Gênero: Terror, zumbis.

Título original: Busanhaeng
Direção:  Sang-ho Yeon
Roteiro: Lee Dong-Ha
Elenco: Gong Yoo, Ma Dong-Seok, Jung Yu-mi, Kim Su-an, Kim Eui-sung, Choi Woo-shik, Ahn So-hee
Produção: Lee Dong Ha
Fotografia: Lee Hyung-deok
Trilha Sonora: Jang Young-gyu
Duração: 118 min.
Ano: 2016
País: Coréia do Sul
Cor: Colorido
Distribuidora: Next Entertainment Wolrd
Estúdio: RedPeter Film
Estréia (Brasil): 24/11/2016
Sinopse: Seok Woo, a contra-gosto, atende o desejo de sua filha, Soo-an, de visitar sua ex-esposa (e mãe de sua filha) como presente de aniversário para a menina. Para isto embarcam em um trem-bala, com destino a Busan. Infelizmente um dos passageiros embarca contaminado por um vírus que transforma suas vítimas em zumbis.
Nota do Razão de Aspecto:


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Ontem toda a equipe do Razão de Aspecto se reuniu para uma típica noitada (pelo menos para nós): assistir três filmes de terror/suspense coreanos. E a estrela da noite foi sem dúvida o já badalado (mesmo ainda faltando mais de um mês para estrear no Brasil) Invasão Zumbi.
Não é muito comum que um filme de zumbis seja selecionado para Cannes, mas sem dúvida este não é um típico filme de morto-vivos. Muitos dos clichês do gênero estão presentes, mas sempre usados de forma criativa, e alguns deles estão completamente invertidos. Juntando isto com a idéia simples, mas excelente, de colocar zumbis furiosos e velozes dentro de um claustrofóbico trem-bala,  temos um dos melhores filmes de zumbi dos últimos anos, e um dos melhores filmes de terror de 2016.
A trama se centra na relação entre Seok Woo (interpretado por Yoo Gong, de Silenced) e sua filha, Soo-an (interpretada por Soo-ann Kim, de Mad Sad Bad). No primeiro ato vemos a vida doméstica de pai e filha, uma relação desgastada pelo divórcio recente e pela frieza e egoísmo de Seok Woo, que se dedica à carreira e se torna um pai distante e frio.
Este conflito explode no momento em que pai e filha pisam no trem e são expostos aos zumbis. A filha é solidária e calorosa com os demais sobreviventes, e o pai é egoísta e acredita que apenas uma postura de “cada um por si” pode levar à sobrevivência. Ambos os atores trazem este conflito de forma convincente para a tela, mas o destaque fica com a tristeza, decepção e desespero que a filha sente ao ver a verdadeira natureza de seu pai, e como a pureza infantil de Soo-an acaba por ensinar a seu pai a necessidade de se importar não apenas com sua filha, mas com todos. A interpretação da atriz mirim é impressionante, em uma variedade de emoções díspares, de dor, medo, tristeza, luto, etc, a tal ponto que um de nós chegou a comentar que parecia que estavam torturando a menina de verdade.
E todo este arco dramático acontece em meio ao caos violento da fúria zumbi. São zumbis “corredores”, com movimentos extremamente desumanos, grotescos, e que se comportam como uma onda imparável, uma muralha de carne e dentes em velocidade alucinante. E como a maior parte do tempo a turba zumbi é composta por figurantes (alguns verdadeiros atletas com interpretação corporal assustadora) e não por CGI, temos uma reação de pavor legítima. Apesar da velocidade e brutalidade, sempre a onda é de mortos-vivos, e não aquela massa impessoal e pouco convincente de Guerra Mundial Zumbi
A direção de Sang-ho Yeon impressiona, ainda mais se lembrarmos que este é seu primeiro filme live-action. Seus trabalhos anteriores são todos animações, como The king of pigs e The fake. Ele soube muito bem usar de uma alternância de planos abertos e planos fechados, que ressalta e muito a claustrofobia de se trancar em um trem junto com uma multidão de mortos-vivos canibais. Cabe destaque também a forma como ele constrói personagens tridimensionais, e faz com que as relações entre eles alterem completamente a trama e também cada personagem. O único porém que coloco é que o filme se alonga demais, e talvez necessitasse de ser mais “enxuto”, perder algumas gordurinhas desnecessárias que pouco acrescentam ao desenrolar da trama. Isto não significa de nenhuma forma que o filme se torna cansativo ou repetitivo, muito pelo contrário, várias vezes nos surpreendemos em como cenas que poderiam ser “mais do mesmo” se transformam em novidades surpreendentes.
O final do filme é grandioso (sem spoiler, não se preocupem). A mudança de um trem moderno e fechado para um antiquado e aberto é uma preparação visual para o desfecho final, desfecho este que encerra todos os arcos dramáticos de uma forma verdadeiramente comovente. Mesmo que duas ou três vezes eu tenha pensado “se acabar aqui vai ser um excelente final”, o final escolhido pelo diretor supera todos os possíveis finais anteriores.
É um filme de zumbi completo. Temos atos de heroísmo, cenas de ação e sanguinolência, cenas de pavor e aparente morte inevitável, luto pela morte de companheiros, sacrifícios heróicos, e sobretudo o tema mais central de todo cinema zumbi: como pessoas expostas a situações extremas podem revelar o seu pior, e seu melhor, e ir além do humano cotidiano.
Agora aguardo ansiosamente colocar as mãos na animação Seoul Station, um prequel de Invasão Zumbi que ainda não tive a chance de assistir.

  • Eu gostei do filme, é uma abordagem um tanto diferente dos filmes americanos, com algo de drama que me lembrou "28 days later". Concordo que os personagens são menos planos do que eventualmente encontramos nas produções americanas e achei interessante o foco em famílias. Até os vilões tem mãe :-). Em termos de ambiente achei interessante uma história de zumbis num ambiente inicialmente limpo e quase asséptico, em contraste com as paisagens devastadas de sempre. Também fico feliz em ver opções com muitos figurantes e sem a obsessão americana por CGI. Nada de zumbis ou sanguinho de computador. O outro aspecto que acho interessante são os personagens "pouco adequados" mas comuns e possíveis, como a criança, a grávida ou a velhinha. E o eventual desprezo pelas "autoridades" como o empresário ou funcionário da empresa que são típicos desse tipo de história.

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