O CONTADOR (2016) – CRÍTICA
 
 
O Contador tem potencial para ser muito melhor do que realmente é.
Gênero: Ação
Direção: Gavin O’Connor
Roteiro: Bill Dubuque
Elenco:   Alison Wright, Andy Umberger, Anna Kendrick , Ben Affleck , Cynthia Addai-Robinson, Gary Basaraba, Gregory Alan Williams, medos Gregory, Inder Kumar, JK Simmons , Jeffrey Tambor, Jessica Marie C., John Lithgow, Jon Bernthal , Ron Yuan
Produção: Lynette Howell, Mark Williams
Fotografia: Seamus McGarvey
Montador: Richard Pearson
Trilha Sonora: Mark Isham
Duração: 128 min.
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 20/10/2016 (Brasil)
Distribuidora: Warner Bros.
Estúdio: Electric City Entertainment / Zero Gravity Management
Classificação: 14 anos

Sinopse: Christian Wolff (Ben Affleck) é um homem com Síndrome de Asperger, o que o faz ter mais habilidade com números do que a maioria das pessoas. Ele usa um escritório de contabilidade em uma cidadezinha pequena apenas como fachada para trabalhar para algumas das mais perigosas organizações criminosas do mundo. Entretanto, quando ele descobre um rombo nas contas de uma grande empresa, passa a ser caçado por assassinos profissionais. Por sorte, ele também é uma máquina de matar.

 

Nota do Razão de Aspecto:
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Tudo indicava que O Contador seria um filme memorável. A história de um contador autista, cuja dificuldade de interação social se reflete na sua vida profissional, com vida dupla – como contador de bairro e, ao mesmo tempo, assassino profissional e contador de grandes organizações criminosas – é instigante. O primeiro trailer já me havia despertado a curiosidade de entender como aquele personagem com talento inegável para a matemática, no nível de Uma Mente Brilhante, se tornou uma ameaça letal aos seus inimigos. Fui ao cinema com a expectativa alta, e, infelizmente, o filme não correspondeu.
O Contador tem potencial para ser muito melhor do que realmente é. Apesar da boa premissa, o filme se sabota com uma quantidade incômoda de diálogos expositivos – coisas como “diga-me o que você vê nesta foto” (aff!) -,  com conveniências excessivas no roteiro e com reviravoltas totalmente previsíveis para um espectador que tenha intimidade com filmes de suspense.
De pouco ou nada adianta o talento de J. K Simmons, se o material que tem para trabalhar é genérico. Ben Affleck, por sua vez, faz um de seus melhores trabalhos como ator no papel de Chris Wolf, o contador autista funcional que dá nome ao filme. O restante do elenco não se destaca, não por falta de esforço, mas, sim, pelo pouco desenvolvimento dos personagens proporcionado pelo roteiro.
A montagem de O Contador é inteligente, por desenvolver a narrativa de forma não linear. A alternância entre o presente, quando nosso contador é uma autista funcional que trabalha para diferentes organizações criminosas, e o passado, que nos conta a história da infância do protagonista e sua relação com a família, especialmente com o pai, ajuda o espectador realmente se importar com o destino daquele personagem. Por outro lado, a própria montagem torna óbvia aquela que deveria ser a principal reviravolta do roteiro.
O Contador tem boas sequências de ação, que exploram a fisicalidade de Ben Affleck – e é impossível não relacionar algumas dessas cenas ao Batman de Batman x Superman – e a brutalidade de Jon Bernthal (o nem tão saudoso Shane, de The Walking Dead) – o oponente do protagonista. Como suspense, o filme funciona moderadamente: no primeiro ato, quando a grande reviravolta ainda não se tornou completamente óbvia, é muito eficiente, mas, no último ato, falha miseravelmente, porque a suposta descoberta acaba se tornando um anticlímax. Além disso, a trama paralela de romance entre os personagens de Affleck e Anna Kendrick é apenas um dispositivo genérico para dar ao contador uma motivação para a ação.
Tecnicamente, O Contador é quase impecável. A fotografia fria reflete a condição de distanciamento emocional do personagem – pelo menos enquanto esse distanciamento ainda existe – e faz bom uso do jogo de luz e sombras para o desenvolvimento da ação. A trilha sonora, por sua vez, traz organicidade a todas as cenas, com referências ao calculismo do personagem e, ao mesmo tempo, ao cálculo matemático.
O Diretor Gavin O’Connor faz um trabalho competente com o material que tem, especialmente por não tratar o autismo de forma estereotipada e ofensiva. Havia uma linha tênue entre a forma de tratar o autismo de Chris Wolf como uma limitação total ou como uma habilidade, e o diretor soube exatamente como transitar sobre esta linha com total eficiência e respeito a espectador.
Apesar dos problemas, O Contador tem seus méritos, funciona moderadamente como suspense, nos apresenta um protagonista interessante e complexo, tem boas sequências de ação e fecha os arcos narrativos de forma eficiente. Poderia ser melhor, mas é um bom divertimento.
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