49o FESTIVAL DE BRASÍLIA DO CINEMA BRASILEIRO – DIA 5
Programação cheia no quinto dia do Festival de Brasília, como vocês podem ver aqui.

A utilização do espaço urbano como um elemento importante da história foi um ponto comum entre os dois curtas e o longa-metragem exibidos na primeira sessão da mostra competitiva do 49º FESTIVAL DE BRASILIA DO CINEMA BRASILEIRO da noite de sábado: “Delírio e a Redenção dos Aflitos”, de Fellipe Fernandes, “Estado Itinerante”, de Ana Carolina Soares, e “Elon Não Acredita na Morte”, de Ricardo Alves Jr. 

“Delírio…”, que se passa na região periférica de Olinda, onde o diretor e parte da equipe cresceram, gira em torno de uma família que é a última a abandonar um edifício condenado.  “Antes de a história aparecer, o filme surgiu da vontade de falar sobre o local, de transmitir nossa experiência com aquele espaço, das lojas de colchão e dos prédios abandonados ou invadidos”, explicou Fellipe Fernandes, ex-assistente de Paulo Caldas e Kleber Mendonça.

O segundo curta, “Estado Itinerante”, retrata o cotidiano de uma cobradora de ônibus na periferia de Belo Horizonte. A personagem é vivida por Lira Ribas, a única atriz profissional do elenco – que interage com cobradoras de verdade. A ideia, como explicou Ana Carolina, “era mostrar a violência doméstica e urbana a partir desse universo e do dia a dia da protagonista, que não tem para onde ir depois de se separar do marido agressor” – que a diretora preferiu não mostrar em seu primeiro curta. Do mesmo modo, por conta da abordagem sutil pretendida, ela optou por não filmar em interiores, o que reforça também o viés documental da proposta.

Ana Carolina admitiu influência dos filmes do cineasta Carlos Reichenbach, sobretudo de As Garotas do ABC, que é centrado sobre operárias em São Bernardo do Campo (SP). “Ele é uma referência forte para mim, mas preferi não rever seus filmes”, afirmou.

Sobre a Mostra Competitiva, no seu quarto dia, nosso ilustríssimo convidado Lucas Albuquerque, do Cinem(ação), comentou:

ELON NÃO ACREDITA NA MORTE

De Ricardo Alves Jr.. Após o desaparecimento de sua esposa, Madalena, Elon imerge em uma jornada insone pelos cantos mais sombrios da cidade, buscando entender o que pode ter acontecido com ela, na tentativa de não perder sua sanidade pelo caminho.
Compre o mistério da trama e o drama do protagonista e terá uma boa experiência. Caso contrário, terá problemas – como eu tive. A repetição e andanças de Elon cansam, pois já entendemos a situação. A atuação está firme, contudo, firme até demais – soando monótono. A virada para o terceiro ato não empolga mas ajuda a fazer a nota melhorar. A fotografia também tem muito mérito. Nota 2/5.

ANTES O TEMPO NÃO ACABAVA

De Sérgio Andrade e Fábio Baldo. Anderson é um jovem indígena em conflito com os líderes de sua comunidade, localizada na periferia de Manaus. As tradições mantidas por seu povo parecem anacrônicas em relação à vida contemporânea que leva. Em busca de autoafirmação, Anderson abandona a comunidade para viver sozinho no centro da cidade, onde experimenta novos sentimentos e enfrenta outros desafios. No entanto, o Velho Pajé planeja trazê-lo de volta para mais um ritual. 
É o melhor filme da mostra. Mescla as características dos longas anteriores, porém de forma mais eficaz. Trata da questão indígena como em “Martírio”. Dá voz às minorias, coisa que “O último trago” tentou fazer. É regional e tem o som como destaque, lembrando “Rifle”. E aborda pertencimento, identidade e choque culturais como em “A cidade onde envelheço”. Brilhante, provocador, brasileiro – como poucos. Tem problemas no ritmo, mas facilmente superado pelo resto. Nota: 4,5/5
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