BRUXA DE BLAIR (2016) – CRÍTICA
 
Gênero: Terror
Direção: Adam Wingard
Roteiro: Simon Barrett
Elenco: Brandon Scott, Callie Hernandez, Corbin Reid, James Allen McCune, Valorie Curry, Wes Robinson
Produção: Jess Calder, Keith Calder, Roy Lee, Steven Schneider
Fotografia: Robby Baumgartner
Montador: Louis Cioffi
Trilha Sonora: Adam Wingard
Duração: 90 min.
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 15/09/2016 (Brasil)
Distribuidora: Paris Filmes
Estúdio: Lionsgate
Sinopse: Um grupo de estudantes universitários resolve se aventurar na floresta de Black Hills para desvendar os mistérios que cercam o desaparecimento da irmã de James, que muitos acreditam estar ligado à lenda da Bruxa de Blair. Eles criam esperanças de encontrar a garota, especialmente quando uma dupla de moradores se oferecem para guia-los na floresta. Mas com o cair da noite, o grupo é surpreendido por uma presença ameaçadora e percebem que a lenda é real e muito mais sinistra do que imaginaram.
Nota do razão de Aspecto:
 
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Em 1999, A Bruxa de Blair marcou um ponto de virada no gênero de terror não somente por ter sido o primeiro filme relevante totalmente na linguagem found footage ( Holocausto Canibal, de 1980, fez uso pioneiro, mas parcial,  desse recurso), mas também por ter resultado numa das primeiras experiências de viralização de um filme de baixo orçamento nos primórdios da internet, quando sequer existia Youtube e as redes sociais atuais para aumentar a velocidade de propagação da informação. Somente em 2007, com Atividade Paranormal, esse processo se repetiu, quando a velocidade do fluxo de informação já era muito maior. Para além da estratégia de marketing, o filme de 1999 era original e assustador, como um filme de terror deve ser.
Dezessete anos depois – e ignorando o péssimo Bruxa de Balir 2 -, A Bruxa de Blair retorna aos cinemas com o desafio de agradar ao público de 1999 e, ao mesmo tempo, ao novo público, formado por uma geração de jovens e adolescentes que cresceu na era das redes sociais. Além disso, o found footage tornou-se uma linguagem comum para filmes de terror, que, salvo raras exceções, se encontra saturada.  A tentativa de retomada do mistério das florestas de Maryland, portanto, tinha tudo para ser um fracasso retumbante, mas, felizmente, resultou em um filme competente e capaz de agradar os fãs do gênero.
Em A Bruxa de Blair (2016), o irmão mais novo da protagonista do filme original decide retornar à floresta em busca irmã, desaparecida desde 1999, após a divulgação de alguns vídeos recentes do local do desaparecimento. Para essa busca, reúne três amigos, muitos equipamentos e dois desconhecidos – os responsáveis pela divulgação do suposto vídeo recente das florestas de Maryland. Assim se forma a premissa básica, nada original, mas, digamos, funcional para a narrativa.
Os dezessete anos de diferença entre os eventos refletem-se na narrativa e na linguagem do filme. Em 2016, a equipe utiliza tudo o que há de mais funcional em cinema digital: câmeras DSLR, câmeras auriculares, drone, webcams e câmeras de celular. Para muito além da atmosfera de contemporaneidade, narrativamente, o uso desses equipamentos torna mais verossímil o desenvolvimento da jornada dos personagens. Além disso, contribui para que fotografia explore diferentes enquadramentos, qualidades de imagem e tipos de iluminação – tudo muito atual e realista. A montagem, por sua vez,  faz bom uso desses recursos. Com mais alternativas de imagem de um found footage da era das imagens em alta definição, a variação na velocidade dos cortes e na escolha de cada plano contribuiu para a intensificação da atmosfera de terror.
A Bruxa de Blair (2016) tem um roteiro apenas mediano e um direção competente, que conseguiu executar um filme de terror assustador. Como em todos os filmes de found footage, a história começa lenta e progride para um último ato que, em tese, deve ser apavorante – neste caso, foi suficientemente assustador. Meu colega de cabine de imprensa deve ter-se divertido com meus pulos na cadeira a cada susto. A maquiagem, a direção de arte, e os efeitos visuais são bem executados e funcionais o reforço da atmosfera de terror.O núcleo central das atuações, formado por James Allen McCullen e Callie Hernandez, é competente e convence tanto no terror psicológico quanto no terror físico. Infelizmente, não se pode afirmar o mesmo dos demais atores, que foram pouco convincentes como coadjuvantes.
Se você gosta de filmes de terror e, especialmente, dos filmes no estilo found footage, a Bruxa de Balir (2016) é uma boa opção.
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