O Shaolin do Sertão (2016) – Crítica

O Shaolin do Sertão fará teu quengo rachar de tanto rir.

Gênero: Comédia
Direção: Halder Gomes
Elenco: Bruna Hamu, Dedé Santana, Edmilson Filho, Fábio Goulart, Fafy Siqueira, Falcão, Frank Menezes, Haroldo Guimarães, Igor Jansen, Karla Kareninna, Lailtinho Brega, Marcos Veras, Tirulipa
Trilha Sonora: Fagner, Leite de Rosas e os Alfazemas, Marcos Lessa
Duração: 100 min.
Ano: 2015
País: Brasil
Cor: Colorido
Estreia: 20/10/2016 (Brasil)
Distribuidora: Downtown Filmes
Estúdio: Globo Filmes / Paramount Pictures / Telecine
Classificação: 12 anos

Sinopse: Aluisio Li tem o sonho de se tornar um lutador de artes marciais. A chance chega, mas ele tem que se preparar para enfrentar um grande lutador que se mantém invicto no interior do Ceará. Para isso ele contará com treinamentos exóticos e a ajuda de atrapalhados amigos.


Nota do Razão de Aspecto:

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Uma parte considerável dos filmes nacionais lançados em cinema comercial no Brasil são comédias. Todavia, poucas são como O Shaolin do Sertão. O grande defeito da primeira meia hora deste filme é que você perderá algumas piadas, pois estará rolando de rir. Dava pra cravar como longa mais engraçado do ano. E o que ocasionou tanta comoção? Tudo…Uma galhofa assumida mesclada a uma autoconsciência – a razão de aspecto muda no prólogo com um movimento de punho e em uma outra luta os personagens param para jogar Genius. Um personagem principal/ator muito carismático, destemido, ingênuo, sonhador, quase uma criança grande. Tanto que ele é, na cabeça dele, heroico. E, principalmente, um cearês semi-incompreensível para o resto do Brasil – tanto que o longa anterior do diretor, o Cine Holliúdy, tinha legendas – mas ao mesmo tempo é genuíno e quase que totalmente entendível.  

Uma grande paródia/homenagem aos filmes chineses de artes marciais. E com consciência dos clichês do gênero: vários contra um, movimentos exagerados, pegar em armas no meio da luta… Já é a segunda vez que uso a palavra consciência aqui. Mas é isso que O Shaolin do Sertão é: um sabedor do lugar que quer ocupar. Sem perder a uma naturalidade cômica, com uma pegada circense – não à toa a luta final tem o signo explícito de se passar em um circo e o árbitro ser um palhaço (o Tirullipa, filho do Tiririca, o rapaz aliás é idêntico ao pai, na primeira aparição eu cogitei que fosse o nobre deputado ali).  
Algumas passagens ganham força pela repetição, outras tentam se sustentar apesar delas – nem sempre logrando êxito, como no personagem fanho, que possui um diálogo fantástico e outros momentos redundantes. Essa inconsistência é sentida em vários aspectos da obra. O arco “familiar” (com a mãe, a pretendente, o amigo e até o mestre) funciona. Temos ali uma construção do personagem, com sentido narrativo e relações mais críveis. Já o momento político traz uma boa motivação para a trama como um todo, mas ocupa um tempo desnecessário e trazendo um confronto entre candidatos que poderia ser retirado.

Edmilson Filho, que também fez Cine Holliúdy, traz uma fisicalidade assustadora. Os trejeitos e as características que elenquei antes fazem dele uma figura simpática aos olhos do público, porém desacreditada pela maioria da cidade. Edmilson realiza cada transição com segurança e precisão. Não quero desmerecer a atuação do garoto Igor Jansen, que faz o hilário Piolho, contudo, ele é muito ajudado pelo texto. Praticamente todas as aparições dele são bem-vindas – vamos ficar de olho no jovem.

Algumas vezes O Shaolin do Sertão lembra algo dos Trapalhões. Nesse sentido a escolha do Dedé Santana é acertada. Porém, ele aparenta cansaço e movimentos aquém e além do necessário – vindo mais como uma reverência do que um apoio interpretativo. O cantor brega Falcão marca presença como um treinador às avessas e profeta de frases como: “A partir da meia noite a tendência é… amanhecer”. Fafy Siqueira dá um banho com uma personagem simples. Já a bela Bruna Hamu não entrega muito. 

Como eu disse, o primeiro arco do longa é genial. Facilmente, dava para receber uma nota máxima em todos os quesitos. Aos poucos vai perdendo força e, mesmo que preservando o incomum, torna-se um pouco maçante e bobo. Contudo, um dos Brasis bem brasileiro se faz presente e mostrando para todo o país que o sotaque e expressões do nosso povo vai além do eixo RJ-SP.
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