Gênero: Fantasia, Drama, Terror
Direção: Mike Flanagan
Roteiro: Mike Flanagan, Jeff Howard
Elenco: Jacob Tremblay, Kate Bosworth, Thomas Jane, Annabeth Gish, Scottie Thompson, Dash Mihok, Jay Karnes, Kyla Deaver, Lance E. Nichols, Courtney Bell, Avis-Marie Barnes, Ginger MacNara, Aurora Blue, Jason Alan Smith, Hunter Wenzel.
Produção: Sam Englebardt, Willian D. Johnson, Trevor Macy
Fotografia: Michael Fimognari
Trilha sonora: Dany Elfman, The Newton Brothers
Duração: 97 min
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 01/09/2016 (Brasil)
Distribuidora: PlayArte
Estúdio: Intrepid Pictures, Demarest Films, MICA Entertaiment
Sinopse: Mark e Jessie perderam seu filho único e estão tendo dificuldades em lidar com o luto. Para superar o trauma, resolvem adotar Cody, uma criança da mesma idade de seu filho falecido. Mas eles não sabiam que Cody tem uma habilidade inexplicável: quando dorme, seus sonhos se tornam realidade.  O que inicialmente parece uma benção acaba se transformando em uma situação terrível, pois Cody tem graves pesadelos.
Nota do Razão de Aspecto:
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Uma coisa que não se pode criticar em “O sono da morte” é a vontade de sair do lugar-comum. Apesar do tema de uma criança com contatos com um mundo invisível para os adultos ser um clichê de filmes de terror, Mike Flanagan (diretor de alguns filmes de terror medianos como “O espelho” e “Hush: A morte ouve”) tenta desta vez não fazer mais um filme de terror usando do imaginário infantil. “O sono da morte” é antes de tudo um filme de fantasia e drama, que trata do luto, da solidão, e da distância que existe entre adultos e crianças. Os elementos de terror estão presentes, mas não são o ponto central da trama, e sim a relação entre Jessie (interpretada por Kate Bosworth, a Louis Lane de “Superman Returns”) e Cody (interpretado pela nova estrela infantil Jacob Tremblay, de “O quarto de Jack”).

Isto poderia ser uma fórmula para um filme marcante, mas infelizmente Flanagan se perde entre tantos elementos e possibilidades, fazendo com que os elementos de fantasia, drama, suspense e terror fiquem simplificados demais, quase burocráticos. 
Cabe elogio ao cuidado que Flanagan deu para os dois personagens principais. Nós nos importamos com Cody e Jessie, nos interessamos por eles, e queremos que seus conflitos se resolvam. Isto se conseguiu com um certo custo, pois o primeiro ato, em que se apresenta dos dois personagens, se prolonga um pouco mais que o necessário, algumas vezes com explicações desnecessárias. As sessões de terapia de Jessie são especialmente frustrantes neste sentido, com o psicanalista explicando explicitamente para o público os conflitos pessoais de Jessie já expostos narrativamente.
Algumas cenas mostram que Flanagan conhece de cinema, em especial a cena do último pesadelo de Cody, que felizmente não tem nenhum psicanalista explicando depois o que a câmera já contou. Outras parece soluções de um diretor limitado ou preguiçoso, como a soluções investigativas encontradas por Jessie.

A parte visual do filme é um tanto desequilibrada. Quando o filme nos mostra os elementos de fantasia, os sonhos de Cody, temos alguns momentos visualmente tocantes. Já nos pesadelos o visual do Homem-Cancro e demais “monstros” é cansativo e pouco eficiente em produzir tensão e medo. O filme tenta compensar isto com o abuso de sustos tolos, recurso infelizmente cada vez mais popular entre os filmes de terror atual.

Jacob Tremblay está simplesmente genial, mostrando novamente um talento no mesmo nível que se viu em “O quarto de Jack”. Infelizmente ele está quase sozinho neste filme. Kate Bosworth não está mal, mas seu personagem é tão monotemático que se torna monótono, e os demais personagens não tem quase nenhum interesse para a trama.
A finalização do filme peca e muito no sentimentalismo, destoando do resto do filme, rompendo bruscamente com o tom sombrio e depressivo da história. Nada contra um final feliz em um filme sobre luto, mas as emoções surgem nos dois personagens principais de forma exagerada, sem sentido. E neste ponto a trilha sonora, que durante todo o filme é inócua, no final se torna novelesca e irritante. Me desculpe, Dany Elfman (de “O estranho mundo de Jack”), esta talvez seja a sua pior trilha.
Temos um filme com uma história com bom potencial e riqueza de elementos narrativos. Temos o melhor ator infantil de Hollywood no momento. E um diretor que se perde no meio de tanta coisa boa, atirando para todo lado, e com isto produzindo um filme perdido, mesmo que acabe acertando alguns alvos, talvez por acaso. Ao misturar o drama de uma mãe que não consegue entender seu filho adotivo nem esquecer seu filho morto, a pureza e inocência dos sonhos de uma criança e o pânico de seus pesadelos provavelmente “O sono da morte” irá agradar e desagradar ocasionalmente todo tipo de público, mas sem contentar ninguém completamente. Pode divertir em uma noite de insônia, mas não muito mais que isto.

por Aniello Greco

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