E.T. O Extraterrestre (1982) – Especial Dia das Crianças – Crítica
Devido ao dia das crianças, perguntamos aos razoáveis pelo Twitter qual a atuação infantil que merecia uma crítica pelo Razão de Aspecto, e o vitorioso foi E.T. – O Extraterrestre. Então vamos analisar em detalhes o filme estrelado por Henry Thomas, Drew Barrymore e Robert MacNaughton.
Gênero: Ficção Científica, Aventura
Direção:  Steven Spielberg
Roteiro: Melissa Mathison
Elenco: C. Thomas Howell, Dee Wallace, Drew Barrymore, Erika Eleniak, Henry Thomas, Pat Walsh e Debra Winger (vozes do E.T.), Peter Coyote, Robert MacNaughton
Produção: Kathleen Kennedy, Steven Spielberg
Fotografia: Allen Daviau
Trilha Sonora: John Williams
Duração: 115 min.
Ano: 1982
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Distribuidora: Paramount Pictures Brasil
Estúdio: Universal Pictures
Classificação: Livre
Informação complementar: Voz do E.T.: Debra Winger
Sinopse: Uma nave espacial explora brevemente nosso planeta, deixando acidentalmente um de seus tripulantes para trás. Este ser espacial se esconde na casa de Elliot, um garoto que vive com sua mãe e dois irmãos. Logo uma amizade entre o alienígena e o garoto se forma, e com esta amizade eles tentarão levar E.T., o extraterrestre, de volta para casa.
Nota do Razão de Aspecto:
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Eu assisti E.T. – O Extraterrestre três vezes. A primeira foi no cinema, não sei dizer se foi em 1982-3 (a estréia dele no Brasil foi no natal de 1982) ou em uma reprise, mas eu sei que eu era muito, muito garoto. E chorei como uma criança, e me envolvi, interagi com o filme, gritei, senti medo, raiva, alegria, etc. Foi uma enorme catarse.
A segunda vez foi quando eu tinha em torno de 20 anos, assisti em VHS, e detestei. Me pareceu um dramalhão barato, apelo emocional tolo. Estranhei como eu poderia ter gostado tanto de um filme tão ruim, e coloquei a culpa na ingenuidade infantil.
A terceira vez foi hoje. E acho que o jovem de 20 e poucos anos se levou a sério demais, e talvez tentando ingenuamente parecer mais adulto que era, se recusou a se encantar como uma criança. Ao deixar de querer ver o filme como adulto sério e maduro, voltei a me encantar com o filme. O que talvez tenha me poupado problemas de relacionamento, pois minha namorada tinha me proibido de falar mal de E.T. aqui no blog.
Mas não é apenas no apelo emocional infantil que o filme funciona, mas também nos aspectos técnicos, nas interpretações, na trilha sonora, no roteiro, etc. E.T. não é apenas um dos maiores sucessos comerciais da história do cinema, como também um clássico que transcende gerações e que deve ser visto por crianças de todas as idades e em todas as décadas.
O primeiro ponto que chama a atenção, desde a primeira cena, e que progride durante todo o filme, é a linguagem de câmera. Todas as cenas são filmadas com a câmera em meia altura, dando uma perspectiva visual infantil das coisas. Os móveis parecem grandes, os adultos parecem enormes, e, muitas vezes, sequer vemos os rostos dos adultos, ou por estarem acima da visão ou por serem silhuetas.

Este pequeno truque usado por Spielberg (aqui normalmente eu citaria uma ou duas obras do nome que citei, mas se você não sabe quem é Spielberg, dificilmente estaria lendo este blog) é um forte indicativo do tema central do filme: o conflito entre o mundo duro, seco e racional dos adultos e o intenso, acelerado, apaixonado e fantasioso mundo infantil. Para uma criança, os adultos, muitas vezes, parecem extraterrestres. E o verdadeiro E.T. parece mais humano para as crianças, devido a sua afasia, a sua estatura, e a seu lado emocional exacerbado. E para isto outro truque visual simples é usado, o coração a mostra no peitoral dos E.T.s.

Há também uma referência visual clara a temas cristãos, tanto na imagem do poster quanto no coração brilhante no peito, remetendo ao sagrado coração. E isto se reflete nos pequenos milagres de E.T., desde a ressureição da planta, a cura milagrosa, as cenas de levitação e vôo, a telepatia emocional com Elliot, a libertação dos sapos, a ressureição de si mesmo, como principalmente a descoberta do sentido do que é viver, do que é morrer e do que é conquistar e perder um amigo.
A trilha sonora de John Willians é brilhante até mesmo para John Willians (junto com outras trilhas como Star Wars, Indiana Jones, etc). O tom épico e mágico das músicas acompanham de forma perfeita o ritmo do filme, dando magia, deslumbre, tristeza, e epifania de forma inesquecível. E terminamos o filme cantarolando em nossas mentes o tema tã-na-nanananannnnn tã-na-nanananannnn. 

E finalmente chegamos ao motivo pelo qual o filme foi escolhido: as atuações infantis. Drew Barrymore (de Donnie Darko), com 7 anos, já estava em seu quarto filme, então era uma jovem veterana. E não decepciona. Sua personagem, Gertie, é uma encantadora garota que se vê obrigada a esconder um grande segredo em uma idade em que não sabe ainda mentir, nem mesmo entender a profundidade do segredo que tem de esconder. Ela transparece todo o tempo ingenuidade, carinho e fofura.

O Michael de Robert MacNaughton (de I am the cheese) é um adolescente que já flerta com a idéia de ser adulto, mas ainda não se encaixa entre eles, nem confia neles plenamente. 
Mas o maior destaque vai para Henry Thomas (de Gangues de Nova York). O Elliot de Thomas é o centro dramático do filme, e é junto com ele que eu, garoto, gritei, chorei, ri, e me emocionei de todas as formas no cinema. O ar de deslumbramento, de revolta, de carinho, que ele dá ao personagem é total. E é Elliot quem evolui junto com E.T., deixando de ser o garoto que nem sequer conseguia espaço na mesa de D&d de seu irmão para ser o “dono” do E.T., perdê-lo para a morte e para o mundo adulto, salvá-lo, e perdê-lo novamente para a distância. Um garoto que não sabia o quanto suas falas e ações poderiam magoar sua mãe aprende que a pior dor é a da perda de uma amizade.

Uma pena que apenas Drew Barrymore seguiu em uma carreira de grande impacto, e nem MacNaughton nem Thomas conseguiram atuações com o mesmo impacto. Mas Elliot é atemporal. O garoto que conseguiu ter poder absoluto acima até do Dungeon Master (jogadores de D&d entenderão a referência) e viver uma aventura capaz de transcender a morte e as distâncias estelares.
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