WESTWORLD: ONDE NINGUÉM TEM ALMA (1973)
Gênero: Ficção Científica
Direção: Michael Crichton
Roteiro:  Michael Crichton
Elenco: Yul Brynner, Richard Benjamon, James Brolin, Alan Oppenheimer, Victoria Shaw, Linda Scott, Anne Randall, Norman Bartold, Dick Van Patten, Terry Wilson
Produção: Paul Lazarus III
Fotografia: Gene Polito
Montagem: Davis Bretherton
Trilha Sonora: Fred Karlin
Duração: 88 min
Ano: 1973
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 21 de novembro de 1973 (nos EUA)
Estúdio: Metro-Goldwyn-Meyer
Sinopse: Turistas lutam por suas vidas quando os robôs de parque de diversões que simula ambientes históricos do passado saem do controle.
Nota do Razão de Aspecto:
O tema das criações humanas que escapam de seu controle é antigo e recorrente, e é recheada de obras excelentes. Do “Frankenstein” de Mary Shelley até o recentíssimo “Ex Machina”, passando por “Eu, Robô” e por “Blade Runner”, a arrogância humana de sempre confiar na infalibilidade de seu intelecto – ou na incapacidade da evolução de seus “brinquedos” – parece assombrar a mente de criadores de várias vertentes artísticas. 
Agora imagine o seguinte filme: escrito por Michael Crichton, conta a história de um parque que oferece a seus visitantes as chances de se divertir de forma totalmente diferenciada dos outros, utilizando uma tecnologia impressionante que, em determinado ponto da trama, fugirá do controle e colocará a todos em perigo. Se você pensou em “Parque dos Dinossauros” ou em alguma de suas continuações, errou.
Esta premissa é a que nos oferece “Westworld”, filme de 1973, também dirigido por Crichton, que dará base a uma releitura em formato de série de TV da HBO, produzida por ninguém menos do que J.J.Abrams e Jonathan “irmão do Christopher” Nolan.
No filme, em vez de visitar dinossauros em um habitat pretensamente natural, os turistas – aqueles que possam pagar a bagatela de mil dólares por dia! –  que visitam o resort Delos podem escolher, para sua diversão de férias, entre três ambientes: o Mundo Romano, o Mundo Medieval ou o Mundo do Velho Oeste – o Westworld que dá título à obra. Nesses ambientes, os visitantes poderão experimentar uma imersão total nos hábitos e costumes do cenário, um verdadeiro paraíso para RPGistas live action (um ano antes do lançamento de Dungeons & Dragons). 

Na Roma Antiga, pode-se experimentar a “moral relaxada” da época; na Idade Média, duelar com o Cavaleiro Negro e resgatar as donzelas em perigo; e no Velho Oeste, duelar com um perigoso pistoleiro ou se divertir numa briga no saloon local. Tudo isso com  segurança total, já que o turista irá interagir com robôs super tecnológicos, iguais em quase tudo aos humanos, mas programados para não feri-los (e para aceitar sua sedução, dependendo do modelo…). 

Os amigos Peter (Richard Benjamin) e John (James “pai do Josh mas a cara do Christian Bale” Brolin) decidem se divertir no Westworld. John já visitara o local, e logo entra no clima, comportando-se como cowboy misterioso e durão. Peter, mas reticente e demora um pouco mais para relaxar, mas deita e rola depois que se acostuma. 
Enquanto isso, a equipe do Supervisor Chefe de Delos começa a perceber um crescimento incomum no números de falhas e defeitos do robôs: uma cobra que pica um hóspede ali, uma serva que não cede aos encantos de um hóspede ali… Embora cogitem fechar Delos até que descubram a razão dos problemas, a credibilidade fala mais alto e eles decidem tentar contornar a situação com o parque aberto (sim, mais coisas que Crichton requentaria em Jurassic Park). Obviamente, tudo sairá do controle.
Enquanto os robôs começam a ficar com parafusos a menos (aê!), a ameaça direta aos protagonistas aparece na forma do Pistoleiro interpretado por Yul Brynner (o imortal intérprete do Kojak). Com uma interpretação… robótica… que confessadamente inspiraria o T-800 de Arnold Schwarzenegger, Brynner rouba a cena ao perseguir implacavelmente os amigos, resultando em uma meia hora final praticamente deserta de diálogos. As outras interpretações não são de especial destaque.

Do ponto de vista estético, o filme envelheceu, e é ao mesmo tempo nostálgico e quase cômico ver os painéis de controle cheios de luzes piscando, monitores com telas fósforo-verdes e grandes gráficos sendo impressos em folhas de papel contínuo. Por outro lado, esse passa a ser um certo charme-retrô do filme. 
Westworld é um filme de ficção científica do início da década de 1970. Trata-se de uma época em que George Lucas e Steven Spielberg ainda não tinham inventado o blockbuster e, nesse sentido, embora flerte com a grandiosidade, Westworld não chega a alcançá-la (algo que poderá ser, quiçá, remediado com pelo remake).  Ademais, após dois enormes furos na lógica interna do filme ao longo a perseguição final, sua conclusão não é tão interessante quanto o longo setup que toma quase dois terços da obra.
O filme teve uma continuação em 1976, chamada “Futureworld” (no Brasil batizado com o duplotwistcarpado título de “Ano 2003: Operação Terra”), no qual Delos reabre, substituindo o Velho Oeste por um cenário no futuro. Yul Brynner volta ao papel de Exterminador Pistoleiro, em uma obra inferior à primeira. 
Cabe agora ao necromancer J.J. Abrams, especialista em reviver pacientes em coma (conte aí as franquias que ele “releu” na última década) ofececer um novo requentar olhar sobre o filme de Crichton, com um elenco estelar, mais recursos de tecnologia e quase 45 anos a mais de experiência e questionamentos da relação entre homem e robô.
Por D.G.Ducci
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