Gênero: Ação (em primeira pessoa), ficção científica.
Direção: Ilya Naishuller
Roteiro: Ilya Naishuller, Will Stewart
Elenco: Andrei Dementiev, Cyrus Arnold, Danila Kozlovsky, Darya Charusha, Haley Bennett, Ilya Naishuller, Jake Karlen, Sharlto Copley, Svetlana Ustinova, Tim Roth, Will Stewart
Produção: Ekaterina Kononenko, Ilya Naishuller, Inga Vainshtein Smith, Timur Bekmambetov
Fotografia: Fedor Lyass, Pasha Kapinos, Vsevolod Kaptur
Montador: Steve Mirkovich
Trilha Sonora: Darya Charusha
Duração: 90 min.
Ano: 2015
País: Estados Unidos / Rússia
Cor: Colorido
Distribuidora: Diamond Filmes
Estúdio: Bazelevs Production / Versus Pictures
Classificação: 16 anos
Sinopse: Henry é trazido de volta a vida por sua esposa, por meio de uma série de implantes cibernéticos. Mas antes de ter sua memória e sua capacidade de fala restaurada, um criminoso com poderes paranormais sequestra sua esposa. Agora ele tem que resgata-la e ao mesmo tempo descobrir quem é.
Nota do Razão de Aspecto:
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Dar nota para um filme as vezes é algo bem simples e direto. Analisamos a qualidade do roteiro, das interpretações, da fotografia, da edição, dos cortes, trilha sonora, etc, balanceamos tudo com uma pitada inevitável de como foi a experiência subjetiva e única de ver o filme, e tacamos um número. Mas tem filmes que são muito mais complexos de se avaliar em termos de números, filmes que escapam da estrutura clássica de uma história contada por imagens e sons em movimento.
Hardcore Henry é um destes filmes. Enquanto escrevia esta crítica, oscilei entre dar 2,5 a 5 estrelas para ele. Isto não por que ele é revolucionário, ou envolve uma nova forma de fazer cinema. Não, Hardcore Henry é um filme que se centra em um único conceito, simplório, ingênuo, até mesmo besta: é um filme inteiramente filmado em linguagem de primeira pessoa. Colocaram uma câmera Go Pro no capacete de um ator (talvez o termo dublê/atleta seja mais adequado), colaram uma história propositalmente absurda e exagerada, isto para fazer com que tenhamos a sensação de vivenciarmos 90 minutos de constante pancadaria, tiros, explosões e diálogos com frases de efeito. O que incrivelmente funciona, pelo menos para parte do público.
A ideia é claramente inspirada nos videogames FPS (First Person Shooters, ou Jogos de Tiro em Primeira Pessoa), um dos gêneros de videogame mais populares desde a década de 1990, como os milhões de jogadores de Quake ou Call of Duty podem atestar. Muito da sua reação diante do filme vai depender de aceitar esta proposta ou não. Não precisa ser um gamer fanático para gostar do filme (eu mesmo não sou), mas é necessário entender que a proposta é de um filme “montanha-russa”, onde coesão pode e deve ser sacrificada em nome da sensação.
O diretor Ilya Naishuller é um estreante em longas-metragens, e o único trabalho que eu conhecia dele anterior a este filme é o clipe da música Bad Motherfucker, da banda Biting Elbows. O clipe é quase que um ensaio para o filme, usando da mesma idéia central (tire as crianças da frente do micro antes de ver o clipe).

Mesmo sendo um diretor iniciante, Naishuller conseguiu resolver um problema complicado para a proposta do filme. Como a câmera segue sempre em primeira pessoa, e o ritmo do filme é de ação constante, a transição entre um conflito e outro não é simples de fazer, e a escolha de onde cortar a cena e mesmo assim manter o fluxo não é nada fácil. Mas em nenhum momento estes cortes parecem abruptos ou interrompem nem a narrativa, nem o ritmo. O segundo ponto complicado é fazer com que a câmera mostre a cena inteiramente, e ao mesmo tempo os movimentos da câmera sejam orgânicos e convincentes. Sem praticamente nenhuma referência anterior, Naishuller resolveu estes problemas perfeitamente.
A trilha sonora é simplesmente exuberante, participando da narrativa em diversas cenas. O momento mais hilário do filme inclusive acontece exatamente pela interação entre música e ação.
Sharlto Copley (de “Distrito 9”) tem uma das atuações mais maravilhosamente absurdas e canastronas que vi recentemente. Seu(s) personagem(ns) Jimmy são completamente caricatos, imprevisíveis, muitas vezes non-sense, mas tudo integrado na narrativa de modo convincente, sendo tanto o alívio cômico como também uma sátira do estereótipo do tutor que entrega as missões para o protagonista de videogames. Sem ele o filme não funcionaria de forma alguma. Vale mencionar também a breve aparição de Tim Roth (de “Pulp Fiction” e “Cães de Aluguel”), como sempre, brilhante.
Dito isto, o antagonista, a resolução da história e a completa falta de tempo para respirar irá incomodar muitos espectadores, sem falar nas pessoas que passam mal do estômago com câmeras nervosas e filmagens em primeira pessoa. Mas o filme é absolutamente honesto quanto a isto, e em nenhum momento disfarça ao que veio: violência, pancadaria, tiro, em uma torrente infindável para lhe deixar sem fôlego. Muitos fãs de um bom cinema torcerão o nariz, mas a meu ver apenas por não se disporem a aceitar o que o filme tem a oferecer.
por Aniello Greco
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