
O roteiro de Ouija: A Origem do Mal não é nenhuma obra digna de premiação, mas é suficientemente bom para uma premissa rasa, desenvolve bem os personagens e culmina em uma excelente resolução, com um terceiro ato capaz de nos fazer grudar na cadeira, ou pular dela, a depender da sua forma de reagir. Pela primeira vez em muitos filmes de terror de Hollywood, o roteiro nos apresenta um personagem que toma a decisão mais racional e inteligente e afirma: “nos separarmos agora é coisa mais estúpida que podemos fazer”. Somente por essa frase, o filme já vale o ingresso.
O ponto mais alto do filme são as atuações, especialmente dos quatro personagens centrais: a mãe Alice Zander (Elizabeth Reaser), o Padre Tom (Henry Thomas, ele mesmo, o garotinho de E.T), Lina Zander (Annalise Basso) e sua irmã caçula Doris Zander, brilhantemente interpretada por Lulu Wilson. Trata-se de mais um filme de terror no qual uma interpretação infantil é o carro chefe da narrativa.
Os pontos mais fracos do filme são os efeitos visuais – não que sejam péssimos ou amadores, mas, em alguns momentos, ficam evidentemente artificiais – e a trilha sonora genérica, que pouco acrescenta e que se destaca mais quando está ausente, nos silêncios, do que quando é utilizada para criar tensão. A fotografia, por sua vez, faz um jogo eficiente de luz e sombra, contrastando o interior da casa e o espaço exterior.
Com diversas referências de fotografia, mise en scène e roteiro inspiradas, ou, quem sabe, homenageando, o clássico O ExorcistaOuija: A Origem do Mal é um bom filme de terror, muito acima do que a expectativa média do público poderia esperar. Um filme despretensioso, porém bem executado, que pode agradar aos fãs do gênero de terror.
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